13 de novembro de 2009
A lista de gente interessada nos Menudos cresceu e, por isso, fui forçado a retirar o título anterior do blog (menudo dramón). Se você se dá ao trabalho de pesquisar sobre a banda no Google, este não é um espaço para você. E a banda acabou, e a banda era uma merda. Retire-se.
Mandonna
Ela vai, atrapalha o bom funcionamento de uma cidade inteira, faz reuniões macrobióticas com milionários, arrecada dinheiro para projetos sociais no Malauí e...não dá um sorriso? Madonna, eu quero o meu dinheiro de volta.
Também não gostei desse papo de ela cantar na abertura das Olimpíadas em 2016. É melhor do que Daniela Mercury, mas não é original. Porque ela não canta na abertura das Olimpíadas de Londres? Muito suspeita essa história de amor repentina com o Brasil. Quem ama, não fica dez anos sem voltar.
E o mundo
O mundo está sem notícias há duas semanas. Tão sem notícias que se a Madonna vai ao banheiro, vira capa da Globo.com. O mundo parou, Lula sumiu, aviões pararam de cair, e bombas pararam de explodir. Atentado terrorista no Paquistão não é notícia. Obama e o sistema de saúde dos Estados Unidos não são notícia. Medvedev falando o que todo mundo já sabe, não é notícia. Clinton na merda, não. E Madonna no banco de trás de um carro escuro, outra vez, definitivamente também não.
Alguém poderia fazer alguma coisa.
28 de outubro de 2009
20 de outubro de 2009
Há coisas que só são possíveis em sociedades organizadas como as do Reino Unido. Geralmente, ações e medidas desenvolvidas com o objetivo de melhorar a qualidade de vida de uma população são apenas verdadeiramente efetivas quando o trabalho conjunto de autoridades locais, órgãos públicos e moradores é corretamente coordenado e integrado.
Hoje tive acesso à página recentemente lançada pela polícia da Inglaterra e do País de Gales. A página funciona como um portal com todas as informações sobre os crimes registrados pela polícia em literalmente todas as regiões do país, provando que transparência é a melhor forma de combate ao crime em um mundo globalizado. A página é tão sensacional que além de passar as informações dos últimos 24 meses, comparando índices de 2009 com 2008, faz um levantamento por tipo de crime em cada região.
Minha área, por exemplo, registrou um total de 66 crimes em Agosto deste ano, contra 68 crimes em Agosto de 2008. Desde Maio de 2009, a polícia registra uma queda considerável e sólida nos índices locais. De forma geral, o número de crimes na região N2 de Londres caiu de 83.3% em 2008 para 78.3% este ano (6%). Mas as maravilhas do sistema integrado de informação pública não param por aí.
Em qualquer região dos dois países, pode-se visualizar os índices e os números de arrombamentos, roubos, crimes envolvendo veículos, violência e comportamento anti-social. A região N2 é classificada como na média de Londres em todas as categorias - o que, aqui, é um ótimo sinal - com exceção de violência, abaixo da média. Cada possibilidade de crime aparece no sistema com números precisos, e estatísticas que deixam claros medidas e resultados de campanhas feitas pela polícia. Fiquei satisfeito e feliz com os meus officers locais, pois os números de minha região despecaram do ano passado pra cá.
Informação nunca é demais.
18 de outubro de 2009

13 de outubro de 2009
Ok. O balão de São João não é um objeto que nasce do nada. Nem o nada nasce do nada. Construir um bom balão, por tanto, requer dinheiro, tempo, e um grupo de imbecis. Todos os hábitos do mundo tem um público alvo e o do balão de São João são os imbecis. O burro gosta muito de tudo o que voa, pega fogo e chama a atenção dos outros. Vive em um estado constante de orgulho da própria ignorância. Para este fim, nada mais expressivo do que o balão de São João.
Partindo do princípio de que nenhum bom balão de São João é construído em 20 minutos de conversa, podemos concluir que todo balão é fruto de um planejamento. O imbecil aprendeu a construir, comprou o material, e colocou o plano em prática. Foram um ou vários dias de reflexão sobre o balão, as consequências de brincar com a ilegalidade, e os perigos envolvidos no ato. O imbecil dormiu, acordou, almoçou, e encaixou a construção do balão entre um compromisso e outro - se é que tinha algum.
Aí o mundo é uma bola. Na bola, hoje em dia, todo mundo já sabe que balão é sinônimo de perigo. Nada é ilegal por acaso. Nada. Então estes dois animais, estes seres completamente sem alma, decidem lançar um balão de São João do tamanho de suas respectivas ignorâncias ao lado do aeroporto mais movimentado do Rio de Janeiro. Não só ao lado, mas com vista para a pista. Só vendo mesmo pra entender que os imbecis são capazes de absolutamente tudo. Este tipo de pessoa, tem que pegar, e tem que matar.
A Infraero avisa que no último ano aproximadamente 150 balões foram detectados nas áreas próximas de aeroportos do Brasil. Lembrar de pegar ônibus em minha próxima visita. Na estrada também se morre, mas prefiro ser triturado a virar churrasco de balão de São João.
10 de outubro de 2009

