9 de fevereiro de 2010

Carisma

Carisma funciona assim: ou você tem, ou você não tem.

8 de fevereiro de 2010

Palin e a festa do chá


Todos acreditavam que ela se tornaria a nova Oprah, mas Sarah Palin renunciou no Alaska para fundar o seu próprio partido. Durante a primeira convenção do Tea Party, Sarah largou esta: "Nós temos um Presidente que vai para outros países pedindo desculpas por nós. Se não fosse por nós a maior parte destes países estariam destruídos".

Cada um interpreta o meio em que vive analisando os fatos de perspectivas diferentes, sob variadas influências, enchergando apenas aquilo que quer ver. Mas será que é possível interpretar uma guerra que matou aproximadamente 1 milhão de inocentes no Iraque desta forma? Como é possível que alguém tenha a petulância de subir ao palanque para falar um absurdo tão grande quanto este?

Economistas do mundo inteiro sabem que existem três formas de sair do buraco de dívidas em que os países ricos se encontram no momento: aumentando a inflação, começando uma guerra ou aumentando as taxas pagas pelos contribuintes. Os Estados Unidos sempre optou por sair do buraco colocando outros povos dentro dele. E esta mulherzinha medíocre tem a petulância de sugerir que os Estados Unidos preveniu a destruição de um país como o Iraque.

Espero que a China continue lhes dando uma boa coça nos próximos anos. Qualquer hora destas eles aprendem.

7 de fevereiro de 2010

O chamado


Tenho tara por portas. Sempre que viajo, volto com a mala recheada de fotos de portas, portinhas, portões, e às vezes janelas também. Minha obcessão com a porta é tão grande que hoje quase comprei um livro com 200 páginas repletas de fotografias tiradas de portas de tamanhos, cores, épocas e lugares diferentes. Fui proibido.

Levei um susto quando entrei no Sartorialist para ver que o blog publicou a foto de uma...porta...em uma de suas caminhadas pelas ruas de Milão. O Sartorialist, como eu já mencionei aqui antes, é um dos blogs mais influentes do mundo da moda, mas a publicação de portas é realmente inédita. Vai ver é um sinal para que eu volte e compre o livro.

A porta acima é perfeita. Nota máxima em todos os quesitos.
Casa de Elton John em Londres







Fotos da Architectural Digest.
PlaneSheets.com


Academicamente falando, desenvolvimento de novos produtos é um inferno. Quase desisti da minha faculdade de Marketing na primeira semana quando descobri que precisaria estudar um ano de NPD com o professor mais exigente da Universidade. Hoje em dia continuo detestando cálculos e estratégia de preço, mas confesso que o curso ficou levemente interessante depois que assimilei o trauma da matemática e me acostumei com o sotaque pavoroso de meu professor chinês.

O curso de NPD ensina que o melhor desenvolvimento de novos produtos é aquele que cria um problema, e oferece uma solução. É batata. A vida sem computadores só passou a ser um problema a partir do momento em que eles foram criados. O mesmo se aplica a produtos como o liquidificador, o canudo, o computador e o telefone celular. O aspirador de pó, por exemplo, transformou a vassoura em problema, muito embora ela já resolvesse o problema principal de limpar a sujeira da casa. Neste caso, por tanto, o aspirador de pó foi criado e, com ele, foi criado um problema. O problema de ter que varrer os cantos do chão.

Depois de ler a coluna da Lisa Borgnes na última edição da W Magazine, vai ser difícil viver sem os plane sheets da PlaneSheets.com. Nada melhor do que cobrir um assento de tecido utilizado por uma média de duas pessoas ao dia. Quando mais jovem, tinha pânico de gente mais velha que transforma o assento do avião em um espaço demasiadamente personalizado. Não vou levar travesseiro, chinelo de casa ou pijama, mas acho que irei considerar os plane sheets para cobrir as nojeiras dos outros. Imagine você a variedade de impurezas que um assento de avião pode conter!

Não será o novo aspirador de pó, mas acho que fará boas vendas.

6 de fevereiro de 2010

Que tal?


Vintage Ad Browser

Para quem gosta ou trabalha com publicidade, este site é uma boa fonte de inspiração. A coleção é fruto da dedicação e determinação de um cara chamado Randy J. Hunt e inclui campanhas que datam de 1860, como esta da foto abaixo. São dezenas de décadas e milhares de empresas e possibilidades. Vale uma visita.

High spirits

5 de fevereiro de 2010

Foto do dia


Uma criança de dois anos é acorrentada pelo pai na estação Huaguan em Beijing. O pai alega não ter dinheiro para pagar uma creche e diz que sua filha, de apenas 4 anos, sumiu no mesmo local no dia 22 de Janeiro. Segundo o Guardian, esta foi a solução encontrada pelo pai para garantir a segurança do filho enquanto trabalha.

Embora o sequestro de sua filha em Janeiro tenha sido reportado para a polícia, a criança não foi encontrada. O motorista, Chen Chuanliu, não tem nenhuma fotografia da garota. Na China, crianças pequenas são sequestradas para diversas finalidades, entre elas: proporcionar um herdeiro homem para famílias do interior, trabalho escravo e até mesmo casamentos arranjados com homens mais velhos.

3 de fevereiro de 2010

Jaime Hayon


Estes periquitos de porcelana fazem parte da nova coleção do designer Jaime Hayon para a The Fantasy Collection. Uma imagem mais leve para começarmos bem o processo de terminar com calma esta semana.

Boa noite!
Atlas e Bloomsbury Life

Vou aproveitar a correria de hoje para dividir com vocês um blog que leio com muita frequência: A Bloomsbury Life. Destaque para a série The London/Marrakech Express que fala da experiência da autora, Lisa, em sua última viagem fora dos Estados Unidos. Lisa tem um filho pequeno que a acompanhou durante todo o trajeto, incluindo um tour de cinco dias pelas Atlas Mountains.

Para quem não conhece, as Atlas Mountains são o ponto mais alto da parte norte da África. A viagem é um pouco arriscada devido ao caminho às vezes muito estreito, mas as paisagens são inesquecíveis e os Berberes - povo local - muito receptivos. Quando fomos, em Abril de 2007, dormimos no Saara, perto da fronteira com a Algéria. As fotos desta viagem, você vê aqui.

O blog da Lisa me fez lembrar que estou com saudades do Marrocos.


31 de janeiro de 2010

Chocolate Extravaganza


Mast Brothers é a única loja de New York que transforma grãos em barras de chocolate. Seus proprietários - Rick e Michael - são ícones tão grandes quanto a loja em si. No The Selby, mais fotografias destes dois irmãos com a mão na massa e as notas do fotógrafo ao perguntar sobre quatro coisas que todos deveriam saber sobre chocolate.

1 - Árvores de cacau crescem perto da linha do Equador.
2 - Chocolate é feito da semente de vagens de cacau.
3 - Vagens de cacau crescem no tronco das árvores de cacau.
4 - Grãos de cacau são geralmente fermentados.

E as fotos:

Prostituição e AIDS na Copa

Com 5.7 milhões de soropositivos na África do Sul e 3.000 prostitutas na cidade de Cape Town, o risco de contração durante a Copa do Mundo é uma das grandes preocupações dos organizadores do evento. Um dos grupos ligados à prevenção da AIDS na África do Sul alerta para uma possível catástrofe relacionada à saúde pública daquele país. O problema, segundo ativistas, é que cerca de 46% das prostitutas registradas em um estudo recente são portadoras do vírus do HIV. No interior os números apontam para uma situação ainda mais grave.

Outro problema sério comentado no blog em Junho de 2009 é o alto índice de estupros. Um estudo recente mostrou que 25% dos homens entrevistados já cometeram estupro na África do Sul.

28 de janeiro de 2010

A França e o niqab


Uma das principais características políticas da França é a separação total entre o Estado e as instituições religiosas. O secularismo Francês não é novidade, não aconteceu nos últimos dez, vinte ou trinta anos, e por tanto pode ser considerado como parte fundamental e integrante da cultura daquele país. Mais do que um elemento político, esta clara linha divisória representa - na essência - o povo e as instituições da França, aonde o pensamento é priorizado e a interferência da igreja nas decisões tomadas pelo governo, proibida.

Sou um grande defensor e admirador do mundo Árabe, mas não posso deixar de concordar com as novas regras impostas pelo governo da França proibindo o uso de véus que cobrem o rosto das mais ou menos 2.000 mulheres muçulmanas que se vestem desta forma em território Francês. O argumento utilizado é o de o niqab, como é chamado, contraria os valores básicos da república. E o relatório vai além: diz que o uso do véu representa uma divisão que contraria a igualdade e a coexistência entre homens e mulheres, e termina afirmando que "sem estes valores a república da França deixa de existir".

O argumento de igualdade e coexistência é discutível, mas quando colocado no contexto da cultura ocidental Francesa, faz sentido e deve ser respeitado. Da mesma forma que cidadãos do Ocidente devem obedecer as imposições de governos Árabes enquanto no Oriente Médio, acredito que a soberania da república da França deve ser acatada pela comunidade internacional. Vale a pena lembrar que as mesmas proibições no que se refere à maneira de se vestir são impostas a todos os visitantes de países do mundo Árabe.

É lógico que haverá protestos da comunidade muçulmana, afinal a França é o país com o maior número de muçulmanos no Ocidente - 5 milhões. No entanto, a escolha de viver no Ocidente foi feita por cada uma destas famílias, a liberdade de ir e vir da população muçulmana é assegurada pelo governo Francês, e as leis locais de qualquer lugar existem para serem respeitadas e obedecidas. Assim caminha a humanidade. Quando em Roma, faça como os Romanos.
As instituições, o caos, Leila Lopes...

Será que a minha organização é a fonte principal da confusão institucional em que vivo? Ou será então que todas as outras pessoas que cruzam o meu caminho durante atividades normais, na rua, também passam horas ao telefone tentando resolver erros, problemas, pagando contas e explicando questões técnicas para operadores incompetentes? Será que todos os operadores do mundo são assim...difíceis? Ou será que difíceis somos nós, os clientes?

Sou cliente da Sky, da BT, da Vodafone, da AtlanticEc, da Three Water Valley, do Barclays, do Vanquis, do Capital One, moro em Barnet Council, assino Skype. Tenho domínios da MediaTemple, trabalho com o Constant Contact, contrato os serviços de uma agência de branding na Argentina, já tive conta na Spark, terminei meu contrato com o Barclaycard. Tenho cartões da British Library, da Kings College, da TAP, da British Airways, da Ibéria e de várias lojas - todos precisam ser renovados e controlados regularmente. No trabalho são parceiros e fornecedores de várias idades, nacionalidades e backgrounds, sem falar na burocracia da receita federal. Em casa, são as promoções, os vouchers, os problemas do Post Office, do supermercado, o computador que deixa de funcionar e o técnico de informática que te passa a perna.

Quando li que Leila Lopes escreveu em sua nota de suicídio que já não aguentava mais pagar contas e ter problemas, tive compaixão. Pensei nas horas de call centre que esta pobre criatura já enfrentou, nos problemas técnicos difíceis de consertar e nas inúmeras vezes que estas mesmas instituições a puniram pelo simples fato de ela ser uma...cliente. Ter estes mesmos problemas por 50 anos é mesmo caso de morte.
O caminho da roça


O caminho de minha casa até a estação de East Finchley tem 10 minutos de duração. São 10 minutos geralmente bem aproveitados. É durante a caminhada que repenso os compromissos do dia, revejo conceitos, mando emails e faço ligações. Às vezes corro, outras vezes caminho devagar. O que mais gosto, no entanto, é de saber que a cada ida e vinda passo a conhecer melhor o lugar em que vivo. É fascinante como a nossa percepção muda à medida em que os nossos olhos se acostumam com a paisagem local. Mesmo depois de tanto tempo vivendo na mesma região continuo fazendo novas descobertas diárias.

Acima, foto de um dos playgrounds do bairro no inverno deste ano. Abaixo, foto de minha rua em 1972. As cores, os carros, as casas, alguém caminhando - quem sabe em direção à mesma estação que visito todos os dias. A vida é um sopro.


26 de janeiro de 2010

Celso Amorim



Não peguei a entrevista na hora, mas recebi a notícia e fui atrás. Nosso Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, foi entrevistado por Christiane Amanpour no programa de hoje da CNN. O vídeo não está disponível no site do canal, mas já está bombando no YouTube. Não é nada demais, mas é bom ver alguém do Brasil ganhando um destaque tão importante como este.