Nos últimos meses, todos os dias tem sido dias de muito trabalho. Entre um trabalho e outro, no entanto, sobra tempo pra pensar merda. E merda, aduba. Estava pensando em como as embalagens de produtos evoluíram pra pior. Enquanto o mundo procura soluções mais ecológicas para a sociedade moderna, as empresas de branding responsáveis pelo desenvolvimento de embalagens insistem em sistemas inteligentes horrorosos cheios de tampinhas de plástico, canudinhos embrulhados, caixas pra caixas, sacolas pra caixas, e um número interminável de novas soluções geniais que não servem pra absolutamente nada verdadeiramente coerente.
Fiquei pensando que deveriam voltar com os saquinhos de leite antigos. O saco é simples, econômico, e permite que cada um encontre a melhor solução para o armazenamento de seu próprio leite dentro da geladeira. Deve haver muitos outros pontos negativos para o saquinho do leite, como falta de higiene (?), mas se é pra mudar, que a mudança seja real, e venha de cima. O pacote jamais será efetivamente alterado sem a imposição de uma forte legislação ambiental, porque quando o assunto é marketing - e dinheiro - ninguém quer experimentar ou ceder primeiro. Estão certos. No mundo corporativo, quem muito abaixa, mostra a bunda.
London Bio Packaging.
9 de outubro de 2009
Eu tenho uma conta no Twitter. Não uso pra nada, mas tenho. Além do Twitter, tenho um blog, uma conta no Facebook, um email pessoal e um outro para a empresa, ambos registrados no meu celular, um Blackberry Storm. Este ano foi meu ano da inserção digital. O Google é, infelizmente, a minha vida. Uso o Picasa, dependo do Calendário, registro todas as mensagens no Gmail, trabalho com Analytics, tenho acesso ao Feedburner, e só não tenho um Google Reader porque não tenho tempo para ler blogs com a pilha de livros e revistas que vivem acumuladas em minha mesa.
Do meu celular, envio fotos para o Flickr, que tem um link no blog, que é conectado a todo o resto. Do meu Facebook, faço o upload de álbuns fotográficos de minhas viagens, devidamente organizados no lado direito do meu blog, embaixo da coluna de fotos do Flickr. Embora eu tenha um blog, e um Twitter, não gosto de expor fotos minhas ou dos meus amigos em nem um, nem outro. Raramente o faço. Acho errado. Tenho pânico de pensar em fotos minhas armazenadas no computador de terceiros, como já aconteceu antes. Não sei porque tenho um blog. Não sei porque sempre tive, algumas vezes com longos intervalos, a necessidade de escrever. Acho que é algo que levarei, bem como já levo, para a vida.
Com a abertura da minha empresa, temos agora duas contas muito ativas no Skype, que uso feito doido. Pagamos mensalmente duas subscriptions que permitem ligações internacionais sem custos adicionais. Estamos desenvolvendo um website que será lançado em Janeiro, e todas as reuniões com a agência de branding de New York e Buenos Aires são feitas online. Está sendo uma boa experiência. Hoje, aqui no escritório, instalamos uma rede que conecta todos os computadores, e faz de todo o espaço disponível, um só. Sem falar no Viigo, meu novo jornal. Espero que tantos atalhos juntos não terminem maiores que o caminho original.
4 de outubro de 2009
Propaganda é a alma de todos os negócios, mas propaganda sem mídia, não é propaganda. Além de uma clara estratégia publicitária, qualquer causa precisa de divulgação em massa porque o mundo só acredita quando houve a mesma coisa repetidas vezes. Dessa maneira, Collor foi eleito Senador no Nordeste após ser vomitado do Planalto na década de 90, Ronaldo abafou o fato de curtir um travesti ou outro (ou três) de vez em quando, e um presidente preto ganhou as eleições em uma nação majoritariamente caipira e ignorante como a América. É preciso ver e ouvir muitas vezes para passar a verdadeiramente crer. Esta é uma das grandes regras da vida.
Há muito tempo comento a falta de expressão do Brasil no grupo dos BRIC. O Brasil é grande, mas não tão grande quanto os outros; poderoso, mas meia-boca; e rico, mas não muito bem aproveitado. Sim, o Brasil atravessa um bom momento aos olhos dos investidores internacionais e a crise poderia ter sido muito maior no mercado interno, mas o entusiasmo e o respeito da comunidade internacional não passam do reconhecimento obrigatório das dimensões geográficas que gritam aos olhos de qualquer analista capaz de buscar a resposta em novas direções. Certas coisas, ninguém pode negar.
Fiquei feliz com o resultado da escolha do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016. Torci muito, fiquei nervoso, quase morri com o papel preso no envelope. Receber o reconhecimento de uma aposta séria no Brasil foi importante porque validou os desejos de milhares, e depositou confiança em um grupo de pessoas antes incapaz de priorizar as necessidades de seu próprio país. Somos uma gente matuta nascida das sobras dos outros, que aprendeu errando, errou muito, e demorou tanto para aprender. Quem sabe assim, cantando vitória na beira da praia, o Brasil de amanhã não é um país que trabalha mais e anda de trem – este sim, fundamental para um aumento sustentável de desempenho e produtividade.
Fato é que quando o assunto é desenvolvimento, uma coisa leva à outra. E quando uma coisa leva à outra, as chances são grandes de um processo contínuo de avanço ser desencadeado. Se a cadeia anda pra valer, não há barreiras capazes de conter um consistente processo de desenvolvimento. E com o anúncio de altos investimentos no Brasil, publicações do mundo inteiro passaram a divulgar com mais entusiasmo os avanços econômicos do país, a exemplo do que aconteceu com a China há anos atrás. São matérias de destaque, capas, artigos de verdade, e propaganda pura sendo gerada a respeito de um país antes abordado por uma questão puramente geográfica. A emoção gerada pela repetição é tão grande, que hoje li pela primeira vez que o Brasil é o país mais importante do encontro mundial para a preservação do meio-ambiente, a ser realizado no fim do ano na Dinamarca. Quando todo mundo fala a mesma coisa, todo mundo procura falar algo novo e maior.
Da mesma forma que jornalistas aproveitam a trágica visita de Obama à Dinamarca para debater a reforma da saúde nos Estados Unidos, a vitória de Lula é usada para debater os avanços do Brasil na indústria petrolífera, o crescimento da importância do país no E7 e a entrada oficial do Brasil na nova ordem mundial. Parabéns ao Brasil, ao COB, ao Rio de Janeiro e ao povo Brasileiro. Parece que o samba, a bunda e o futebol deram resultado. Agora é trabalhar para conseguir provar que somos capazes de entregar a encomenda. Pela primeira vez, verdadeiramente capazes. Boa sorte a todos.
29 de setembro de 2009
Em Junho instalei o Google Analytics no blog pra descobrir quem são as pessoas que entram aqui diariamente. Como estamos lançando o website da empresa em Janeiro, preciso começar a entender bem mais profundamente a ferramenta, e estou usando a conta do blog como cobaia para o experimento. Estatística é uma merda, mas o mundo moderno é uma tabela de Excel. O cobaia virou cobaia. Ou algo desse gênero.
Fato é que nem Orwell seria tão genial quanto o Google foi. São milhões de possibilidades. Frequência de visita, lealdade de usuários, tempo de leitura, quantidade de acessos por usuário, forma de acesso, lista de pessoas que te mencionam em outros endereços, lugar de origem, dia, hora, segundo, provedor, nevegador, língua, datas sozinhas e comparadas, e todas as informações misturadas, sobrepostas, e de todas as formas enfim. Uma suruba de informações relevantes.
Tudo muito dinâmico, mas o que interessa é sempre o mais interessante. Nada melhor do que uma boa merda, afinal. Após um longo dia de dura labuta na Decorex falando pencas de palavras difíceis, utilizarei este espaço para dividir com você algumas das procuras feitas no Google que geraram este blog como resultado. São centenas de pessoas desesperadas que não fazem a mínima idéia de como fazer uma pesquisa descente no Google. A lista será feita por ordem de relevância intelectual, dedicando os primeiros lugares aos campeões de buscas: os Menudos.
- Lançamento do sedê dos Menudos (sedê = CD)
- Menudo comiendo por tras
- Menudo que passa fome no Brasil
- Menudos usavam brincos? (usando ponto de interrogação, afinal é uma pergunta)
- Puta Tocantins (3 pesquisas)
- Puta Gurupi (deve ser linda como o nome da cidade)
- Televisão no meio da sala (um grande tópico)
- Algum menor de idade já foi enforcado na Inglaterra? (sim, diariamente)
- Como escrever espassado?
- Dramon para cabelo
- Estupro 2009 drink massacre
- filhaaprendeachuparpau (um pai preocupado, falando em códigos)
- Freiras vagabundas
- Putinha de Tocatins (2 buscas, quanta puta em Tocantins)
- qantas estão divvididas as partes da biblia?cantos livros (usando Google como ninguém)
- ql spa os gemeos da pesada da record estao internados
- você só pode ser feliz, pondo jesus no coração (crente é foda)
27 de setembro de 2009
O mundo possui 4 bilhões de telefones celulares ativos. Pra quem pensa que celular continua sendo um bem exclusivo da elite, três quartos de todos eles encontram-se em países em desenvolvimento. Só na África, 4 em 10 tem um. Muito lógica, por tanto, é a idéia de utilizar este meio para alcançar o desenvolvimento em áreas remotas ou pobres do mundo. É justamente isto que a M-PESA está fazendo no Kênia através da implantação de um sistema de dinheiro móvel em conexão com as empresas de telefonia celular.
O experimento, na verdade, deu tão certo, que metade dos 14 milhões de usuários no Kênia recorrem a estes serviços para pagar contas de luz, água, escola, moradia, bens comuns e até táxis. Segundo um estudo do World Bank, em países como o Zimbábue, o sistema de pagamento por SMS ajuda a combater a violência, diminui a corrupção, aumenta a renda dos usuários de uma forma geral, e apresenta uma solução aos que precisam fechar um envelope de dinheiro para pagar o bilhete do ônibus devido à exorbitante inflação dos últimos vários anos.
Genial. Ao invés de perder tempo e dinheiro viajando até uma agência bancária nos grandes centros do país, trabalhadores rurais podem fazer tudo através do celular, economizando dinheiro e gastando tempo em atividades mais produtivas financeiramente. O resultado é o aumento de 5-30% na renda de quem utiliza este mecanismo. Na África, como diz o Tesco, every little helps. Embora taxas de juro não sejam pagas em contas como estas, o banco móvel apresenta uma solução mais seguro que um colchão para o armazenamento de dinheiro - nas Maldivas, em 2004, muitos perderam as economias de uma vida inteira no tsunami que destruiu parte do país.
Achei interessantíssimo porque não sabia que este serviço existia na África. Embora a globalização esteja aí para a maioria, uma minoria sofrida continua sem poder ter acesso a simples e efetivas soluções como esta que mencionamos. É claro que os bancos já estão nervosos tentando encontrar uma maneira de acabar com a alegria das telefônicas, mas eu pessoalmente acredito que idéias como estas vieram para ficar. Se eles não podem contra eles, que juntem-se a eles.
26 de setembro de 2009
Depois da China, a nova moda é fazer da Indonésia o segundo I do grupo dos principais países em desenvolvimento do mundo (BRIC). Há duas semanas atrás a Economist dedicou à Indonésia um relatório de 15 páginas descrevendo seus principais selling points, história, e passando informações demográficas que pra mim foram grandes novidades. A Indonésia é, hoje, a terceira maior democracia do mundo depois da Índia e dos Estados Unidos, e apresenta excelente números desde o fim do regime repressor do presidente Suharto em 1998 - foram mais de 30 anos no poder.
Essa semana a National Geographic publicou um outro relatório, mais voltado para a questão do Islã no país - a Indonésia é a maior nação muçulmana do mundo com 207 milhões de fiéis espalhados por 17.508 ilhas. Quase morro só de pensar em tanta praia junta. O grande diferencial da Indonésia é que eles parecem ser os mestres mundiais da transição pacífica. Tanto a propagação do Islã quanto a adesão à Democracia foram obtidos de forma controlada e devidamente respeitadas por aqueles pertencentes à outras crenças ou ideologias políticas. É claro que um ou outro acabam explodindo de vez em quando, mas nada tão grave devido à distância geográfica às zonas de conflito.
Foram mais ou menos 500 anos para que o Islã atingisse a maior parte da população. O solo das ilhas da Indonésia é perfeito para o cultivo de especiarias que passaram a ser comercializadas por navegadores Árabes já no século 12. Fruto de uma estratégia de marketing dos nativos na época, a conversão ao Islã se disseminou até que um dia tudo virou a tal história do ovo ou a galinha. O proceso de expansão foi apoiado por grandes líderes porque incorporava credos dos nativos e respeitava as diferenças alheias. Hoje, embora com algumas regiões adeptas da Sharia, a Indonésia é amplamente secularista, democrática e livre.
...e Dorce Bunda Gamalama.
Por isso, muito do que seria impensável em sociedades do Oriente Médio, é visto como aceitável na Indonésia. Rituais de magia, culto à imagens, liberdade de design em mesquitas (adaptando o estilo Árabe às raízes da Indonésia) tem todos carta branca em muitas das ilhas do país. Destaque para a maior celebridade da Indonésia, Dorce Gamalama. Chamada carinhosamente de Bunda e conhecida como a Oprah da Indonésia, Dorce lidera um programa diário para mulheres da meia-idade. São 300 pares de sapato, milhares de perucas e uma mesquita personalizada ao lado de sua casa em Jakarta - Bunda é também uma muçulmana fiél, a exemplo de seu público.
Com um detalhe: Bunda nasceu um homem e trocou de sexo aos 20 anos. Bunda é um transsexual. Já casou duas vezes, e costumava trabalhar como palhaça em um vôo fretado que leva peregrinos de Jakarta para Mecca. Quando perguntada se a fé dela vem antes da carreira de apresentadora, Bunda olha para o jornalista com ar de ofendida e responde: "Minha vida é para Allah". Acho que estes cinco parágrafos são uma boa introdução da Indonésia para quem, como eu, sabia nada ou muito pouco sobre o país. Bom fim de semana para você também.
19 de setembro de 2009
Será que a intolerância e o desrespeito caminham necessariamente juntos? Acho que não. O desrespeito, penso aqui com os meus botões, só passa a existir quando a intolerância vem acompanhada. Não tolerar algo ou alguém, afinal, é um direito de todos e deve ser, por isso, respeitado. Somos todos, e ainda bem, livres para gostar, não gostar, e formar opinião a respeito daquilo que vemos e vivemos. A intolerância, por tanto, só passa a ser efetivamente um problema quando manifestada abertamente com a intenção de exercer a influência de seus próprios valores sob os valores de terceiros, quartos e quintos.
Logicamente, uma sociedade mais tolerante é o ideal para o bem estar geral da humanidade. No entanto, não é de bem estar que vivemos. O conflito alimenta o homem. É querendo que os outros pensem como nós pensamos que o desrespeito nasce da intolerância. Ninguém é obrigado a tolerar aquilo que desconhece, mas respeitar é preciso. Paz de espírito é a fonte principal de energia do ser humano. E o conforto, nesse caso, é desconhecer a intolerância alheia em questões que tocam tudo aquilo que você é sem prejudicar outras pessoas. Não tolerar sim, mas sem machucar pessoas que não fazem mal a você.
15 de setembro de 2009
Ser uma pessoa naturalmente irritada que faz bom uso de um olhar crítico refinado é para poucos e bons. Há quem goste de associar irritação com rebeldia, mas esse conceito é reservado para o discurso da classe dos ruins que, juntos, constituem a esmagadora maioria. Não há mais espaço no mundo para bobos médios. Vivemos um período de infestação da classe dos mais ou menos, uma gente que contamina o ar que respiro reproduzindo pensamentos padrões de gente burra e tecnicamente incapaz de ser autêntica. Penso, logo, sinto vontade de melhorar o meio ao meu redor. A irritação é apenas o meio da transformação.
O estado constante de irritação é, mais do que qualquer outra coisa, um exercício de ser e ter um ponto de vista a respeito de elementos que interagem com tudo e todos o tempo inteiro. Irritação é apenas a forma de expressar uma reação à ação que independe de você, embora ainda assim esteja a seu alcance. Quem não lê, não conversa e não vê com um olhar analítico as ações alheias, está morno, embejou e, por tanto, não está vivo. Não há crítica sem irritação, e não há pensamento sem crítica. Criticar e se irritar faz parte do processo evolutivo, seleciona o joio do trigo, e é combustível essencial para o progresso de homens e nações.
Consequentemente e por fim, tudo o que chega aos meus ouvidos está sujeito a ser devidamente analisado e criticado. Se não fosse meu business, não teria chego até a mim. E eu, como ser pensante que sou, me presenteio com o privilégio e o direito de continuar opinioso, autêntico e altamente irritado sempre que necessário julgue. Um brinde, então, à seleção natural.
Não sei o que acontece comigo quando entro na Amazon ou no Ebay. Tenho vontade de comprar tudo e em um processo minucioso de auto-enganação passo um número impressionante de horas em frente a tela selecionado tudo aquilo que eu considero uma bargain para depois comprar, comprar, até morrer comprar. Uma bargain vira um milhão. Deve ser a substituição de vícios. Fato é que ontem resolvi comprar uma luminária linda da Tiffany depois de uma sequência de luminárias problemáticas produzidas na China. Já me sinto muito melhor.
E o Patrick Swayze morreu. Que triste. Vou cantar The Time Of My Life hoje o dia inteiro. Be afraid. Vai ser um horror.
12 de setembro de 2009