Acho apenas uma pena que nosso governo não tenha tido uma posição mais central neste desastre, considerando que conhece tão bem o governo local e as condições gerais do país. Acho que faltou conhecimento técnico, experiência com situações similares e, logicamente, dinheiro. Perdeu uma boa chance de liderar, mas aos poucos vai chegando lá.
Sri Lanka - eleições e caos


Dentro de poucas horas mais de 14 milhões de eleitores estarão escolhendo o novo líder do Sri Lanka. O candidato eleito será o sexto Presidente de um país que - em 2009 - colocou fim ao conflito separatista dos Tamils, no norte do país. A crise humanitária no Sri Lanka é séria, centenas de milhares de refugiados continuam literalmente presos em campos provisórios fora da região de conflito e o acesso de jornalistas à área permanece proibido devido às péssimas condições de vida nestes campos.

O novo Presidente entrará com a difícil tarefa de acalmar os ânimos dentro e fora do país, respondendo à acusações de grupos independentes como o Journalists for Democracy in Sri Lanka. Este grupo de ativistas exilados na Alemanha foi responsável pela divulgação de um vídeo que contém imagens fortíssimas do que seriam militares torturando e assassinando 9 pessoas na região norte do país.

Ficamos na torcida de que o próximo líder tenha culhões para abrir as portas da transparência e apoiar uma investigação independente capaz de averiguar a extensão dos crimes cometidos pelo governo. Considerando que os dois principais candidatos são o atual Presidente e o comandante do Exército na época do conflito, fica difícil.

22 de janeiro de 2010

Iraq Inquiry


Este da foto é Jack Straw, o equivalente de Hillary Clinton para o Primeiro Ministro Tony Blair na época da invasão das tropas aliadas ao Iraque. Se você pensa que no Reino Unido não tem CPI, tem sim senhor. Aqui, não se fala em outra coisa. Todas as semanas, um grande número de autoridades e dirigentes políticos são convidados a depor no Iraq Inquiry. O objetivo da comissão investigadora é descobrir os reais motivos que levaram o Primeiro Ministro Tony Blair a invadir o Iraque mesmo sabendo que Sadam Hussein não tinha posse de armas nucleares.

Após entrevistarem todos os peixes pequenos do governo Britânico à época da invasão, esta semana o circo começa a pegar fogo. Para as próximas semanas estão agendados os depoimentos do atual Primeiro Ministro Gordon Brown e do então líder Tony Blair. Esta semana, Jack Straw depôs dizendo que aceitou com reservas a idéia de invadir o Iraque. Chefe de Estado na época da invasão, Jack Straw teria poderes suficientes para barrar a ação militar, mas não o fez por questões que ainda precisam ser discutidas - sem falar no termo aceitar com reservas.

Jack Straw disse também que invadir o Iraque foi a decisão mais difícil que já tomou em sua vida, e que reflete sobre este passo com muita frequência desde então. A questão é tão clara que fica até ridículo fazer um inquérito a respeito. A invasão ao Iraque foi nitidamente motivada por questões financeiras, e exclusivamente financeiras. Considerando que o governo sabia que Sadam Hussein não tinha posse de armas nucleares, fica difícil argumentar que estes governos gastaram centenas de bilhões de dólares para salvar o povo do Iraque.

Mentiram sobre um assunto extremamente grave por razões nebulosas. Sadam Hussein foi enforcado no Iraque sem dar seu depoimento a um tribunal competente internacional. Muito esquisito. Sei que tratava-se de um ditador sanguinário, mas este mesmo título se aplica para o Presidente do Sudão que continua no poder, dentro de seu país, fazendo visitas à países aliados no Oriente Médio enquanto o seu processo de crimes contra a humanidade vira pizza no tribunal internacional de Hague. Fica difícil de entender.

Embora todos já tenham as respostas para as perguntas do Iraq Inquiry, será bem bom ver Tony Blair fritando ao dar seu relato dos fatos ligados à invasão. A população Britânica é contra, sempre foi contra, Tony Blair tomou uma decisão de caráter duvidoso, se deixou influenciar pelo ex-Presidente dos Estados Unidos George Bush e agora será obrigado a passar pela humilhação de ser colocado na parede, ao vivo, em rede nacional. Dar satisfação aos contribuintes e às famílias daqueles que perderam suas vidas no Oriente Médio é o mínimo que Blair pode fazer. Espero que este seja apenas o primeiro dos muitos julgamentos a serem enfretados por estes senhores. E que o último, seja no inferno.
Maria-mole e os bancos



É disso que estão chamando Obama nas últimas edições das principais revistas de economia e política do mundo. Dizem que o Presidente dos Estados Unidos precisa fechar o cerco, apertar o cinto, pressionar seus adversários, e mudar o approach tranquilo de seus discursos. A calma para resolver questões cruciais de seu governo, segundo estas edições, é cada vez mais utilizada por adversários políticos para diminuir a influência da América no exterior.

Obama já entrou populista e por isso, ontem mesmo, deu os primeiros sinais de que leu as mesmas matérias que publicaram duras críticas à sua forma de conduzir o país. Ao perder o posto de Kennedy para os Republicanos em Massachussets, Obama sentiu na pele a possibilidade de amargar um grande fracasso para passar a reforma de seu sistema público de saúde. Desviando a atenção da populção, Obama fez ontem um duro discurso cheio de curtas palavras e ameaças aos grandes bancos de seu país.

Mostrando suas garras, Obama pretende também pressionar os Republicanos, geralmente parceiros de seguradoras de saúde e bancos financeiros. Países emergentes como a China já aproveitaram o amadorismo de Obama e a troca de poder nos Estados Unidos para valorizar o peso de suas decisões em discussões internacionais. Internamente, a oposição está percebendo a oportunidade. Como já dissemos tantas vezes antes, quem muito abaixa, mostra a bunda.

19 de janeiro de 2010

Mood board

Preparei uma seleção rápida de interiores que vi e gostei nos últimos dias. Primeiro, tem esta vista maravilhosa para o Grande Canal de Veneza. Uma pena que eu e Veneza estejamos crescendo próximos, porém separados. Dá vontade de tirar uns dias de férias, comprar uma máquina Nespresso e voltar para escrever um livro (já passou). Logo abaixo da vista, tem um ambiente também muito bonito da decoradora Ann Holden. Achei que valeria um post.


Depois, tem esta casa já mais escura, com um estilo bem comum aqui na Inglaterra. É de um decorador chamado Carter Smith e saiu em uma edição de 2007 da House & Garden. Fizemos uma estante no mesmo ritmo que esta em um apartamento da Vieira Souto recentemente. Ficou muito bonito e estará no website da loja em Fevereiro.


E, por último, estes três ambientes mais animados, com as cores de um verão ainda distante para todos que moram na Europa. Um dos ambientes - a cozinha - eu extraí de um blog excelente de decoração, da diretora de redação da Casa & Jardim, Simone Hervelha.

Slowly but surely

É assim: meu USB de internet da Vodafone é econômico.

Economiza na transferência de absolutemente tudo, não permite a abertura de duas janelas ao mesmo tempo, não manda emails mais pesados que duas linhas, não abre o TweetDeck, nem mostra as notícias da BBC. Quando as notícias abrem, já estão desatualizadas. Quando o email funciona, as mensagens já não são mais necessárias. É praticamente uma ferramente seletiva. Ela seleciona, por você, aquilo que é de fundamental importância. Nem sempre acerta, mas em tempos de Haiti, acho até bom que a BBC não esteja online.

Em se tratando de trabalho, no entanto, a paciência é mesmo a última que pode morrer. Os últimos dias têm sido turbulentos. Eu, que ainda tinha esperanças de ir a feira de Paris, vou ficar amargando o cabo USB da Vodafone, escurecendo no meio da tarde, tentando atualizar um website que precisa ficar pronto antes do dia 15 de Fevereiro. A deadline era o dia 1, mas devido à falta de auxílio do cosmos, precisaremos adiar um pouco as datas marcadas em nosso calendário. 150kb, para um pouquinho, descansa um pouquinho, 250kb.

16 de janeiro de 2010

Caos

Ontem à noite meu provedor deu pau, meu modem resolveu parar de funcionar e o sistema de minha empresa sumiu como se nunca houvesse existido. Como 90% de todas as minhas atividades atuais requerem uma conexão rápida de internet, estou uma pilha de nervos. Chove muito em Londres, a minha mochila pesa, meus pés estão molhados, meu humor morreu com as vítimas do terremoto e com os cafés da cidade completamente lotados, fica difícil encontrar uma espaço para sentar e trabalhar.

Após uma briga horrível com a operadora resolvi comprar o USB de internet móvel da Vodafone. Espero que isto resolva o problema de ter que esperar por 15 dias úteis (!!!) para que a minha conexão em casa seja reestabelecida. Na Inglaterra, tudo é um procedimento burocrático, um formulário, uma carta formal. É escuro, neva, chove e você é vencido pelo cansaço.

O dia hoje está assim...nebuloso e à espera de uma luz.

A boa notícia foi visitar a loja da Vodafone e descobrir que a Apple acabou com o contrato estúpido de exclusividade que tinha com a O2 na Inglaterra. Gosto muito de meu Blackberry, mas meu próximo aparelho será um iPhone.

15 de janeiro de 2010

O bossal



Sábado eu falava do bobo. Hoje lembrei de uma classificação diferente de bobo ao assistir este vídeo do Cônsul do Haiti em São Paulo. O bobo que acha que é esperto. O bobo é geralmente inofensivo. O bossal é ruim, faz mal aos que julga inferiores. Perceba o ar de superioridade, franzindo a testa ao falar. Este, além de bossal, é racista, ignorante e arrogante. Um nojo.
Mulheres no trabalho



A Economist reporta que as mulheres já ocupam 49.9% dos postos de trabalho nos Estados Unidos e 60% das vagas em Universidades da Europa. Com o aumento do número de mulheres profissionalmente ativas, aumenta também o impacto causado por esta presença na organização familiar de sociedades modernas. Uma transformação que exige mudanças no ambiente de trabalho e maior segurança através de leis trabalhistas que possibilitem a conciliação de família, filhos e carreira.

A alta presença de mulheres no mercado de trabalho é amplamente atribuída ao enfraquecimento da produção industrial e ao fim da valorização da força física do homem como principal fonte de aproveitamento e renda. Quanto mais o mundo Ocidental transforma sua economia através do fortalecimento do setor de serviços, mais aumenta a competitividade das mulheres em relação aos homens.

Para as mulheres de países desenvolvidos, a novidade da inclusão profissional chegou ao fim. Após a forte onda de feminisno das décadas passadas, o espírito revolucionário caiu no esquecimento e deu lugar a uma atitude bem mais conformista. Para as mulheres da nova década, a conquista já foi feita e a batalha virou necessidade. Uma necessidade sustentada pela crescente legião de mães solteiras dos países ricos que encontram no trabalho sua única alternativa.

Achei muito interessante a comparação entre a postura de vários países Europeus em relação à licensa maternidade. A posição varia de muito flexível, como no caso da Áustria, República Tcheca e Finlândia - até 3 anos de licensa - a estados como o Reino Unido e a Holanda que preferem devolver suas mulheres ao mercado em esquemas de empregos de meio-período. Os países Nórdicos oferecem creches para todas as mães profissionais e os Estados Unidos sequer incluem a licensa maternidade em suas leis trabalhistas - após ganhar o bebê, suas mulheres ganham o direito de três meses em casa sem pagamento.

Não são apenas as mães que sofrem com estas políticas. Um estudo da UNICEF publicado em 2007 mostra que os Estados Unidos e o Reino Unido tem os piores índices de bem estar infantil entre os países ricos. O potencial de adaptação dos países e suas leis trabalhistas hoje, ditará as condições de trabalho e vida das próximas gerações. A questão das mães trabalhadoras no mercado de trabalho é ampla, influencia muitas outras áreas de uma sociedade e tem poder capaz de transformar qualquer economia. Deve ser bem pensada e discutida.
Zilda Arns, a Pastoral e o terço


Li muitos artigos e estórias sobre Zilda Arns nos últimos dias. Notícias de sua morte, elogios à sua carreira e relatos pessoais de profissionais e jornalistas que acompanharam de perto a positiva mudança demografia que suas ações trouxeram como consequência. No caso específico de Zilda, o seu trabalho foi admirado e reconhecido em vida, trazendo a nós Brasileiros um senso muito grande de dever cumprido e satisfação. Zilda viveu o suficiente para mudar o mundo, acompanhar as mudanças de perto e colher os louros de seu trabalho - no caso dela, ajudando mais pessoas ao redor do mundo.

Não tenho certeza se suas idéias surtiram o mesmo efeito fora do Brasil como dentro dele. Acredito que não. Projetos sociais que focam em estrutura familiar esbarram com frequência em questões que envolvem organização social e cultura. Nestes casos, é preciso muita pesquisa e ao menos uma cabeça brilhante como a de Zilda, com a sensibilidade necessária para que um projeto desta granditude dê certo. Mais do que um relato de sucesso profissional, a história de Zilda é, para mim, um exemplo de que grandes e ousadas idéias podem ser simples e, ainda assim, mostrar resultados surpreeendes.

José Serra narra neste excelente artigo do Estadão a sua relação com Zilda enquanto Ministro da Saúde. Achei especialmente brilhante a idéia de Zilda de criar um terço para possibilitar que mulheres controlem seus dias de fertilidade e evitem relações sexuais, afastando assim a perigosa gravidez indesejada. Uma confirmação de meu argumento no parágrafo anterior e um exemplo para a Igreja Católica, seus valores medíocres e dogmas ultrapassados. Faço votos de que a Pastoral consiga dar sequência ao trabalho que presta à sociedade, e desejo ao Brasil o surgimento de muitas outras mentes brilhantes.
Mesa de bar


Olhando assim, o tio da esquerda não vale um centavo. Mas pra quem não conhece, este é Paul Smith, um dos maiores estilistas do Reino Unido. Curiosamente, embora Paul seja de Beeston, na Inglaterra, sua primeira loja foi fundada em New York em 1987. Especializado em moda masculina, 1998 foi o ano do lançamento de sua primeira coleção para mulheres. Desde então, ele abriu lojas em Dubai, Bangalore, Leeds, Antwerp, Los Angeles e outras duas em Notting Hill e Covent Garden, em Londres.

Aqui em casa já fomos mais Paul Smith-zentos. Todos os desenhos da marca tem esse ar velho-jovem-colorido-alternativo que só funciona em Londres, New York, Dubai e Bangalore. Quanto mais pro Oriente, maior o sucesso de suas roupas. Outro problema grande é a famosa e já enjoada estampa e o material vagabundo utilizado nos caros produtos de sua marca. A vantagem de Paul Smith, no entanto, é o design único que se extende de sua logo aos cortes de suas roupas. Você bate o olho e já sabe se é ou não é Paul Smith. Hoje em dia, uma boa dica de sucesso.

14 de janeiro de 2010

Já ganhou



Achei muito divertido este vídeo da CNN com uma seleção dos melhores momentos de Muammar Gaddafi em um encontro de chefes de estado na ONU. Muammar, que é líder da Líbia desde o golpe de 1969, faz questão de montar sua própria tenda beduína quando em visita oficial a outros países. Em Junho, escrevi sobre Gaddafi na Itália, provocando Berlusconi e desfilando seu exército feminino.

Em um dia tão cheio de imagens trágicas e histórias de desespero, acho melhor terminarmos com algo mais leve. Por hoje, deixar de lado é a melhor solução. Amanhã é outro dia e outras tragédias virão.
V Magazine

A size issue da V Magazine ainda não está nas bancas, mas alguns dos ensaios preparados para a próxima edição já foram divulgados. A revista trará um ensaio de Karl Lagerfield, feito com Miss Dirty Martini na Maison Chanel de Paris; One Size Fits All de Terry Richardson e Curves Ahead de Solve Sundsbo.

Tem também um ótimo ensaio chamado Barrio Gotico, de Sebastian Faena. Este ensaio, particularmente, é o meu favorito. O bairro gótico de Barcelona parece mesmo o lugar ideal para o visual andrógeno escolhido pelo fotógrafo. Só que hoje, o post é das gordinhas.




13 de janeiro de 2010

Pausa no Haiti


Gisele Bundchen deixou de ser modelo e entrou para uma categoria só dela. Gisele é a personificação do luxo, da beleza e a confirmação do produto de qualidade. Por esta associação, e por fazer parte do inconciente coletivo de consumidores de todo o mundo, fechou o ano com 35 milhões de Dólares no bolso. Mesmo grávida, Gisele fez o dobro do que a segunda colocada, Heidi Klum. Fantástico. O patrimônio da modelo já chega aos 260 milhões de Reais, mais ou menos 2 vezes o valor da última Mega Sena acumulada. And counting.
Haiti, terremoto e Lula



Se Deus existe, esta é a prova de sua desorganização. O Haiti é o país mais pobre do Ocidente. O terremoto de ontem que destruiu parte da capital, Port-au-Prince, foi a cereja do bolo de um país miserável e politicamente enfraquecido. Quando você acha que não tem como ficar pior, o Haiti é colocado em uma frigideira natural e sacudido feito omelete. É um desastre. Mais um. Serão milhares de mortos e um número incontável de feridos. Uma parcela considerável da população da cidade vive em condições precárias, em favelas parecidas com as do Rio de Janeiro - na montanhas.

O Haiti é diplomaticamente muito importante para o Brasil na América Latina. Em 2004, quando um golpe de estado retirou o então presidente Jean-Bertrand Aristide do poder, o Brasil enviou um número inédito de soldados para garantir o bom funcionamento da MINUSTAH - missão da ONU para a estabilização do Haiti. Segundo a Folha, o Brasil ainda tem 1.300 soldados na região. Na comunidade internacional ninguém fala do Haiti sem ao menos mencionar as estratégias do Brasil na região. O Haiti é um teste de forças para o governo do Brasil, interessado em demonstrar ao mundo que tem condições de assumir de vez o papel de líder regional. Este será, sem dúvidas, um novo desafio para o nosso Presidente.

12 de janeiro de 2010

Spitafields


Adorei essa vista aérea de Spitafields. É uma das áreas que mais frequentamos aos fins de semana. Foto publicada pelo Londonist.
Terapia de choque



A globalização aproximou o mundo para triplicar os nossos problemas. São tantas as tragédias transmitidas todos os dias, que às vezes temos todos vontade de mudar para o campo com uma cabra e duas galinhas. Eu, que sempre tive muita dificuldade de assimilar grandes acontecimentos, sofro para absorver tudo o que assisto e leio. Quanto maior é a merda, mais preocupado e reflexivo eu fico.

Li hoje que o metrô de Londres cederá 430 espaços de publicidade para a ONG Changing Faces. A Changing Faces é uma organização que luta para combater o preconceito a crianças desfiguradas. Eu entendo, apoio a causa, mas não quero ser forçado a passar por isso. Acho que tenho esse direito, mas os cartazes já estão colados em todas as plataformas e as crianças já estão a postos, olhando bem no fundo da tela para garantir que o receptor irá captar a mensagem. Mais uma questão para tratar durante o frio do inverno escuro da Inglaterra.
Saiu, gostou, comprou, trocou

Eu gosto de moda. Acompanho. Acho importante ser atual, estar bem vestido, escolher bem, comprar o que gosta de usar. Tudo isso conta. Mas como em tudo, estar na moda tem limite. O internacionalmente menosprezado limite do ridículo. Não sei como as pessoas não tem vergonha de trocar de armário a cada dois meses só pra acompanhar o que sai na capa da Vogue.

Essa ombreira com pontas é algo que me irrita de forma especial. Hoje, no Trendy Crew, que copia o Sartorialist; e no dia 24 de Novembro, no jornal da BBC. A indústria da moda é tão criativa que, confusas, as prateleiras acabam iguais.

11 de janeiro de 2010

Arquitetura Tudor


Não entendo de arquitetura, mas gosto. A casa abaixo foi construída em estilo Tudor e fica localizada, logicamente, na Inglaterra. O estilo Tudor é o aprimoramento final da arquitetura medieval e tem origem entre em os anos de 1485 e 1603. Embora os interiores coincidam com os de casas datadas do período Elizabetano, por fora é comum encontrarmos características muito únicas como janelas pequenas (pouca iluminação) e janelas oriel muito parecidas com as que podemos observar na arquitetura árabe.


O arco Tudor também é um dos principais legados, transformando o muitíssimo utilizado modelo gótico em um arco de formas mais achatadas, como o da entrada da casa acima. Destaque para o conservatório moderno da casa. Reparem que os arcos e janelas foram mantidos.

10 de janeiro de 2010

Restaurant at St Paul's

Fomos almoçar na cripta da catedral de Londres, a St. Paul's. Apesar de ser uma cripta, na sala ao lado de onde as tumbas se encontram, foi um super almoço. Comemos e bebemos muito bem e adoramos o clima aconchegante do restaurante. O garçom, da Espanha, transformou o nosso almoço em uma experiência ainda mais interessante ao explicar o menu em detalhes e recomendar o que havia de mais gostoso na casa. Quem não fica mais solto ao falar a própria língua?

A missa

Depois do almoço, resolvemos dar uma passada rápida na catedral. É sempre bom relembrar os motivos pelos quais escolhemos Londres como cidade para morar - escolha de cidade é como casamento. A catedral de Londres é a igreja mais requintada do mundo - e olha que eu já entrei em igrejas nesta vida! Tudo dentro dela é de bom gosto, bem cuidado, bem iluminado, um capricho de encher os olhos. Por sorte, a missa de domingo estava começando. Muita pompa e muito canto gregoriano. Uma imponência, uma força, quanto dinheiro. Ponderamos e resolvemos sair antes que os céus se abrissem.

E Points of View, na British Library

É um dos meus lugares favoritos em Londres. Sempre que preciso escrever algo grande, vou pra lá. Na British Library, está rolando uma exposição muito boa sobre fotografia, com as primeiras câmeras escuras construídas e muitos trabalhos e anotações de Talbot, o pioneiro da fotografia no mundo. Imagine você, viver em um mundo sem fotografias. Dá pra entender, e bem, a rapidez com que a técnica se espalhou pelo mundo. Em 1850, nem bem 20 anos depois do ínicio do processo, a fotografia já havia se tornado uma prática comum nas principais cidades do mundo.

A exposição é bem completa. Fala sobre as primeiras idéias de Talbot, explica a engenharia das primeiras câmeras (já esqueci) e tem um pouco de negativos e natureza morta. Depois, é só alegria. Fotografias de Roma, Madri e Mecca em 1850, índios no Amazonas em 1870 e imagens que sobreviveram ao extermínio do Shah quando quis modernizar o Irã religioso da época. Tem panorama de Istanbul em 1870, retratos de nativos do Sudão, fotos de negros Brasileiros do Rio de Janeiro e da Bahia em 1880 (para estudos antropológicos), e até mesmo o famoso retrato de Oscar Wilde - praticamente a minha Monalisa.

Vale a pena conferir - e é de graça. Um detalhe interessante é o debate inicial que a fotografia gera na metade do século 19 - arte ou não arte. O retrato de Oscar Wilde neste post foi batido na 5th Avenue de NYC quando o escritor visitou a América para uma série de palestras. Esta mesma fotografia deu origem ao primeiro processo judicial por direitos de imagem no mundo. Na época, a corte condenou uma empresa dos Estados Unidos por utilizar a imagem de Wilde em sua publicidade reconhecendo fotografia como arte e propriedade de quem é fotografado.

9 de janeiro de 2010

O bobo


O bobo está por todos os lugares. Ele chega encolhido, e encolhido continua até sair. Quando fala, repete o que ouviu, não passa segurança e concorda com tudo. O bobo é incapaz de ousar. Com a voz mansa e dando voltas para evitar o ponto central da questão, só fala o que tem absoluta certeza, e coloca todas as palavras possíveis no diminutivo. É atropelado, mas não se importa.

O bobo nunca foi o melhor na escola, mas nunca foi o pior - porque o bobo, é esforçado. Provocado pelos colegas mais populares, o bobo cresceu pedindo desculpas por existir. Para o bobo a sua própria existência é um favor de Deus, uma sorte, um acaso. De auto-estima baixa, ele até constitui família, coloca terno, dá entrevista, mas para o resto do mundo ele é e continuará sendo, um bobo.

Veja esta entrevista de José Eustaquio Diniz Alves para Miriam Leitão e entenda.
Montenegro .me

A Inglaterra é .co.uk, o Brasil .com.br, Tuvalu .tv e Montenegro, após a independência em 2006, virou .me. Desde a criação do domínio, 360 mil registros foram criados, fazendo do .me o melhor lançamento de domínios de todos os tempos. O .me pode ser utilizado em diversas línguas, incluindo o Português, aumentando ainda mais a popularidade do endereço. Em Inglês:

willshemarry.me
youand.me
notify.me

As possibilidades são infinitas. Abaixo, Kotor, em Montenegro. Shoot.me!

The Lives of Others

O que seria de nossas vidas se não pudessemos falar da vida dos outros. Que assuntos teríamos se a vida alheia, aonde tudo é mais fácil de conseguir e mais simples de resolver, fosse um tema tabu e críticas fossem proibidas. Sempre penso que uma das grandes desvantagens de um regime ditatorial é a falta de liberdade na hora de fofocar. Deve ser por isso que todos são tão infelizes. Nestas áreas do mundo, fofoca nunca é leve ou descompromissada - fofoca mata.

Ontem assistimos ao filme alemão The Lives of Others. O filme é de 2006, mas nunca assisti ou comprei porque a capa é muito parecida com a de Coffee and Cigarettes, que não gostei. Parece coisa de gente maluca. E é. Mas mesmo sem vontade de fazer nada - o tempo e o calor seco da radiador estão acabando com a minha saúde mental - o filme faz qualquer um refletir sobre a sorte que temos por sermos livres. E como somos.