Das pouco mais de 100 tribos perdidas do mundo, 50 estão localizadas entre o Brasil e o Peru. Que deve ser uma pira (o Peru). Quando estive no Brasil pela última vez, percebi que virou moda turistar de ônibus até Lima - ao menos em Barbacena. Fico agoniado só de pensar que tem gente visitando o Peru antes de mim. A BBC publicou hoje uma reportagem sobre uma vila abandonada aonde antes viviam aproximadamente 150 pessoas sem contato com o desenvolvimento (se é que podemos chama-lo assim). Vindo do Peru, honestamente, acho meio difícil. Não consigo visualizar um grupo de latinos preservando vilas remotas e controlando a curiosidade sobre o desconhecido. As fotos são um choque na idéia.

8 de setembro de 2009
Eu gosto dos filmes do Moore. Acho mainstream e de fácil acesso, e a edição é sempre impecável com dados apurados que dão voz ao que todo mundo já sabe faz tempo. É tudo muito básico, mas até o básico pode ficar rico e forte se colocado de forma inteligente. Considerando a situação atual de retardo global, qualquer protesto feito de forma artística e civilizada acrescenta ao processo evolutivo e não deixa de ser um statement importante, principalmente porque atinge a fundo as classes mais desinformadas. Tem gente que só assiste telejornal pra ver jogador de futebol dizer graças a Deus. Graças a Deus isso, graças a Deus aquilo. E o Kaká rezando pra nova igreja da Renascer e, enfim, abafa essa merda.
Li hoje que um novo filme do Moore está sendo lançado no festival de cinema de Veneza. Capitalism: a love story. E que história de amor. Acabo de receber uma caixa com dois iPhones e uma capinha da Baker - para a familiagem no Brasil. De qualquer maneira, estou louco pra poder assistir ao novo filme do Moore. Quero ver a minha paixão pelo capitalismo detonada em boas edições, cheia de perguntas bem colocadas mostrando bem mostrada a contradição de sermos quem somos, fazermos o que fazemos e, eventualmente, acabarmos na merda como acabamos em 2009. Muito ouro, muito luxo, muito dinheiro e muita sacola plástica. Rita Lee nunca esteve tão certa. No fim, tudo vira bosta.
Matéria da BBC sobre Capitalism: a love story.
5 de setembro de 2009
Sou controlador. Quando não tenho controle, imaginar a possibilidade de dominar a situação já ajuda a acalmar os ânimos e coloca tudo no seu devido lugar. Muito logicamente, junto à essa característica enlouquecedora, existe a necessidade de curar as chagas do mundo pessoalmente. Controlar o simples, o banal, e o incontrolável. Por isso, naturalmente, o inconquistável vai sendo conquistado. Lendo assim parece caso de internação, mas são anos de lida e também de história. Quase sempre dá certo.
A principal complicação do controlador aparece quando o mundo passa a depender de suas decisões. Realidade ou percepção, nada melhor do que ligar a televisão pra ver quanta gente se fode bem mais do que você. Afinal, nada mais consolador do que acesso televisivo à problemas de verdade, vistos do aconchego do seu lar. Infelizmente esta é uma das maiores satisfações do controlador, depois de sonhar com a possibilidade de, um dia, poder pilotar seu próprio avião.
18 de agosto de 2009

Tenho um Blackberry. Esse poderia ser o fim do post, mas meu Blackberry tem um calendário, meu calendário é ligado ao Google Calendar, e meu Google Calendar é integrado com todos os outros calendários existentes, incluindo o do Facebook com datas de aniversário e compromissos em geral. O auge do novo milênio é justamente saber que meu telefone celular conversa com a minha Google account de cinco em cinco minutos para saber se existe algo que eu ainda não sei, embora precise saber. Dá vontade de sair marcando tudo só para ver se o Blackberry se acerta de organizar a minha vida ao quadrado.
7 de agosto de 2009
No Egito costuma-se dizer que o caminho simples é o melhor caminho. Muito natural, por tanto, que a gripe suína tenha sido resolvida de forma imediata e simples. Por lá, ao ouvir a respeito da epidemia, foi decidido que se o problema era porco, que porcos deixassem de existir. Assim sendo, como já é de praxe no Oriente Médio, o governo optou por abrir mão de maiores análises e partir direto para o extermínio total da espécie, cortando de uma vez o mal pela raíz. No Islã, o porco é considerado um animal sujo e sua carne proibida no livro sagrado. Matar os porcos no Egito foi, por tanto, uma união do útil com o agradável.
O que as autoridades Egípcias parecem não perceber - ou não aprender - é que o caminho mais simples é também um caminho frequentemente burro e tortuoso. Porcos, principalmente na cidade do Cairo, desempenham um papel importante no extermínio de ratos e, principalmente, no gerenciamento de lixo orgânico. Todos os meses estes mesmos 350.000 porcos agora exterminados desempenhavam a importante tarefa de comer 6.000 toneladas de lixo orgânico, melhorando as condições de trabalho dos catadores de lixo da capital. Pra terminar, o Egito esqueceu de analisar que a carne destes mesmos porcos servia como renda adicional para a família de muitos. Sem carne, sem dinheiro, sem educação.
Outras consequências negativas da medida foram o aumento de quadros de hepatite entre os catadores de lixo que agora precisam colocar - literalmente - a mão na massa, a diminuição em produtividade da já escassa reciclagem de lixo, o aumento da quantidade de ratos e casos de pessoas com mordidas de ratos e, como não poderia faltar, as revoltas organizadas por catadores de lixo cristãos. Como tudo no Oriente Médio tem que acabar em guerra religiosa, os catadores - de maioria Copta - acreditam que o extermínio foi uma afronta direta do governo muçulmano com a intenção de exterminar porcos e cristãos. Tudo vira bosta.
Não é novidade pra ninguém que duas mãos cheias de países Asiáticos punem tráfico de drogas com pena de morte. Aqui na Inglaterra essa estória já virou lenda urbana. No começo do ano li que uma Britânica chamada Samantha Orobator (Britânica-meia-boca, por assim dizer), foi condenada à sentença de morte por tentar levar heroína à Austrália através do Laos. Parece que não deu certo.
Hoje abro a página da BBC e dou de cara com uma notícia alarmante. Orobator voltou ao Reino Unido depois de fazer uma inseminação artificial - na cadeia - utilizando o sêmen de outro detento Britânico, também preso pelo mesmo crime. Laos deveria ter matado de vez esta desgraça. Além de fazer uma inseminação artifical por motivos duvidosos, Orobator fez uma escala em Laos para levar heroína até a Austrália. Sua morte na cadeia seria, no mínimo, seleção natural.
12 de julho de 2009
Domingo de música e muito trabalho. Ontem fomos ao Barbican assitir Bruno. O filme é relativamente ruim, mas uma das cenas salvou meu dia. Fiquei parecendo aquelas velhas gordas que não conseguem parar de rir alto no meio do cinema. Como é bom chorar de rir. Na volta, adicionei três ítens à minha wish list mental. O sapato e a calça de um jovem no metrô, e um apartamento no Barbican, no alto e com sacada. Logo eles se acostumam à posição de desvantagem em minha lista de prioridades atual.
Voltando ao domingo, temos ingressos para o show da Orquestra Imperial no Koko. Até lá, trabalharemos em cima de nosso último pedido, acertando os últimos preparativos para a viagem de terça-feira. Voltamos ao Reino Unido no dia 27. No meio das tarefas e compromissos, uma parada estratégica no Algarve com os sogros, pra descansar. Agora tenho que descobrir se a internet do Blackberry funciona fora de Londres. Acho que não vou conseguir fazer tudo antes do voo.
E essa é justamente a fase que eu mais gosto. Quando você avalia a lista de afazeres, compara um compromisso com o outro, e suspende a metade do que você tinha em mente, acreditando na coerência da eliminação das tarefas. Isso tem nome. Chama-se economia de escala. Geralmente eu consigo fazer uma média de 80% do planejado. No fundo, quando escrevo a lista já sei quais são os pontos que serão ignorados. A boa vontade é o fenômeno do começo de tudo. Depois passa.
Tem uma música do Kid Abelha que pergunta qual o segredo da felicidade. Hoje ouvi a Paula Toller respondendo. Disse que o segredo da felicidade é não se preocupar muito em saber se você está feliz ou não. Achei a resposta simples e completa. Eu não tinha uma opinião formada a respeito dela, mas saí gostando. Dá pra ver que ali são anos de terapia. Abaixo, dueto de Toller com Chico Buarque. Tudo de ótimo.
10 de julho de 2009
Ronaldo foi pego em um motel com dois travestis e cocaína, mas deu na tevê que a culpa não era dele. Como no Brasil homem que se veste de mulher sempre se fode, Ronaldo voltou ao Brasil, fez vários gols e não se fala mais nisso. Pra ajudar, é claro, nada melhor do que uma campanha lançada pela Globo com a intenção de reparar a imagem do craque. Ninguém entende mais de manipulação da opinião pública do que a emissora carioca que baniu o assunto em seus veículos de comunicação. Viva a liberdade de imprensa. Ronaldo estava comendo travestis, mas achava que eram putas. Aí tudo bem. Uma madrugada é muito pouco para perceber a diferença.
Ontem o travesti principal do caso, a Andréia Albertini, morreu de pneumonia e miningite aos 22 anos. A matéria da Globo.com abafa o óbvio e muda de gênero gramatical como quem troca de calcinha. Se o Português tivesse 20 gêneros, como o Bantu, eles esgotariam todas as possibilidades em 30 linhas. Do outro travesti ninguém fala. Fechou a boca e, com ela, as portas da miséria. Já dizia aquela sábia música de missa de domingo: dá-me a palavra certa, na hora certa, do jeito certo, e pra pessoa certa - palavra é como pedra preciosa, quem sabe o valor cuida bem do que diz. Como brasa, queima até o fim.
8 de julho de 2009