O filme também fala de poder. São muitos os exemplos de pessoas que se transformam em monstros quando estão sob controle de algo ou alguém - esta, infelizmente, é a maioria. Ontem, no entanto, o filme nos lembrou que existem aqueles que, por motivos nem sempre nobres, decidem tentar fazer o bem. O mais interessante, no entanto, é perceber que, às vezes, deixar de fazer o mal...já ajuda.

Sol, mar e Espanha

Passei os últimos dias separando os melhores interiores da semana para honrar a promessa feita no Ano Novo, mas me vi obrigado a jogar tudo pro alto depois de visitar o portifólio de um fotógrafo Americano chamado Dexter Hodges. O trabalho de Hodges na Espanha foi publicado por várias revistas Européias e Americanas, entre elas House & Garden, Elle Decor e Architectural Digest. Pudera. Quase tive um colapso nervoso ao ver as casas que ele fotografou.

Não vou nem falar da Espanha com o frio que faz em Londres hoje...





8 de janeiro de 2010

O mundo é dos NETs


Pela primeira vez na história, mais dinheiro será investido em televisão por assinatura fora dos Estados Unidos do que dentro dele. Os números assustam, mas a Economist explica que a demora de países em desenvolvimento neste setor se justifica pela dificuldade destas empresas em vender publicidade. No Japão, por exemplo, apenas 24% das residências com televisão possuem algum tipo de assinatura.

Mas não é do Japão que vem a notícia de crescimento. Países mais pobres e em desenvolvimento, mais uma vez, são os responsáveis pelo crescimento em número de assinantes. Em 2010, serão $96 bilhões pagos para ampliar o leque de opções de canais no resto do mundo. No Brasil, a NET cresceu absurdamente nos últimos anos, dobrando o número de assinantes de 2006 para 2009 - passou de 1.8m para 3.6m de assinantes.

São os primeiros sinais de nosso tão esperado progresso. Quem está sorrindo a toa com a notícia são os bosses da Discovery Channel, um dos primeiros canais por assinatura a investir pesado na expansão internacional de deus produtos. Entre Julho e Setembro de 2009, 34% da renda da Discovery veio da assinatura de seus cinco canais ao redor dos 173 países em que o canal está disponível fora dos Estados Unidos.

7 de janeiro de 2010

Issa London

Issa é a única estilista do Brasil que conseguiu um lugar ao sol em Londres - essa expressão e Londres deveriam ser proibidas na mesma frase, mas não são. Posso estar falando bobagem, mas acho que ela não é conhecida em terras tupiniquins como é famosa na Inglaterra. Logo após a virada, dia 1 de madrugada, voltei para casa com um motorista de táxi que trabalhou durante muitos anos para ela. Comentou que Issa já vestiu Madonna e está expandindo para os Estados Unidos. Achei o site genial.

Euro Millions

Após o retorno da já tradicional reflexão sobre o que faria com o prêmio da loteria, decidi apostar na Euro Millions por 4 semanas. Amanhã o sorteio é de 32 milhões de Euros, ou quase 100 milhões de Reais. Confesso não ter entendido o motivo de tanto alarde com a notícia de que um jardineiro de 78 anos ganhou a Mega-Sena acumulada no Brasil. É como se 70 milhões de Reais escolhessem idade, profissão e classe social. 70 milhões são 70 milhões para qualquer pessoa. Tirarei o sábado para pensar melhor em como investir os meus 100, mas já sei que plano de saúde não faz parte da lista.

5 de janeiro de 2010

Steven Meisel

Elton John Holiday


Ganhei de presente uma vela perfumada chamada Holiday, lançada pela Elton John Aids Foundation e aparentemente vendida apenas na América. Sua casa cheira bem e você ainda contribui com uma boa causa. A vela cheira tão bem que tenho medo até de abrir a caixa. O único problema é que ninguém fala nada sobre a fragrância em si. O cheiro é irreconhecível, único, muito diferente. E agora?

Miriam Leitão


Nada se cria. Entrei hoje, pela primeira vez, no blog da Miriam Leitão. Vou assinar. Gosto muito da Miriam Leitão. Pego no pé dela via Twitter, mas acho tudo o que ela faz ótimo ou excelente. Que bom seria se o Brasil valorizasse mais as suas Miriam Leitões. Quem dera fosse Miriam Leitão a nossa Xuxa.

Mas ao entrar no blog da Miriam, peguei no ar uma semelhança muito grande com Christiane Amanpour, da CNN. Lógico. Amanpour está para o jornalismo político e econômico como Oprah está para Ana Maria Braga. Natural que Miriam Leitão imite, inclusive, os trejeitos de Amanpour ao dar uma entrada multimídia de dentro do COP15, na Dinamarca. O jeito de tirar o óculos, a informalidade da pausa ao tomar o café, tudo é igual.

Às vezes, quando vemos algo que gostamos, queremos reproduzir nossa própria reação em quem nos assiste. Continuo gostando de Miriam Leitão, bem como gosto de Amanpour. Quanta coisa boa, tão bem escrita. Que água será que elas bebem?

4 de janeiro de 2010

Sono da tarde

Um dos meus sonhos é ter uma casa de campo na Catalunha. Este ainda realizarei. Hoje, ao dar uma rápida passada de olhos em um blog que leio regularmente, encontrei a foto abaixo e lembrei da bendita casa de campo novamente. Um dos quartos, talvez não o meu, seria assim...arejado. Bati o olho nesta cama e pensei em um bom sono de sábado a tarde depois de dois pratos de paella com sangria. Que tal?


Vou pensar em um post periódico - talvez semanal - com interiores que vou achando que valem uma divulgada adicional durante a semana. Desta forma, tentarei também voltar a postar com mais regularidade. Este ano foi um ano de idas e voltas com posts esporádicos, como tem sido os últimos anos. Geralmente não consigo manter o ritmo. Vou tentar.

Conforto ao contrário


Eu nunca vou para os Estados Unidos. Fui em 2005, mas não iria novamente sem que fosse absolutamente necessário. Moro em Londres e não considero uma prioridade conhecer bem NYC, Sidney ou LA. No meu livro de viagens - aquele que não tenho - o desconhecido sempre soa mais apetitoso.

Mas entendo que pessoas diferentes procuram coisas diferentes quando embarcam em um avião. Há quem goste de versões diferentes da mesma coisa. Eu gosto de desafiar tudo o que é pré-estabelecido. Questionar o convencional é uma forma saudável e inspiradora de reciclar os seus valores e conceitos.

Logicamente, minha vontade de viajar para a América não aumentou depois de ouvir na BBC que novas regras de segurança serão implementadas nos aeroportos de todo o mundo. Voar já é, em si, uma merda. Voar para NYC, sem cobertor e sem poder checar na tela a posição do avião no mapa, é um convite oficial para rejeitar qualquer possibilidade futura de passar uns dias na Big Apple.

Não gosto de não saber o que está acontecendo. Entendo que seja para a segurança de todos, mas acho mais prático pararem de explodir inocentes no Oriente Médio. Mais prático, mais respeitoso, mais justo e mais barato. Achei que o futuro da aviação seria mais confortável, mas já vi que este é um adeus ao sonho de fazer 10 horas de vôo navegando, blogando, e batendo papos no MSN - com cobertor.
Google e Isaac Newton



Muito simpática a homenagem do Google ao Isaac Newton, com a maçã que cai em cima do botão para os Advertising Programmes (£££). Não que você não vá perceber a homenagem ao longo do dia, mas ontem conheci uma garota Americana que usa Yahoo, adora e não troca por nada neste mundo. Vai entender.

3 de janeiro de 2010

Female Trouble

Trash dos bons.

Marjorie Skouras


São lindos os chandeliers de pedras da Marjorie Skouras. Verdadeiras jóias. Destaque para a combinação de cores do ambiente acima. Paredes cor-de-rosa (todas as paredes) com poucos e bons detalhes em azul turquesa. Não custa sonhar.

Pós-Natal


Nesta época do ano, fazer compras em Londres é missão impossível. Passamos os últimos dias visitando as lojas de departamento da cidade com nossa amiga de LA que, a exemplo do resto dos Estados Unidos, tem problemas sérios de compulsão quando o assunto é shopping.

Quem já visitou Londres sabe que o layout das lojas de departamento é inúmeras vezes mais compacto do que os equivalentes do Brasil ou, principalmente, da América. Este detalhe, adicionado ao tumulto causado pela multidão em busca das últimas barganhas, arruinou a nossa tentativa de conhecer a Harrods.

Muita gente para pouco espaço. Quem sabe tentamos novamente mais tarde. Na próxima encarnação.

2 de janeiro de 2010

Su casa

Dependendo do lugar, quanto mais específico é o estilo do arquiteto, menor são as possibilidades de encontrar um bom comprador após a conclusão da obra - a menos, é claro, que este não seja um problema e você tenha dinheiro suficiente pra trocar de casa como quem troca de casaco.

Esta casa, localizada no México e descoberta pela HGTV, é um exemplo clássico de algo que me deixaria, ao menos inicialmente, satisfeito com a compra. É moderno, parece uma caixa de sapato, fica no México, mas achei o interior muito bonito, confortável e sem frescuras. Menos é mesmo mais.

Mas morar no México, não dá.

GivenchyGanhei alguns presentes de nossa amiga Amber, que chegou de LA no último dia do ano passado - agora passaremos todos chamando 2010 de ano que vem por mais um ou dois meses. Um deles, é o Eau de Toilette da Givenchy, o perfume dos perfumes. É tão bom que dá vontade de comprar uns cinco litros e programar uma daquelas máquinas de banheiro na porta de casa.

Você sabe que está ficando velho quando começa a escrever posts sobre perfume, comida e móveis - praticamente minhas três últimas entradas. Mas fica a dica.

1 de janeiro de 2010

Momo



Momo é um dos melhores restaurantes de Londres, mas é também um dos únicos que faz juz ao título que tem. É sempre bom descobrir que a escolha feita, foi a escolha certa. Se depender do início do ano, 2010 será um blast.

Esta manhã tomei uma decisão muito importante. Decidi a minha resolução definitiva de ano novo. Não é ser mais calmo, nem mais tolerante, mas se deu certo ou não, eu conto dia 31 de Dezembro de 2010. Sem pressão, mas com um único objetivo em mente. Partiu!

30 de dezembro de 2009

For a decade of dance


Uma das melhores noites de minha vida, no auge do inverno de 2005, ganhou o apelido de decade of dance. As razões que levaram ao apelido são impublicáveis, mas só grandes noites são dignas de entrar com nome próprio pra história. Foi um dia de muitos amigos queridos, hoje espalhados pelo mundo, e muitas brincadeiras que ficarão marcadas, com saudades, na lembrança. O que der pra lembrar da noite. É claro.

Quando penso naquela época maravilhosa de minha vida, lembro da sorte que tive de encontrar pelo caminho os amigos que encontrei, nas situações em que estive envolvido, pelos lugares que desfrutamos juntos. Que sorte. A vida é definida tão no escuro, e em tão poucos segundos fazemos escolhas tão importantes e definitivas. Que sorte e que medo de continuar exercitando, todos os dias, nosso poder de escolha e decisão.

Esta foi a primeira década de minha vida. A primeira que conta de verdade. Em todos os registros futuros, será uma década lembrada pela ousadia, pela irresponsabilidade, e pela vontade e sede de aprender. Há quem deixe de ousar, quem deixe de sentir, e quem seja arrastado pela pressão da maturidade, que uma hora chega. Prefiro pensar que não farei parte da maioria que, como diz a Rosana, é esmagadora. Quero outras épocas intensas. Eu quero mais.

Talvez a década só comece no dia 1 de Janeiro de 2011, mas acho que faz mais sentido contar do 0 ao 9. Começar do 0 é sempre mais limpo, mais simétrico. Por isso, a você, desejo uma próxima década inspiradora, criativa, saudável, tolerante e com o dobro de amor da década passada. Tudo aquilo que desejo pra mim mesmo, hoje - já que estamos no espírito - desejo a você também.

Que seja a próxima, como foi a anterior, uma década de dança.

28 de dezembro de 2009

Sopro

O tempo passa. Rápido ele só passa porque 12 meses são 365 dias, e 365 dias é muito pouco tempo. Mas os anos, estes sim, sempre foram assim. Rápidos. Acho que a gente gosta de falar que o tempo passa rápido demais, ou mais rápido do que deveria passar, para reconhecer a rapidez desta curta jornada e relembrar, de passagem, que o fim está cada vez mais próximo para todos. Fim este que, cada vez mais perto, um dia acaba chegando.
UXUA Casa Hotel

Acabei de receber fotografias do UXUA Casa, um hotel 5 estrelas recentemente inaugurado em Trancoso. Ontem, depois de jogar duas sacolas de coisas velhas fora, guardei todas as roupas de verão bem no fundo do armário pra diminuir o contraste e acabar com o sofrimento da espera. Aflição que, com as fotos a seguir, deixou de morrer.

Brasileiro gosta de torneira dourada e tapete Persa, até na praia. Por isso o website é em Inglês. O hotel tem a simplicidade que quem vive uma vida agitada, na cidade, precisa para as férias. O hotel, desenvolvido por Wilbert Das - Diretor Criativo da Diesel - valoriza o local, o verde, a praia, a natureza. Lembra a casa do Niemeyer no Rio. A piscina é igual. Gostei. Fica a dica.






25 de dezembro de 2009

Ivan Terestchenko

24 de dezembro de 2009

Agulhas

Não consigo falar, ler, assistir ou reconhecer o recente caso das agulhas. Este caso isolado, acima de todos os outros crimes que chegaram aos meus ouvidos, é um diagnóstico de doença terminal, um atestado de falha, uma prova de que estamos no caminho errado. Nada é mais cruel do que torturar, sem motivos, um ser inocente e incapaz de se defender. É o tipo de maldade mais intenso que conhecemos. Enfiar agulhas em uma criança de 2 anos está para o crime como o Sonho de Valsa está para o chocolate. É por isso que não quero ler, assistir ou entender. O mundo precisa de um novo coração. Um coração novo para um mundo novo.

E o meio-ambiente...

Aos meus olhos, o COP15 foi uma tentativa frustrada dos Estados Unidos em sujar a imagem da China. Obama embarcou para a Dinamarca sabendo que não fecharia acordo algum, e devidamente orientado à colocar a culpa na falta de transparência da China. Neste assunto, gostei da postura de todos os outros países, respeitando o poder soberano da China nos temas ligados às questões internas de seu país, seu povo, sua economia. Trabalho mal pago é melhor do que fome, pena de morte é melhor do que altas taxas de crime, e o problema é de ninguém mais, mas da China.

E o meio-ambiente que se foda. Só vai virar acordo quando descobrirem uma forma de ganhar mais dinheiro cuidando do meio-ambiente do que ganham destruindo a natureza. Boa sorte aos que procuram a solução.

Inspiração

Ouvi coisas ruins sobre o filme de Coco Chanel, mas recomendo. Começou bem, contou a história, introduziu um novo exemplo de superação, inspirou demais e compensou cada uma das 10 libras investidas. Acho fascinante aprender sobre grandes mentes pensantes, capazes de transformar o meio e suspender a barra do limite. É sempre assim. Alguém vai lá, faz, e obriga todos os outros a mudar, acompanhar, adaptar. É por conta de grandes mentes como Coco Chanel que hoje podemos voar e desfrutar da beleza em suas mais diversas formas e contextos. Ser ousado não é suficiente. É preciso perseverar. Insistir. E superar.

Instinto

Uma das coisas mais importantes que aprendi em 2009 foi a importância de dar voz aos meus instintos. Quando parece errado, é porque algo não está certo. Se dá a impressão de que dará problema, vai dar merda. Passando a impressão de incerto, inseguro, falso, bingo, o mundo volta e prova que você estava certo em desconfiar. A explicação é complexa, mas aprendi que o instinto é o inconsciente juntando as peças, os contextos, e a experiência, e lançando uma mensagem que você ouve se quer. A partir de 2010 minha razão trabalhará em conjunto com meus instintos. E o melhor: eu já sei que dará certo.

O outro projeto

Estou desenvolvendo uma linha de Perfumes. Essa é uma das metas de 2010. Falar melhor Francês, e bem o suficiente para poder estudar fragrâncias. Não serei o melhor entendedor de fragrâncias, porque o melhor eu nunca fui, mas serei bom o suficiente para levar este projeto adiante e contratar quem há de melhor na área. Não é só você, mas quem trabalha com você. No Natal de 2011, quem sabe, você já poderá presentear sua família com as fragrâncias de nossa loja. Profissionalmente, 2010 será um ano muito bom. E se bom não fosse o suficiente, vai cheirar bem. Ótimamente bem.

...e o Natal

E o Natal vai ser em Londres pela primeira vez desde 2003, quando vim morar na Inglaterra. A vida é feita de escolhas e prioridades, e a prioridade agora é lançar o website de nossa empresa em Janeiro. Outros Natais virão e é preciso ter calma, escolher bem agora, e colher os frutos mais tarde. Se você também tem um bom projeto para 2010 e é uma das pessoas que lê este blog com frequência, deixo aqui minhas mais positivas vibrações e os meus votos de que você conquiste o suficiente para ser feliz.

Feliz Natal de 2009!

4 de dezembro de 2009

We didn't

O Greenpeace lançou recentemente uma campanha direcionada aos aeroportos e estações de metrô de Copenhague, cidade sede do COP15. Se ninguém fala nada, nada é falado.

24 de novembro de 2009

Quem muito abaixa, mostra a bunda

O ser humano é capaz de crueldades incríveis, não só por instinto, mas porque nem sempre percebemos ou paramos pra avaliar a importância que determinadas questões tem para o outro. É no outro e em tudo aquilo em que o outro acredita que mora a chave da tolerância e do respeito ao próximo. A sede de poder, que todos temos, domina a vida de alguns que, por osmose, montam em cima de qualquer pessoa que demonstre fragilidade, vulnerabilidade ou fraqueza. Não é sinal de maldade. É instinto. Mas há também o mau caráter.

Ontem li um comentarista político dizendo que a recente viagem de Obama ao Oriente foi um fracasso. Aparentemente, Obama se curvou demais na hora de cumprimentar a família real Japonesa, cuidou demais das palavras na hora de conversar com o presidente da China, e sentou na mesa com as autoridades de Burma na Asean. Em outras palavras, Obama foi educado, demonstrou respeito e provou que acredita que o diálogo pode ser também utilizado como meio de resolver conflitos globais.

Acho uma distorção de valores acreditar que, pra conseguir resultados efetivos em um mundo globalizado, precisemos todos agir como leões e tubarões. Que feio chegarmos ao ponto de confundirmos respeito com fraqueza, leveza com inferioridade. Vivemos em uma sociedade moderna que impossibilita a verdadeira boa vizinhança. Se você é flexível e releva, se você é tolerante e não expressa a sua indignação, você corre o sério risco de ser explorado em todos os sentidos da palavra. É fato. Infelizmente, quem muito abaixa, mostra a bunda.

13 de novembro de 2009

O fim dos Menudos

A lista de gente interessada nos Menudos cresceu e, por isso, fui forçado a retirar o título anterior do blog (menudo dramón). Se você se dá ao trabalho de pesquisar sobre a banda no Google, este não é um espaço para você. E a banda acabou, e a banda era uma merda. Retire-se.

Mandonna

Ela vai, atrapalha o bom funcionamento de uma cidade inteira, faz reuniões macrobióticas com milionários, arrecada dinheiro para projetos sociais no Malauí e...não dá um sorriso? Madonna, eu quero o meu dinheiro de volta.

Também não gostei desse papo de ela cantar na abertura das Olimpíadas em 2016. É melhor do que Daniela Mercury, mas não é original. Porque ela não canta na abertura das Olimpíadas de Londres? Muito suspeita essa história de amor repentina com o Brasil. Quem ama, não fica dez anos sem voltar.

E o mundo

O mundo está sem notícias há duas semanas. Tão sem notícias que se a Madonna vai ao banheiro, vira capa da Globo.com. O mundo parou, Lula sumiu, aviões pararam de cair, e bombas pararam de explodir. Atentado terrorista no Paquistão não é notícia. Obama e o sistema de saúde dos Estados Unidos não são notícia. Medvedev falando o que todo mundo já sabe, não é notícia. Clinton na merda, não. E Madonna no banco de trás de um carro escuro, outra vez, definitivamente também não.

Alguém poderia fazer alguma coisa.

28 de outubro de 2009

Sold!

@menezesmarcos

20 de outubro de 2009

Maps.police.uk

Há coisas que só são possíveis em sociedades organizadas como as do Reino Unido. Geralmente, ações e medidas desenvolvidas com o objetivo de melhorar a qualidade de vida de uma população são apenas verdadeiramente efetivas quando o trabalho conjunto de autoridades locais, órgãos públicos e moradores é corretamente coordenado e integrado.

Hoje tive acesso à página recentemente lançada pela polícia da Inglaterra e do País de Gales. A página funciona como um portal com todas as informações sobre os crimes registrados pela polícia em literalmente todas as regiões do país, provando que transparência é a melhor forma de combate ao crime em um mundo globalizado. A página é tão sensacional que além de passar as informações dos últimos 24 meses, comparando índices de 2009 com 2008, faz um levantamento por tipo de crime em cada região.

Minha área, por exemplo, registrou um total de 66 crimes em Agosto deste ano, contra 68 crimes em Agosto de 2008. Desde Maio de 2009, a polícia registra uma queda considerável e sólida nos índices locais. De forma geral, o número de crimes na região N2 de Londres caiu de 83.3% em 2008 para 78.3% este ano (6%). Mas as maravilhas do sistema integrado de informação pública não param por aí.

Em qualquer região dos dois países, pode-se visualizar os índices e os números de arrombamentos, roubos, crimes envolvendo veículos, violência e comportamento anti-social. A região N2 é classificada como na média de Londres em todas as categorias - o que, aqui, é um ótimo sinal - com exceção de violência, abaixo da média. Cada possibilidade de crime aparece no sistema com números precisos, e estatísticas que deixam claros medidas e resultados de campanhas feitas pela polícia. Fiquei satisfeito e feliz com os meus officers locais, pois os números de minha região despecaram do ano passado pra cá.

Informação nunca é demais.

18 de outubro de 2009

E agora, José


Muita gente argumenta que o normal e o anormal, o certo e o errado, e todas as outras possibilidades antagônicas são sempre relativas. Sim, relativas, mas infelizmente ditadas pelo costume da maioria. A voz do povo é a voz de Deus. As outras possibilidades, caem na classificação - talvez injusta, mas nunca incorreta - do errado e anormal. A denominação daquilo que é errado e anormal, é errada por si só, mas depende - como tudo - do grau de complexidade do objeto analisado. Derrubar um helicóptero, no interior do Congo ou no centro do Rio de Janeiro, é errado, por exemplo.

A comunidade internacional recebe com medo as notícias dos últimos dias. Se arrependimento matasse, acho que o COI estaria enterrado. O Rio de Janeiro não tem condições de sediar as Olimpíadas. Todos sabemos, o COB sabia, mas o mundo acreditou na nova ordem mundial. O raciocínio era simples. Se a China conseguiu, o Brasil - país do futebol - também pode. O que o COI esqueceu de analisar, no entanto, é que a pobreza de Beijing, e a organização política e social dos Chineses, passa longe do grau de complexidade das favelas cariocas. Pobreza no Brasil, vem com violência. E o governo, submisso ao tráfico, assiste calado a seus helicópteros despecando dos céus do Rio de Janeiro.

A festa acabou, o povo sumiu e a luz apagou.

13 de outubro de 2009

É pegar e matar

Ok. O balão de São João não é um objeto que nasce do nada. Nem o nada nasce do nada. Construir um bom balão, por tanto, requer dinheiro, tempo, e um grupo de imbecis. Todos os hábitos do mundo tem um público alvo e o do balão de São João são os imbecis. O burro gosta muito de tudo o que voa, pega fogo e chama a atenção dos outros. Vive em um estado constante de orgulho da própria ignorância. Para este fim, nada mais expressivo do que o balão de São João.

Partindo do princípio de que nenhum bom balão de São João é construído em 20 minutos de conversa, podemos concluir que todo balão é fruto de um planejamento. O imbecil aprendeu a construir, comprou o material, e colocou o plano em prática. Foram um ou vários dias de reflexão sobre o balão, as consequências de brincar com a ilegalidade, e os perigos envolvidos no ato. O imbecil dormiu, acordou, almoçou, e encaixou a construção do balão entre um compromisso e outro - se é que tinha algum.

Aí o mundo é uma bola. Na bola, hoje em dia, todo mundo já sabe que balão é sinônimo de perigo. Nada é ilegal por acaso. Nada. Então estes dois animais, estes seres completamente sem alma, decidem lançar um balão de São João do tamanho de suas respectivas ignorâncias ao lado do aeroporto mais movimentado do Rio de Janeiro. Não só ao lado, mas com vista para a pista. Só vendo mesmo pra entender que os imbecis são capazes de absolutamente tudo. Este tipo de pessoa, tem que pegar, e tem que matar.