4 de julho de 2009

Ganguro é um horror e vem do Japão, é claro. Japonês tem talento para o bizarro. Não basta falar como criança e se comportar feito um roedor, tem que pintar a pele e tingir o cabelo de verde limão.
3 de julho de 2009

2 de julho de 2009
Falar de acidentes aéreos não é falta de assunto, é medo. Uma amiga que reconhece a beleza de uma obcessão e entende o prazer secreto de alimentar uma loucura enviou um link da Veja com uma página especializada em grandes desastres. Várias dicas irrelevantes foram passadas, mas duas valiam a leitura: voe uma empresa Européia (Air France, ok) e evite vôos (voos) com muitas escalas já que 80% (chute) dos acidentes aéreos acontecem durante decolagem e pouso. Assim sendo, voar Yemenia Airlines com paradas em Paris, Marselha, Yemen e Djibouti antes de chegar em Moroni não pode ser uma opção. Uma outra dica é verificar a página da empresa no Wikipedia, já que há uma sessão especial com acidentes e incidentes para cada uma das empresas com página no site. No mais, dê preferência para British Airways e Finnair, que não caem jamais.
28 de junho de 2009
Preciso descobrir se a minha dificuldade de escrever em português está mesmo aumentando proporcionalmente ao tempo que vivo fora do Brasil. Pode ser que todo mundo perceba uma piora depois dos 20 e poucos anos, como eu. Fato é que todas as semanas recebo emails desesperados de minha mãe, chocada com os erros que cometo no blog. Esta semana escrevi reinforçou e outras palavras que sequer existem. Outra barbaridade que venho cometendo, é escrever tudo o que leva z com s, como no inglês da Inglaterra - tão mais prático que línguas latinas em geral. Parece máquina de lavar louça. Encomodação zero (com i?).
Apesar de ler muita notícia em português, não tenho mais livros comprados no Brasil. Sempre que viajo, dou uma olhada rápida nas livrarias dos aeroportos, mas acabo optando pela pilha que levo na mala, muito mais interessantes e baratos. No mais, raramente pago mais do que 5 libras em um livro. Logo, não faz sentido algum pagar 50 reais em um livro que eu posso comprar por 3 libras na língua original. Os problemas de comprar livros no Brasil também passam pela necessidade do brasileiro em promover títulos relacionados ao tema da novela das oito, ou algo que todos julgam ser um tema inteligente no momento. Em 2008, em Guarulhos, era China do começo ao fim. Agora deve ser a Índia da Glória Perez. Ou, o livro do Jô Soares.
Eu poderia falar das novas regras gramaticais, criadas para dividir uma geração e dificultar a vida de pessoas agora consideradas pré-históricas, mas eu entendo que todo mundo deve se sentir do mesmo jeito. Pra mim vôo nunca será voo. Voo não existe. Hoje vamos almoçar novamente no Elk in the Woods, com um amigo do Rio de Janeiro que mora em Paris e é comissário de bordo da Air France na mesma rota do vôo (!!!) que desapareceu no Atlântico. Mal vejo a hora de saber de detalhes sórdidos e especulações que não saem na Globo.com por conta dessa bobagem de jornalismo responsável.
27 de junho de 2009
Sábado de sol e promessa de temperaturas que ultrapassem os 30 graus durante a semana. Já poderia ser inverno de novo. Com a morte de Michael Jackson, morrem também os nossos quatro ingressos para o show do O2 Arena, a possibilidade de ver o maior astro pop ao vivo, e a minha paciência com a repetição de notícias na televisão. É impressionante como canais de notícia tem a interminável capacidade de criar matérias múltiplas em cima de um ataque cardíaco. Morreu, acabou. Acho que vamos dar uma caminhada rápida na rua. Se lembrar, atualizo o aplicativo do Flickr com fotos novas na barra à direita. Bom dia.
25 de junho de 2009


Percepção é tudo na vida. Londres é muito provavelmente a cidade mais multi-cultural do planeta. O mundo não é tão grande quanto se imagina, mas conquistar o título de capital das capitais - ou concorrer a ele - já é notável por si só. Há poucos dias, li que uma senhora do Paquistão está sendo julgada por prender três noras em regime de escravidão por um total de dez anos. As autoridades do Reino Unido só tomaram conhecimento do caso porque o filho de uma delas contou na escola que a avó batia na mãe. Todo mundo senta o pau na velha, mas ninguém fala do marido.
Fato é que multi-culturalismo é frequentemente relacionado à liberdade, ousadia, troca de culturas e descobrimento. De tanto pensar nos fatores positivos, porque travesti convivendo em paz com muçulmano é mesmo uma pira, a gente esquece que existem aqueles que preferem não fazer parte do festival. Como em Londres o pecado mora ao lado, há os que pensam que fechar a porta e trancar as janelas é a solução mais prática para evitar qualquer possibilidade de deixar o mal entrar em suas vidas. O que os olhos não veem, o coração não sente.
A notícia só reforçou o que eu sempre digo para novos Londrinos. Londres são várias cidades dentro de um espaço geográfico limitado. A vantagem pra quem mora é que a cidade é das poucas que proporciona a real possibilidade de escolher as peças que fazem melhor para você. É que nem computador da Dell. Os britânicos entram com o selo de qualidade, e você escolhe todo o resto.
23 de junho de 2009

Gostei da capa da Economist dessa semana. A foto, as cores, o assunto - tudo é bom. Como o Royal Mail estava em greve, a revista demorou três dias a mais para ser entregue. Fui dar uma espiada no site e percebi que a edição do dia 23 de Maio nunca chegou. A matéria de capa é "Good news from India". Notícia boa sempre demora mais pra chegar. Ao lado, aplicativo novo do Flickr. Bom dia, mundo moderno.
21 de junho de 2009
Imagine você um país em que 25% dos homens já cometeram estupro e aproximadamente 20% da população acima de 2 anos de idade é portadora do HIV. Um novo estudo feito na África do Sul descobriu que o estupro, como o HIV, também é endêmico. São mulheres e homens, vítimas de uma sucessão de fatores culturais que levam os homens do país a valorizar o domínio e a brutalidade sob seus parceiros. Calcula-se que 10% da população masculina já foi vítima de crimes sexuais cometidos por outros homens. Todos os homens entrevistados tiveram o sangue testado e o índice de HIV não é mais alto no grupo de homens que admitiram haver cometido estupro no passado. Faz sentido. O artigo da Time é excelente.
Faz uma semana que o mundo anda meio parado. Deve ser o calor. Adicionei 10 cidades no Viito do Blackberry pra acompanhar as previsões do tempo ao redor do mundo e todas marcam aproximadamente 20 graus, com pequenas variações para mais ou para menos. Morro de agonia. No Paquistão, o Talibã continua fazendo a mesma coisa, sob pressão do governo que tenta controlar a situação. Na Coréia do Norte, nada mais aconteceu. Os Estados Unidos continuam ameaçando, e o líder coreano continua se lixando. E no Irã, aquela mesmisse. Todo mundo protestando no Twitter até que tudo volte ao que era antes. Sem contar o vôo da Air France. Até parece que nada aconteceu. E eu aqui, querendo ver cenas dramáticas e fotos de corpos boiando.
20 de junho de 2009
Eu não voto, nunca votei, mas defendo o meu direito de opinar e reclamar sempre que necessário. Antes de ser um potencial eleitor, eu sou um cidadão que pensa, paga as contas e não sonega impostos. Sempre tive muito interesse por política e, por saber, entendo que dias melhores não virão. Já atingi o nirvana da política brasileira e alcancei a tranquilidade da compreensão. Voto meu, só mesmo pra final de Big Brother e enquete da Globo.com pra falar mal da Suzana Vieira - que, aliás, merece um post especial.
Mas como eu ia falando, é fato que enquanto o Maranhão tiver peso na contagem final de votos, a família Sarney terá um lugar no cenário político nacional. O Maranhão é ótimo, tem os Lençóis e a Alcione, mas maturidade política é algo que nem São Paulo conseguiu alcançar. O que nos salva de uma catástrofe ainda maior é a saúde frágil da Roseana Sarney. Caso você não lembre, ela era líder na corrida presidencial de muitos anos atrás. Por sorte, deixou de concorrer pela falta de órgão internos suficientes. Roseana já fez quase dez cirurgias para a remoção de tumores diversos.
O Brasil gosta dessa coisa de votar em quem não presta pra depois reclamar. Pode ser um merda e fazer caixa dois pra comer puta e comprar cocaína, mas é filho do Maluf. Atualmente 90 deputados e 30 senadores são pais, mães, filhos, irmãos, netos, sobrinhos e cônjuges de políticos tradicionais. E você sabe. Político tradicional, no Brasil, boa coisa não é. Por isso, eu não quero nem saber o que o Sarney fez ou falou. Ali, eu já sabia antes mesmo de saber. Com todo o respeito, pau no cu do Maranhão.
19 de junho de 2009





17 de junho de 2009
Foram anos de tentativas frustradas e muita surra, até que as emissoras brasileiras finalmente entenderam que o fator sucesso da Globo no Brasil consiste na transmissão das mesmas caras participando dos mesmos programas. Quanto menos novidade e informação, mais audiência e dinheiro. Por isso, achei ótimo quando a Record abriu uma filial no Rio de Janeiro e decidiu imitar a concorrência com riqueza de detalhes. O jornal é igual, os atores são parecidos e os apresentadores são cada vez mais os mesmos.
Levei um susto quando li na Folha que a Mylena Ciribelli foi contratada pela Record. Há menos de duas semanas, aqui em casa, estavamos falando a respeito dela. Sempre muito chata, com a mesma voz, falando as mesmas coisas, e dando ênfase nas mesmas palavras. Li na Folha que Mylena já trabalhava na Globo há 18 anos. Pra mim, Mylena é um híbrido de nada com coisa nenhuma. Uma coisa completamente sem nome que há 18 anos lê notícias sorrindo, irritantemente feliz até pra dar notícia ruim. O Brasil não precisa pensar a respeito de Mylena. Ela domina a arte de ser igual todas as semanas.
Do outro lado, a Globo se protege como pode. Ao ouvir a respeito de negociações com os principais integrantes de seu elenco, renovou o contrato de Faustão e Luciano Huck bem rapidinho. Pra você ter uma idéia, por exemplo, os dois ganham juntos aproximadamente R$6 milhões por mês. Faustão é não apenas o maior faturamente da Globo, mas também a cara do domingo do Brasil há 20 anos. Custo benefício altíssimo pra emissora (e pra ele). Fausto não é inteligente, fala as mesmas coisas todos os domingos, elogia os mesmos artistas e introduz as bandas da mesma maneira. Programação perfeita pra anestesiar uma população que, por natureza, já não faz muita questão de pensar.
Por um público que não pensa é que a estratégia da Record está dando certo. As caras, vozes, iluminação, cenário e até os nomes das programações são iguais ou parecidas. Mylena vai apresentar o Esporte Fantástico em sua nova casa. Deixou de ser Espetacular, para ser Fantástica. Praticamente música para os olhos acostumados de um povo anestesiado, a Record passa a oferecer um pacote igual ao que sempre deu certo pra Globo. Você pode até mudar de canal, mas quanto menos você perceber, mais dinheiro a Record vai fazer.
Segundo o órgão nacional de estatística do Reino Unido, 7.2% da população está sem emprego. Embora o total de 39.000 pessoas pedindo auxílio do governo tenha permanecido abaixo dos 60.000 projetados no início de 2009, o total de 2.261 milhões de desempregados assusta. O índice é ainda mais baixo que o de outros países da Europa, como a Espanha, que deve alcançar os 20% de desemprego até o fim do ano - mas é grande o suficiente pra dar início a uma série de pequenos desastres.
Com o índice de profissionais fora do mercado aumentando, reflexos foram sentidos em diversas áreas da economia. Há cerca de duas semanas, o BNP (British National Party) colocou dois de seus membros no Parlamento Europeu com o slogan British Jobs for British People - já devidamente descascado neste blog. Agora, a novidade são os ataques racistas. Portugal é conhecida como a área de serviço da Europa, mas a casa do cachorro é a Romênia. Nacionais da casa do cachorro são temidos por Europeus de todos os lados, vistos como criminosos, e vítimas do selo que os caracteriza como ciganos - aqui visto primo do pedófilo na classificação de adjetivos ruins.
Eu adoraria perder o meu tempo explicando a postura dos Britânicos quanto a estrangeiros, mas estou com pressa pra fazer algo bem mais legal em duas horas. Quando alguma merda muito grande acontece provando que não nos dedicamos o suficiente para o alcance de um objetivo, deixamos a desejar no empenho investido em uma conquista, ou não nos preparamos o suficiente para competir com outras pessoas mais qualificadas...dói menos colocar a culpa nos outros. Se os outros são fracos, indefesos e diferentes, fica mais fácil.
Durante séculos, Britânicos toleraram estrangeiros por serem eles a fonte de renda maior dessa nação. São dezenas de colônias, milhares de colonizados, e centenas de empresas que até hoje desfrutam dos privilégios do antigo império. A tão publicada tolerância Britânica é, por tanto, diretamente relacionada ao dinheiro gerado pelo povo tolerado. Mas o mundo dá voltas, as colônias desfrutam hoje de mais poder e, para os nacionais do Reino Unido, o mar está menos pra peixe do que já esteve um dia. Um dia, então, a tolerância vai pro saco.
16 de junho de 2009
Brasil, Rússia, Índia e China devem superar as economias ricas do G7 até 2027, quando espera-se que a China assuma a primeira posição dos Estados Unidos no ranking econômico mundial. A projeção, conforme já conversamos aqui, foi duramente afetada pela crise financeira do último ano, mas parece ter voltado aos trilhos com a projeção de crescimento médio dos BRIC de 4.8% em 2009 e 8% em 2010.