A Infraero avisa que no último ano aproximadamente 150 balões foram detectados nas áreas próximas de aeroportos do Brasil. Lembrar de pegar ônibus em minha próxima visita. Na estrada também se morre, mas prefiro ser triturado a virar churrasco de balão de São João.

10 de outubro de 2009

Bio Packaging



Nos últimos meses, todos os dias tem sido dias de muito trabalho. Entre um trabalho e outro, no entanto, sobra tempo pra pensar merda. E merda, aduba. Estava pensando em como as embalagens de produtos evoluíram pra pior. Enquanto o mundo procura soluções mais ecológicas para a sociedade moderna, as empresas de branding responsáveis pelo desenvolvimento de embalagens insistem em sistemas inteligentes horrorosos cheios de tampinhas de plástico, canudinhos embrulhados, caixas pra caixas, sacolas pra caixas, e um número interminável de novas soluções geniais que não servem pra absolutamente nada verdadeiramente coerente.

Fiquei pensando que deveriam voltar com os saquinhos de leite antigos. O saco é simples, econômico, e permite que cada um encontre a melhor solução para o armazenamento de seu próprio leite dentro da geladeira. Deve haver muitos outros pontos negativos para o saquinho do leite, como falta de higiene (?), mas se é pra mudar, que a mudança seja real, e venha de cima. O pacote jamais será efetivamente alterado sem a imposição de uma forte legislação ambiental, porque quando o assunto é marketing - e dinheiro - ninguém quer experimentar ou ceder primeiro. Estão certos. No mundo corporativo, quem muito abaixa, mostra a bunda.

London Bio Packaging.

9 de outubro de 2009

A vazante da informaré

Eu tenho uma conta no Twitter. Não uso pra nada, mas tenho. Além do Twitter, tenho um blog, uma conta no Facebook, um email pessoal e um outro para a empresa, ambos registrados no meu celular, um Blackberry Storm. Este ano foi meu ano da inserção digital. O Google é, infelizmente, a minha vida. Uso o Picasa, dependo do Calendário, registro todas as mensagens no Gmail, trabalho com Analytics, tenho acesso ao Feedburner, e só não tenho um Google Reader porque não tenho tempo para ler blogs com a pilha de livros e revistas que vivem acumuladas em minha mesa.

Do meu celular, envio fotos para o Flickr, que tem um link no blog, que é conectado a todo o resto. Do meu Facebook, faço o upload de álbuns fotográficos de minhas viagens, devidamente organizados no lado direito do meu blog, embaixo da coluna de fotos do Flickr. Embora eu tenha um blog, e um Twitter, não gosto de expor fotos minhas ou dos meus amigos em nem um, nem outro. Raramente o faço. Acho errado. Tenho pânico de pensar em fotos minhas armazenadas no computador de terceiros, como já aconteceu antes. Não sei porque tenho um blog. Não sei porque sempre tive, algumas vezes com longos intervalos, a necessidade de escrever. Acho que é algo que levarei, bem como já levo, para a vida.

Com a abertura da minha empresa, temos agora duas contas muito ativas no Skype, que uso feito doido. Pagamos mensalmente duas subscriptions que permitem ligações internacionais sem custos adicionais. Estamos desenvolvendo um website que será lançado em Janeiro, e todas as reuniões com a agência de branding de New York e Buenos Aires são feitas online. Está sendo uma boa experiência. Hoje, aqui no escritório, instalamos uma rede que conecta todos os computadores, e faz de todo o espaço disponível, um só. Sem falar no Viigo, meu novo jornal. Espero que tantos atalhos juntos não terminem maiores que o caminho original.

4 de outubro de 2009

Quem sabe

Propaganda é a alma de todos os negócios, mas propaganda sem mídia, não é propaganda. Além de uma clara estratégia publicitária, qualquer causa precisa de divulgação em massa porque o mundo só acredita quando houve a mesma coisa repetidas vezes. Dessa maneira, Collor foi eleito Senador no Nordeste após ser vomitado do Planalto na década de 90, Ronaldo abafou o fato de curtir um travesti ou outro (ou três) de vez em quando, e um presidente preto ganhou as eleições em uma nação majoritariamente caipira e ignorante como a América. É preciso ver e ouvir muitas vezes para passar a verdadeiramente crer. Esta é uma das grandes regras da vida.

Há muito tempo comento a falta de expressão do Brasil no grupo dos BRIC. O Brasil é grande, mas não tão grande quanto os outros; poderoso, mas meia-boca; e rico, mas não muito bem aproveitado. Sim, o Brasil atravessa um bom momento aos olhos dos investidores internacionais e a crise poderia ter sido muito maior no mercado interno, mas o entusiasmo e o respeito da comunidade internacional não passam do reconhecimento obrigatório das dimensões geográficas que gritam aos olhos de qualquer analista capaz de buscar a resposta em novas direções. Certas coisas, ninguém pode negar.

Fiquei feliz com o resultado da escolha do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016. Torci muito, fiquei nervoso, quase morri com o papel preso no envelope. Receber o reconhecimento de uma aposta séria no Brasil foi importante porque validou os desejos de milhares, e depositou confiança em um grupo de pessoas antes incapaz de priorizar as necessidades de seu próprio país. Somos uma gente matuta nascida das sobras dos outros, que aprendeu errando, errou muito, e demorou tanto para aprender. Quem sabe assim, cantando vitória na beira da praia, o Brasil de amanhã não é um país que trabalha mais e anda de trem – este sim, fundamental para um aumento sustentável de desempenho e produtividade.

Fato é que quando o assunto é desenvolvimento, uma coisa leva à outra. E quando uma coisa leva à outra, as chances são grandes de um processo contínuo de avanço ser desencadeado. Se a cadeia anda pra valer, não há barreiras capazes de conter um consistente processo de desenvolvimento. E com o anúncio de altos investimentos no Brasil, publicações do mundo inteiro passaram a divulgar com mais entusiasmo os avanços econômicos do país, a exemplo do que aconteceu com a China há anos atrás. São matérias de destaque, capas, artigos de verdade, e propaganda pura sendo gerada a respeito de um país antes abordado por uma questão puramente geográfica. A emoção gerada pela repetição é tão grande, que hoje li pela primeira vez que o Brasil é o país mais importante do encontro mundial para a preservação do meio-ambiente, a ser realizado no fim do ano na Dinamarca. Quando todo mundo fala a mesma coisa, todo mundo procura falar algo novo e maior.

Da mesma forma que jornalistas aproveitam a trágica visita de Obama à Dinamarca para debater a reforma da saúde nos Estados Unidos, a vitória de Lula é usada para debater os avanços do Brasil na indústria petrolífera, o crescimento da importância do país no E7 e a entrada oficial do Brasil na nova ordem mundial. Parabéns ao Brasil, ao COB, ao Rio de Janeiro e ao povo Brasileiro. Parece que o samba, a bunda e o futebol deram resultado. Agora é trabalhar para conseguir provar que somos capazes de entregar a encomenda. Pela primeira vez, verdadeiramente capazes. Boa sorte a todos.

29 de setembro de 2009

Analytics e a Putinha do Tocantins

Em Junho instalei o Google Analytics no blog pra descobrir quem são as pessoas que entram aqui diariamente. Como estamos lançando o website da empresa em Janeiro, preciso começar a entender bem mais profundamente a ferramenta, e estou usando a conta do blog como cobaia para o experimento. Estatística é uma merda, mas o mundo moderno é uma tabela de Excel. O cobaia virou cobaia. Ou algo desse gênero.

Fato é que nem Orwell seria tão genial quanto o Google foi. São milhões de possibilidades. Frequência de visita, lealdade de usuários, tempo de leitura, quantidade de acessos por usuário, forma de acesso, lista de pessoas que te mencionam em outros endereços, lugar de origem, dia, hora, segundo, provedor, nevegador, língua, datas sozinhas e comparadas, e todas as informações misturadas, sobrepostas, e de todas as formas enfim. Uma suruba de informações relevantes.

Tudo muito dinâmico, mas o que interessa é sempre o mais interessante. Nada melhor do que uma boa merda, afinal. Após um longo dia de dura labuta na Decorex falando pencas de palavras difíceis, utilizarei este espaço para dividir com você algumas das procuras feitas no Google que geraram este blog como resultado. São centenas de pessoas desesperadas que não fazem a mínima idéia de como fazer uma pesquisa descente no Google. A lista será feita por ordem de relevância intelectual, dedicando os primeiros lugares aos campeões de buscas: os Menudos.

- Lançamento do sedê dos Menudos (sedê = CD)
- Menudo comiendo por tras
- Menudo que passa fome no Brasil
- Menudos usavam brincos? (usando ponto de interrogação, afinal é uma pergunta)
- Puta Tocantins (3 pesquisas)
- Puta Gurupi (deve ser linda como o nome da cidade)
- Televisão no meio da sala (um grande tópico)
- Algum menor de idade já foi enforcado na Inglaterra? (sim, diariamente)
- Como escrever espassado?
- Dramon para cabelo
- Estupro 2009 drink massacre
- filhaaprendeachuparpau (um pai preocupado, falando em códigos)
- Freiras vagabundas
- Putinha de Tocatins (2 buscas, quanta puta em Tocantins)
- qantas estão divvididas as partes da biblia?cantos livros (usando Google como ninguém)
- ql spa os gemeos da pesada da record estao internados
- você só pode ser feliz, pondo jesus no coração (crente é foda)
Santiago, Chile


MONO!

27 de setembro de 2009

Dinheiro móvel

O mundo possui 4 bilhões de telefones celulares ativos. Pra quem pensa que celular continua sendo um bem exclusivo da elite, três quartos de todos eles encontram-se em países em desenvolvimento. Só na África, 4 em 10 tem um. Muito lógica, por tanto, é a idéia de utilizar este meio para alcançar o desenvolvimento em áreas remotas ou pobres do mundo. É justamente isto que a M-PESA está fazendo no Kênia através da implantação de um sistema de dinheiro móvel em conexão com as empresas de telefonia celular.

O experimento, na verdade, deu tão certo, que metade dos 14 milhões de usuários no Kênia recorrem a estes serviços para pagar contas de luz, água, escola, moradia, bens comuns e até táxis. Segundo um estudo do World Bank, em países como o Zimbábue, o sistema de pagamento por SMS ajuda a combater a violência, diminui a corrupção, aumenta a renda dos usuários de uma forma geral, e apresenta uma solução aos que precisam fechar um envelope de dinheiro para pagar o bilhete do ônibus devido à exorbitante inflação dos últimos vários anos.

Genial. Ao invés de perder tempo e dinheiro viajando até uma agência bancária nos grandes centros do país, trabalhadores rurais podem fazer tudo através do celular, economizando dinheiro e gastando tempo em atividades mais produtivas financeiramente. O resultado é o aumento de 5-30% na renda de quem utiliza este mecanismo. Na África, como diz o Tesco, every little helps. Embora taxas de juro não sejam pagas em contas como estas, o banco móvel apresenta uma solução mais seguro que um colchão para o armazenamento de dinheiro - nas Maldivas, em 2004, muitos perderam as economias de uma vida inteira no tsunami que destruiu parte do país.

Achei interessantíssimo porque não sabia que este serviço existia na África. Embora a globalização esteja aí para a maioria, uma minoria sofrida continua sem poder ter acesso a simples e efetivas soluções como esta que mencionamos. É claro que os bancos já estão nervosos tentando encontrar uma maneira de acabar com a alegria das telefônicas, mas eu pessoalmente acredito que idéias como estas vieram para ficar. Se eles não podem contra eles, que juntem-se a eles.

26 de setembro de 2009

A Indonésia...

Depois da China, a nova moda é fazer da Indonésia o segundo I do grupo dos principais países em desenvolvimento do mundo (BRIC). Há duas semanas atrás a Economist dedicou à Indonésia um relatório de 15 páginas descrevendo seus principais selling points, história, e passando informações demográficas que pra mim foram grandes novidades. A Indonésia é, hoje, a terceira maior democracia do mundo depois da Índia e dos Estados Unidos, e apresenta excelente números desde o fim do regime repressor do presidente Suharto em 1998 - foram mais de 30 anos no poder.

Essa semana a National Geographic publicou um outro relatório, mais voltado para a questão do Islã no país - a Indonésia é a maior nação muçulmana do mundo com 207 milhões de fiéis espalhados por 17.508 ilhas. Quase morro só de pensar em tanta praia junta. O grande diferencial da Indonésia é que eles parecem ser os mestres mundiais da transição pacífica. Tanto a propagação do Islã quanto a adesão à Democracia foram obtidos de forma controlada e devidamente respeitadas por aqueles pertencentes à outras crenças ou ideologias políticas. É claro que um ou outro acabam explodindo de vez em quando, mas nada tão grave devido à distância geográfica às zonas de conflito.

Foram mais ou menos 500 anos para que o Islã atingisse a maior parte da população. O solo das ilhas da Indonésia é perfeito para o cultivo de especiarias que passaram a ser comercializadas por navegadores Árabes já no século 12. Fruto de uma estratégia de marketing dos nativos na época, a conversão ao Islã se disseminou até que um dia tudo virou a tal história do ovo ou a galinha. O proceso de expansão foi apoiado por grandes líderes porque incorporava credos dos nativos e respeitava as diferenças alheias. Hoje, embora com algumas regiões adeptas da Sharia, a Indonésia é amplamente secularista, democrática e livre.

...e Dorce Bunda Gamalama.

Por isso, muito do que seria impensável em sociedades do Oriente Médio, é visto como aceitável na Indonésia. Rituais de magia, culto à imagens, liberdade de design em mesquitas (adaptando o estilo Árabe às raízes da Indonésia) tem todos carta branca em muitas das ilhas do país. Destaque para a maior celebridade da Indonésia, Dorce Gamalama. Chamada carinhosamente de Bunda e conhecida como a Oprah da Indonésia, Dorce lidera um programa diário para mulheres da meia-idade. São 300 pares de sapato, milhares de perucas e uma mesquita personalizada ao lado de sua casa em Jakarta - Bunda é também uma muçulmana fiél, a exemplo de seu público.

Com um detalhe: Bunda nasceu um homem e trocou de sexo aos 20 anos. Bunda é um transsexual. Já casou duas vezes, e costumava trabalhar como palhaça em um vôo fretado que leva peregrinos de Jakarta para Mecca. Quando perguntada se a fé dela vem antes da carreira de apresentadora, Bunda olha para o jornalista com ar de ofendida e responde: "Minha vida é para Allah". Acho que estes cinco parágrafos são uma boa introdução da Indonésia para quem, como eu, sabia nada ou muito pouco sobre o país. Bom fim de semana para você também.

19 de setembro de 2009

Vivos e saudáveis

Reflexão

Será que a intolerância e o desrespeito caminham necessariamente juntos? Acho que não. O desrespeito, penso aqui com os meus botões, só passa a existir quando a intolerância vem acompanhada. Não tolerar algo ou alguém, afinal, é um direito de todos e deve ser, por isso, respeitado. Somos todos, e ainda bem, livres para gostar, não gostar, e formar opinião a respeito daquilo que vemos e vivemos. A intolerância, por tanto, só passa a ser efetivamente um problema quando manifestada abertamente com a intenção de exercer a influência de seus próprios valores sob os valores de terceiros, quartos e quintos.

Logicamente, uma sociedade mais tolerante é o ideal para o bem estar geral da humanidade. No entanto, não é de bem estar que vivemos. O conflito alimenta o homem. É querendo que os outros pensem como nós pensamos que o desrespeito nasce da intolerância. Ninguém é obrigado a tolerar aquilo que desconhece, mas respeitar é preciso. Paz de espírito é a fonte principal de energia do ser humano. E o conforto, nesse caso, é desconhecer a intolerância alheia em questões que tocam tudo aquilo que você é sem prejudicar outras pessoas. Não tolerar sim, mas sem machucar pessoas que não fazem mal a você.

15 de setembro de 2009

ME IRRITA

Ser uma pessoa naturalmente irritada que faz bom uso de um olhar crítico refinado é para poucos e bons. Há quem goste de associar irritação com rebeldia, mas esse conceito é reservado para o discurso da classe dos ruins que, juntos, constituem a esmagadora maioria. Não há mais espaço no mundo para bobos médios. Vivemos um período de infestação da classe dos mais ou menos, uma gente que contamina o ar que respiro reproduzindo pensamentos padrões de gente burra e tecnicamente incapaz de ser autêntica. Penso, logo, sinto vontade de melhorar o meio ao meu redor. A irritação é apenas o meio da transformação.

O estado constante de irritação é, mais do que qualquer outra coisa, um exercício de ser e ter um ponto de vista a respeito de elementos que interagem com tudo e todos o tempo inteiro. Irritação é apenas a forma de expressar uma reação à ação que independe de você, embora ainda assim esteja a seu alcance. Quem não lê, não conversa e não vê com um olhar analítico as ações alheias, está morno, embejou e, por tanto, não está vivo. Não há crítica sem irritação, e não há pensamento sem crítica. Criticar e se irritar faz parte do processo evolutivo, seleciona o joio do trigo, e é combustível essencial para o progresso de homens e nações.

Consequentemente e por fim, tudo o que chega aos meus ouvidos está sujeito a ser devidamente analisado e criticado. Se não fosse meu business, não teria chego até a mim. E eu, como ser pensante que sou, me presenteio com o privilégio e o direito de continuar opinioso, autêntico e altamente irritado sempre que necessário julgue. Um brinde, então, à seleção natural.
Compulsão

Não sei o que acontece comigo quando entro na Amazon ou no Ebay. Tenho vontade de comprar tudo e em um processo minucioso de auto-enganação passo um número impressionante de horas em frente a tela selecionado tudo aquilo que eu considero uma bargain para depois comprar, comprar, até morrer comprar. Uma bargain vira um milhão. Deve ser a substituição de vícios. Fato é que ontem resolvi comprar uma luminária linda da Tiffany depois de uma sequência de luminárias problemáticas produzidas na China. Já me sinto muito melhor.

E o Patrick Swayze morreu. Que triste. Vou cantar The Time Of My Life hoje o dia inteiro. Be afraid. Vai ser um horror.

12 de setembro de 2009

As tribos perdidas


Das pouco mais de 100 tribos perdidas do mundo, 50 estão localizadas entre o Brasil e o Peru. Que deve ser uma pira (o Peru). Quando estive no Brasil pela última vez, percebi que virou moda turistar de ônibus até Lima - ao menos em Barbacena. Fico agoniado só de pensar que tem gente visitando o Peru antes de mim. A BBC publicou hoje uma reportagem sobre uma vila abandonada aonde antes viviam aproximadamente 150 pessoas sem contato com o desenvolvimento (se é que podemos chama-lo assim). Vindo do Peru, honestamente, acho meio difícil. Não consigo visualizar um grupo de latinos preservando vilas remotas e controlando a curiosidade sobre o desconhecido. As fotos são um choque na idéia.


Semana passada sentamos pra beber uma garrafa de vinho e assistir a um documentário da National Geographic sobre elefantes assassinos na Índia. Vinho é imaginação. Todos os anos, 500 pessoas são assassinadas por elefantes ao redor do mundo. Na Índia preservar as espécies não é uma questão, porque não existe. É a luta do rochedo contra o mar. Talvez na América do Sul, com as populações indígenas escondidas em seus respectivos quadrados, o combate seja mais evitável. Mas, de qualquer forma, tanto os elefantes assassinos quanto as tribos perdidas, são uma pira. Imagine você viver isolado e pintado de vermelho na época do iPhone. Que agonia.

8 de setembro de 2009

A love story

Eu gosto dos filmes do Moore. Acho mainstream e de fácil acesso, e a edição é sempre impecável com dados apurados que dão voz ao que todo mundo já sabe faz tempo. É tudo muito básico, mas até o básico pode ficar rico e forte se colocado de forma inteligente. Considerando a situação atual de retardo global, qualquer protesto feito de forma artística e civilizada acrescenta ao processo evolutivo e não deixa de ser um statement importante, principalmente porque atinge a fundo as classes mais desinformadas. Tem gente que só assiste telejornal pra ver jogador de futebol dizer graças a Deus. Graças a Deus isso, graças a Deus aquilo. E o Kaká rezando pra nova igreja da Renascer e, enfim, abafa essa merda.

Li hoje que um novo filme do Moore está sendo lançado no festival de cinema de Veneza. Capitalism: a love story. E que história de amor. Acabo de receber uma caixa com dois iPhones e uma capinha da Baker - para a familiagem no Brasil. De qualquer maneira, estou louco pra poder assistir ao novo filme do Moore. Quero ver a minha paixão pelo capitalismo detonada em boas edições, cheia de perguntas bem colocadas mostrando bem mostrada a contradição de sermos quem somos, fazermos o que fazemos e, eventualmente, acabarmos na merda como acabamos em 2009. Muito ouro, muito luxo, muito dinheiro e muita sacola plástica. Rita Lee nunca esteve tão certa. No fim, tudo vira bosta.

Matéria da BBC sobre Capitalism: a love story.

5 de setembro de 2009

Under control

Sou controlador. Quando não tenho controle, imaginar a possibilidade de dominar a situação já ajuda a acalmar os ânimos e coloca tudo no seu devido lugar. Muito logicamente, junto à essa característica enlouquecedora, existe a necessidade de curar as chagas do mundo pessoalmente. Controlar o simples, o banal, e o incontrolável. Por isso, naturalmente, o inconquistável vai sendo conquistado. Lendo assim parece caso de internação, mas são anos de lida e também de história. Quase sempre dá certo.

A principal complicação do controlador aparece quando o mundo passa a depender de suas decisões. Realidade ou percepção, nada melhor do que ligar a televisão pra ver quanta gente se fode bem mais do que você. Afinal, nada mais consolador do que acesso televisivo à problemas de verdade, vistos do aconchego do seu lar. Infelizmente esta é uma das maiores satisfações do controlador, depois de sonhar com a possibilidade de, um dia, poder pilotar seu próprio avião.
Gaguei



18 de agosto de 2009

Bath Spa


Fomos passar o domingo em Bath, na província de Wessex. Fiquei com vontade de rasgar o bilhete de volta, comprar uma casa, lacar a porta de preto e chamar meu cachorro de George.
Era digital

Tenho um Blackberry. Esse poderia ser o fim do post, mas meu Blackberry tem um calendário, meu calendário é ligado ao Google Calendar, e meu Google Calendar é integrado com todos os outros calendários existentes, incluindo o do Facebook com datas de aniversário e compromissos em geral. O auge do novo milênio é justamente saber que meu telefone celular conversa com a minha Google account de cinco em cinco minutos para saber se existe algo que eu ainda não sei, embora precise saber. Dá vontade de sair marcando tudo só para ver se o Blackberry se acerta de organizar a minha vida ao quadrado.

7 de agosto de 2009

Tudo vira bosta

No Egito costuma-se dizer que o caminho simples é o melhor caminho. Muito natural, por tanto, que a gripe suína tenha sido resolvida de forma imediata e simples. Por lá, ao ouvir a respeito da epidemia, foi decidido que se o problema era porco, que porcos deixassem de existir. Assim sendo, como já é de praxe no Oriente Médio, o governo optou por abrir mão de maiores análises e partir direto para o extermínio total da espécie, cortando de uma vez o mal pela raíz. No Islã, o porco é considerado um animal sujo e sua carne proibida no livro sagrado. Matar os porcos no Egito foi, por tanto, uma união do útil com o agradável.

O que as autoridades Egípcias parecem não perceber - ou não aprender - é que o caminho mais simples é também um caminho frequentemente burro e tortuoso. Porcos, principalmente na cidade do Cairo, desempenham um papel importante no extermínio de ratos e, principalmente, no gerenciamento de lixo orgânico. Todos os meses estes mesmos 350.000 porcos agora exterminados desempenhavam a importante tarefa de comer 6.000 toneladas de lixo orgânico, melhorando as condições de trabalho dos catadores de lixo da capital. Pra terminar, o Egito esqueceu de analisar que a carne destes mesmos porcos servia como renda adicional para a família de muitos. Sem carne, sem dinheiro, sem educação.

Outras consequências negativas da medida foram o aumento de quadros de hepatite entre os catadores de lixo que agora precisam colocar - literalmente - a mão na massa, a diminuição em produtividade da já escassa reciclagem de lixo, o aumento da quantidade de ratos e casos de pessoas com mordidas de ratos e, como não poderia faltar, as revoltas organizadas por catadores de lixo cristãos. Como tudo no Oriente Médio tem que acabar em guerra religiosa, os catadores - de maioria Copta - acreditam que o extermínio foi uma afronta direta do governo muçulmano com a intenção de exterminar porcos e cristãos. Tudo vira bosta.
Seleção natural

Não é novidade pra ninguém que duas mãos cheias de países Asiáticos punem tráfico de drogas com pena de morte. Aqui na Inglaterra essa estória já virou lenda urbana. No começo do ano li que uma Britânica chamada Samantha Orobator (Britânica-meia-boca, por assim dizer), foi condenada à sentença de morte por tentar levar heroína à Austrália através do Laos. Parece que não deu certo.

Hoje abro a página da BBC e dou de cara com uma notícia alarmante. Orobator voltou ao Reino Unido depois de fazer uma inseminação artificial - na cadeia - utilizando o sêmen de outro detento Britânico, também preso pelo mesmo crime. Laos deveria ter matado de vez esta desgraça. Além de fazer uma inseminação artifical por motivos duvidosos, Orobator fez uma escala em Laos para levar heroína até a Austrália. Sua morte na cadeia seria, no mínimo, seleção natural.