De acordo com a revista Forbes, Eike Batista é o homem mais rico do Brasil pelo milésimo ano consecutivo, entrando pela primeira vez na lista dos 100 homens mais ricos do mundo (número 61 de 100). Pra quem não lembra, Eike era casado com uma suburbana que usou uma coleira com seu nome no Carnaval do Rio de Janeiro. Na época, o Brasil não entendeu, mas Eike tem uma fortuna estimada em 7.5 bilhões de dólares. Coleira nela.
15 de junho de 2009





14 de junho de 2009
Cada um entende e trata como pode. Acabei de ler no Human Cargo que uma enfermeira da Libéria criou um método diferente pra cuidar de refugiados do campo de Kuankan, adaptando medicina e psicologia à cultura local. Em partes da África, e especialmente na Libéria, sintomas de depressão profunda são frequentemente atribuídos à crença na abertura repentina da parte superior da cabeça - mais conhecida por moleira. Para estas tribos, aquele é o buraco por onde todos os pensamentos negativos têm acesso à parte interna da cabeça.
Com a intenção de conversar com estas pessoas, geralmente vítimas de cruéis ataques rebeldes, a enfermeira desenvolveu um tratamento aparentemente eficiente que combina crenças locais à conversa. Inicialmente o processo consiste em raspar o cabelo do paciente, lavar a parte superior da cabeça e aplicar uma combinação de ervas na área da moleira. Depois da aplicação, Susan aproveita para conversar com os pacientes, abrindo um canal único que dá aos refugiados a oportunidade de falar a respeito de suas histórias e tormentos.
À exemplo de qualquer outro tratamento terapêutico, as aplicações das ervas se repetem durante um período longo de tempo, até que - segundo Susan - os próprios pacientes voltem avisando que a moleira foi finalmente fechada. Calcula-se que somente no campo de Susan mais de 30% dos refugiados sofram de depressão profunda. São casos horríveis de famílias inteiras destruídas, e traumas que parecem impossíveis de serem superados. Há pouco estava lendo o relato de um garoto que assistiu à decaptação da avó. A cabeça foi usada por soldados como bola de futebol. Vai entender.
Conseguimos cumprir nossa programação de sábado com academia na parte da manhã e cinco horas de sofá no fim da noite. Pra acompanhar, já colocando a falta de assunto em dia, escolhemos uma amiga que gosta de comer e falar bobagem. Uma forma sentada de entretenimento sedentário, saudável e quase orgânico de tão natural. Nosso giro incluiu o lounge do cinema Curzon e o restaurante Princi, ambos no Soho.
A saída do sofá, quase à meia-noite, foi recheada de fortes emoções. Durante o verão, Londres se transforma em uma espécie de Sodoma e Gomorra da linha do Equador. Tudo é quente, úmido, brilhoso, decotado, as pessoas falam línguas estrangeiras e as mulheres se comportam feito animais. Chegar na estação de metrô requer paciência e um facão de mata fechada. Só mais um dos vários toques das já esperadas trombetas do apocalipse.
13 de junho de 2009
Bom dia, dia. Consegui registrar o Facebook no meu nome, após anos de luta contra todos os outros Marcos Menezes do planeta. Em Londres, a palavra de ordem é acordar e viver sem café porque não tem adoçante. Vou terminar de ler Human Cargo, organizar a casa, visitar a academia e almoçar no Comptoir Libanais. Por enquanto nenhuma revisão foi feita no plano de ontem à noite. Quando o assunto é academia, revisão de planos é sempre uma possibilidade.
Passando rapidamente pelas notícias do dia, vi que o Reino Unido ficou chateado com as Bermudas por uma questão diplomática ridícula. E que o fim de semana de Obama será de muito trabalho com a eleição de Ahmadinejad no Irã. Pau no cu dos Estados Unidos. As eleições foram democráticas, quatro candidatos diferentes concorreram ao cargo, e a voz do povo é a voz de Deus. Tenha um bom fim de semana você também.
11 de junho de 2009
Documentário sobre o Brasil na Inglaterra sempre envolve bunda ou drogas. Angels of Rio é uma mistura do dois. Em uma tentativa frustrada de adaptar minha vida às tecnologias do Blackberry, coloquei o programa da BBC na minha agenda eletrônica. Não funcionou. Meu calendário é cheio de compromissos desimportantes que eu marco para depois ir deletando aos poucos. O que vale é se sentir bem na hora de marcar.
Angels of Rio passou segunda-feira à noite na BBC e conta a história de três detetives particulares especializadas em crime corporativo - uma coisa meio Charlie's Angels tupiniquim. O documentário tem uma hora de duração e é, no geral, fraco - embora aborde o Rio de Janeiro de uma forma inédita. No vídeo as detetives espionam, investigam, se envolvem com o alvo, viajam em busca de maiores informações, abordam tortura, e mostram um lado menos sujo do crime organizado.
Caso você tenha uma hora de vida disponível, eu recomendo. Seguramente, na Globo, você não verá nada igual.