12 de julho de 2009

Boa vontade

Domingo de música e muito trabalho. Ontem fomos ao Barbican assitir Bruno. O filme é relativamente ruim, mas uma das cenas salvou meu dia. Fiquei parecendo aquelas velhas gordas que não conseguem parar de rir alto no meio do cinema. Como é bom chorar de rir. Na volta, adicionei três ítens à minha wish list mental. O sapato e a calça de um jovem no metrô, e um apartamento no Barbican, no alto e com sacada. Logo eles se acostumam à posição de desvantagem em minha lista de prioridades atual.

Voltando ao domingo, temos ingressos para o show da Orquestra Imperial no Koko. Até lá, trabalharemos em cima de nosso último pedido, acertando os últimos preparativos para a viagem de terça-feira. Voltamos ao Reino Unido no dia 27. No meio das tarefas e compromissos, uma parada estratégica no Algarve com os sogros, pra descansar. Agora tenho que descobrir se a internet do Blackberry funciona fora de Londres. Acho que não vou conseguir fazer tudo antes do voo.

E essa é justamente a fase que eu mais gosto. Quando você avalia a lista de afazeres, compara um compromisso com o outro, e suspende a metade do que você tinha em mente, acreditando na coerência da eliminação das tarefas. Isso tem nome. Chama-se economia de escala. Geralmente eu consigo fazer uma média de 80% do planejado. No fundo, quando escrevo a lista já sei quais são os pontos que serão ignorados. A boa vontade é o fenômeno do começo de tudo. Depois passa.
Dueto

Tem uma música do Kid Abelha que pergunta qual o segredo da felicidade. Hoje ouvi a Paula Toller respondendo. Disse que o segredo da felicidade é não se preocupar muito em saber se você está feliz ou não. Achei a resposta simples e completa. Eu não tinha uma opinião formada a respeito dela, mas saí gostando. Dá pra ver que ali são anos de terapia. Abaixo, dueto de Toller com Chico Buarque. Tudo de ótimo.

10 de julho de 2009

Queima até o fim

Ronaldo foi pego em um motel com dois travestis e cocaína, mas deu na tevê que a culpa não era dele. Como no Brasil homem que se veste de mulher sempre se fode, Ronaldo voltou ao Brasil, fez vários gols e não se fala mais nisso. Pra ajudar, é claro, nada melhor do que uma campanha lançada pela Globo com a intenção de reparar a imagem do craque. Ninguém entende mais de manipulação da opinião pública do que a emissora carioca que baniu o assunto em seus veículos de comunicação. Viva a liberdade de imprensa. Ronaldo estava comendo travestis, mas achava que eram putas. Aí tudo bem. Uma madrugada é muito pouco para perceber a diferença.

Ontem o travesti principal do caso, a Andréia Albertini, morreu de pneumonia e miningite aos 22 anos. A matéria da Globo.com abafa o óbvio e muda de gênero gramatical como quem troca de calcinha. Se o Português tivesse 20 gêneros, como o Bantu, eles esgotariam todas as possibilidades em 30 linhas. Do outro travesti ninguém fala. Fechou a boca e, com ela, as portas da miséria. Já dizia aquela sábia música de missa de domingo: dá-me a palavra certa, na hora certa, do jeito certo, e pra pessoa certa - palavra é como pedra preciosa, quem sabe o valor cuida bem do que diz. Como brasa, queima até o fim.

8 de julho de 2009

Quanta bobagem


A gente sabe que o mundo está acabando quando o velório de um pedófilo termina com crianças cantando e o todos chorando de emoção. Espero que essa competição enlouquecida pra ver quem sofre mais pela morte de Michael Jackson termine logo. Ontem até a integração da comunidade latina à sociedade dos Estados Unidos foi atribuída ao cantor. Põe inconsciente coletivo nisso. Prova concreta de que a memória das pessoas é mesmo curta.

4 de julho de 2009

Louco pra tudo



Ganguro é um horror e vem do Japão, é claro. Japonês tem talento para o bizarro. Não basta falar como criança e se comportar feito um roedor, tem que pintar a pele e tingir o cabelo de verde limão.

3 de julho de 2009

Ianômamis


Se as pessoas do mundo topassem reconhecer a importância de respeitar o quadrado dos outros, nosso planeta seria um lugar definitivamente mais habitável. Há tempos que venho reclamando dessa coisa insuportável de ler o tempo todo a respeito de intervenções governamentais em assuntos que não dizem respeito às instituições governamentais em questão. Dessa vez, o governo brasileiro, que já fez tanta merda com a comunidade indígena do país, resolveu pagar de defensor dos direitos humanos ao ouvir sobre o nascimento de trigêmeos em uma tribo ianômami no Amazonas.

Os índios da tribo ianômami consideram o nascimento de gêmeos um mal sinal. Segundo a tradição, uma das crianças é considerada portadora de uma alma ruim capaz de trazer sérias consequências negativas para a tribo. Incapazes de identificar o bebê problemático, a única solução é o sacrifício por sufocamento ou abandono. O mesmo se aplica para crianças com defeitos, uma vez que as índias são encarregadas de todo o trabalho pesado da tribo. Embora a prática seja impensável no restante do Brasil, faz parte das raízes do povo nativo da terra. É indiscutível que o direito dos índios de preservarem a sua cultura seja respeitado e mantido.

O governo brasileiro quer acabar com a propagação do ritual, da mesma maneira que acabou com a quantidade de tribos espalhadas pela Amazônia. A matéria do Globo diz que a Funai está tentando defender os índios, mas o governo do Brasil insiste no fim da prática alegando a defesa do direito à vida - o mesmo direito que vem sendo negado aos índios por seus colonizadores desde 1500. Seria mais efetivo começar a defender o direito à vida nos morros do Rio de Janeiro, aquela terra de ninguém. O assunto é polêmico, as opiniões são várias, mas eu continuo não gostando da idéia de interferir na cultura alheia. Cada um no seu quadrado.

2 de julho de 2009

Dica

Falar de acidentes aéreos não é falta de assunto, é medo. Uma amiga que reconhece a beleza de uma obcessão e entende o prazer secreto de alimentar uma loucura enviou um link da Veja com uma página especializada em grandes desastres. Várias dicas irrelevantes foram passadas, mas duas valiam a leitura: voe uma empresa Européia (Air France, ok) e evite vôos (voos) com muitas escalas já que 80% (chute) dos acidentes aéreos acontecem durante decolagem e pouso. Assim sendo, voar Yemenia Airlines com paradas em Paris, Marselha, Yemen e Djibouti antes de chegar em Moroni não pode ser uma opção. Uma outra dica é verificar a página da empresa no Wikipedia, já que há uma sessão especial com acidentes e incidentes para cada uma das empresas com página no site. No mais, dê preferência para British Airways e Finnair, que não caem jamais.

28 de junho de 2009

O S e o Z

Preciso descobrir se a minha dificuldade de escrever em português está mesmo aumentando proporcionalmente ao tempo que vivo fora do Brasil. Pode ser que todo mundo perceba uma piora depois dos 20 e poucos anos, como eu. Fato é que todas as semanas recebo emails desesperados de minha mãe, chocada com os erros que cometo no blog. Esta semana escrevi reinforçou e outras palavras que sequer existem. Outra barbaridade que venho cometendo, é escrever tudo o que leva z com s, como no inglês da Inglaterra - tão mais prático que línguas latinas em geral. Parece máquina de lavar louça. Encomodação zero (com i?).

Apesar de ler muita notícia em português, não tenho mais livros comprados no Brasil. Sempre que viajo, dou uma olhada rápida nas livrarias dos aeroportos, mas acabo optando pela pilha que levo na mala, muito mais interessantes e baratos. No mais, raramente pago mais do que 5 libras em um livro. Logo, não faz sentido algum pagar 50 reais em um livro que eu posso comprar por 3 libras na língua original. Os problemas de comprar livros no Brasil também passam pela necessidade do brasileiro em promover títulos relacionados ao tema da novela das oito, ou algo que todos julgam ser um tema inteligente no momento. Em 2008, em Guarulhos, era China do começo ao fim. Agora deve ser a Índia da Glória Perez. Ou, o livro do Jô Soares.

Eu poderia falar das novas regras gramaticais, criadas para dividir uma geração e dificultar a vida de pessoas agora consideradas pré-históricas, mas eu entendo que todo mundo deve se sentir do mesmo jeito. Pra mim vôo nunca será voo. Voo não existe. Hoje vamos almoçar novamente no Elk in the Woods, com um amigo do Rio de Janeiro que mora em Paris e é comissário de bordo da Air France na mesma rota do vôo (!!!) que desapareceu no Atlântico. Mal vejo a hora de saber de detalhes sórdidos e especulações que não saem na Globo.com por conta dessa bobagem de jornalismo responsável.

27 de junho de 2009

Morreu, acabou

Sábado de sol e promessa de temperaturas que ultrapassem os 30 graus durante a semana. Já poderia ser inverno de novo. Com a morte de Michael Jackson, morrem também os nossos quatro ingressos para o show do O2 Arena, a possibilidade de ver o maior astro pop ao vivo, e a minha paciência com a repetição de notícias na televisão. É impressionante como canais de notícia tem a interminável capacidade de criar matérias múltiplas em cima de um ataque cardíaco. Morreu, acabou. Acho que vamos dar uma caminhada rápida na rua. Se lembrar, atualizo o aplicativo do Flickr com fotos novas na barra à direita. Bom dia.

25 de junho de 2009

Pedras Grandes

Minha mãe nasceu em Pedras Grandes, no interior de Santa Catarina. A cidade é pequena, bonita, e tem cara de cenário de novela caipira. Tem uma igreja, uma ponte, um clube, um restaurante, uma mercearia e muito mato. Pra quem visita, Pedras Grandes é só mais uma cidade rural com pedras grandes e rios amarelos. Pra minha família, no entanto, é a nossa história. Foi de lá que viemos, e é pra lá que voltaremos todos um dia. Achei algumas fotos online, mas nada que faça real juz ao charme da cidade. Boa quinta-feira para você também.

Capital multi-cultural

Percepção é tudo na vida. Londres é muito provavelmente a cidade mais multi-cultural do planeta. O mundo não é tão grande quanto se imagina, mas conquistar o título de capital das capitais - ou concorrer a ele - já é notável por si só. Há poucos dias, li que uma senhora do Paquistão está sendo julgada por prender três noras em regime de escravidão por um total de dez anos. As autoridades do Reino Unido só tomaram conhecimento do caso porque o filho de uma delas contou na escola que a avó batia na mãe. Todo mundo senta o pau na velha, mas ninguém fala do marido.

Fato é que multi-culturalismo é frequentemente relacionado à liberdade, ousadia, troca de culturas e descobrimento. De tanto pensar nos fatores positivos, porque travesti convivendo em paz com muçulmano é mesmo uma pira, a gente esquece que existem aqueles que preferem não fazer parte do festival. Como em Londres o pecado mora ao lado, há os que pensam que fechar a porta e trancar as janelas é a solução mais prática para evitar qualquer possibilidade de deixar o mal entrar em suas vidas. O que os olhos não veem, o coração não sente.

A notícia só reforçou o que eu sempre digo para novos Londrinos. Londres são várias cidades dentro de um espaço geográfico limitado. A vantagem pra quem mora é que a cidade é das poucas que proporciona a real possibilidade de escolher as peças que fazem melhor para você. É que nem computador da Dell. Os britânicos entram com o selo de qualidade, e você escolhe todo o resto.

23 de junho de 2009

Capa


Gostei da capa da Economist dessa semana. A foto, as cores, o assunto - tudo é bom. Como o Royal Mail estava em greve, a revista demorou três dias a mais para ser entregue. Fui dar uma espiada no site e percebi que a edição do dia 23 de Maio nunca chegou. A matéria de capa é "Good news from India". Notícia boa sempre demora mais pra chegar. Ao lado, aplicativo novo do Flickr. Bom dia, mundo moderno.

21 de junho de 2009

Bloody Mary Sunday


O camarão afogado no drink me deixa com um pouco de nojo.
Estupro na África do Sul

Imagine você um país em que 25% dos homens já cometeram estupro e aproximadamente 20% da população acima de 2 anos de idade é portadora do HIV. Um novo estudo feito na África do Sul descobriu que o estupro, como o HIV, também é endêmico. São mulheres e homens, vítimas de uma sucessão de fatores culturais que levam os homens do país a valorizar o domínio e a brutalidade sob seus parceiros. Calcula-se que 10% da população masculina já foi vítima de crimes sexuais cometidos por outros homens. Todos os homens entrevistados tiveram o sangue testado e o índice de HIV não é mais alto no grupo de homens que admitiram haver cometido estupro no passado. Faz sentido. O artigo da Time é excelente.