10 de junho de 2009

6 de junho de 2009

É sensacional o documentário The Incredible Human Journey, exibido pela BBC aqui na Inglaterra. Durante as filmagens do programa, a jovem antropóloga e talentosa jornalista Alice Roberts desbravou todas as possibilidades usadas para explicar a propagação de seres humanos ao redor do planeta. São quatro episódios divídios por continentes, acompanhando a própria história de ocupação da Terra. O primeiro, Out of Africa, é bastante esclarecedor, e muito interessante. Se você fala Inglês, não perca.
O que mais chamou a minha atenção foram os click languages do sul da África. Tentando entender as formas de organização de civilizações antigas, Alice atravessou o continente Africano em busca de evidências de um passado já bem distante. Na Namíbia, ela teve um encontro com uma tribo chamada San, que utiliza até hoje uma língua que data da época dos mais antigos de nossos ancestrais. Se você tiver curiosidade, sugiro que visite o site da BBC e vá direto ao minuto 25 do vídeo. Este é o momento em que ela fala sobre o idioma.
Aparentemente, as click languages foram criadas e aperfeiçoadas por privilegiarem a caça de animais no meio da savana. Por se tratar de uma combinação de cliques, o silêncio impera durante toda a conversa, sem impedir a troca de mensagens entre as partes envolvidas. Abaixo, um exemplo. Vale a pena assistir. Boa noite e até amanhã.
Bom dia. Embora os Brasileiros - aqueles que sempre ganham na Copa - tenham achado uma poltrona, um tambor, uma bóia, uma linha de 5km de destroços e um pedaço de aeronave com 7 metros de diâmetro, eles estavam enganados. É tudo lixo de barco e nada foi de fato encontrado. A verdade é que nós, as equipes de busca estrangeiras, já estamos na área para assegurar que nada jamais será entendido. Infelizmente o vôo da Air France com 228 pessoas à bordo sumiu no meio do Oceano e o ministro Nelson Jobim ficou maluco. Esqueçam este assunto.
Vocês sabem como é. O Oceano é muito grande e muito fundo, e o Airbus muito pequeno. Ninguém recebeu mensagem nenhuma do piloto, a caixa-preta não bóia, a culpa de tudo foi de uma tempestade e os pilotos de outros aviões na mesma rota estão falando merda quando dizem que as condições de vôo estavam normais. Aliás, todo mundo é louco. Nós é que sabemos da verdade e, por isso, resolvemos passar um comunicado mais apurado. Brasileiro só faz merda.Vá ler sobre calorias na Boa Forma.
A China divulgou esta semana uma resposta aos comentários repressores de Hillary Clinton sobre o massacre de 1989, em Pequim. A piranha disse que a China deveria reconhecer o massacre e consertar os erros cometidos no passado. Praticamente o domingo falando do feriado.
Que coragem a dos Estados Unidos em apontar o dedo aos crimes contra a humanidade cometidos por outros países. É muita ousadia, arrogância e cara de pau. O país de Guantanamo falando do país de Tiananmen Square. Abaixo, a resposta dada por Qin Gang, ministro das relações exteriores.
"As to the political turmoil and problems that happened in the late 1980s, the Communist Party of China and the Chinese government have already made a clear conclusion. We urge the US to put aside its political prejudices and correct its wrong-doings so as to avoid interfering with and damaging Sino-US relations."
Cada um no seu quadrado.
5 de junho de 2009
Na minha opinião, doido que é doido tem cara de maluco. Essa semana dois Ingleses foram presos por assassinar dois estudantes Franceses dentro de um apartamento em Londres. Assaltaram a casa, pediram os cartões e terminaram o serviço com fogo e 120 facadas. Um dos assassinos é o terceiro da coletânia abaixo. O segundo é pedófilo e o primeiro eu não quero nem saber, mas coisa boa não é. Está nos olhos. O que eu não entendo é porque a polícia deixa pra prender essa gente só depois que alguém morre.

Quando pequeno, foram incontáveis as vezes que passei na frente da tevê de Malhação ao fim da novela das oito. Era noveleiro. Gostava de assistir, acompanhar, e debatia os últimos acontecimentos com minha avó na praia. Queria saber quem era o assassino de A Próxima Vítima, e adorava ver as modernidades da internet em Explode Coração. Só não fui jogado no abismo da ignorância porque meus pais são pessoas educadas e souberam controlar o meu vício. A única vez que minha mãe jogou a toalha e se juntou a mim foi na época de Xica da Silva - sucesso absoluto lá em casa.
Aí eu cresci, deixei a novela de lado - a última que acompanhei foi Laços de Família (ótima) - e me dediquei a outras coisas inúteis que não vêm ao caso agora. Vício não se abandona, se troca. Passei para uma fase mais programas de entrevista. Vivia participando do Sem Censura por email, e até comprei uma briga com a Roberta Close no ar quando tinha apenas 14 anos. Quando a Marília Gabriela foi para a Rede TV!, escrevia sempre as minhas perguntas e ela, nutrindo meu vício, lia todas, já falando de mim como alguém que conhecia, em rede nacional. No auge de minha loucura, fiz resumos de entrevistas, e li todos os livros recomendados. Até entrevistador eu já quis ser quando pequeno.
Fui morar em Porto Alegre, levei minha televisão comigo, mas acabei trocando um aparelho pelo outro. Porto Alegre foi a entrada definitiva da internet em minha vida. Nessa época eu só ia para a televisão para assistir Multishow, GNT e alguns programas da MTV. Já fui viciado em The Nanny, da Sony, mas nunca consegui acompanhar essas séries - só Os Normais, depois de velho. Continuei, no entanto, gostando de - esporádicamente - assistir a um bom Superpop! com Luciana Gimenez, pra dar uma descontraída vendo uma baixaria. A Márcia Goldshmidt também era boa, mas a Luciana é burra, fazendo o programa ficar bem mais divertido.
Na época da faculdade, ainda em Porto Alegre, via muito Manhattan Connection porque queria morar em New York. Gostava de Saia Justa, Pé na Cozinha (com Astrid), João Gordo, The Osbournes e Sex and the City - eu deixei a novela de lado mas ainda assistia muita merda. E, finalmente, a notícia, desde muito pequeno. Não conseguia entender nada do que falavam, mas não piscava na hora do Jornal Nacional. Até hoje, às vezes, continuo sem entender, mas tento. A Globo News veio como um presente, e quando a transmissão ao vivo da CPI terminava eu ia direto para a TV Senado, para saber de tudo até a exaustão. Minha mãe é assim. Lê até o que não interessa.
Quando mudei para Londres, fiquei sem tevê por quase quatro anos. A internet foi minha fonte de informação durante este tempo. Hoje, depois de anos de separação, minha relação com a televisão voltou em níveis que considero normais. Assisto televisão quando leio sobre um programa interessante, como o de quarta-feira à noite sobre o massacre de Tiananmen Square na BBC2, ou quando não tenho absolutamente nada para fazer a não ser relaxar assistindo Crime & Investigation. Ainda gosto de muita merda do Brasil no YouTube, como Pânico na TV, entrevistas com Clodovil (todas) e Irritante Fernanda Young, mas não tenho mais tempo para me dedicar integralmente às maravilhas da inutilidade.
A tevê, por tanto, teve um papel fundamental na minha formação, mas foi sempre muito bem acompanhada de fontes independentes de opinião. Só meu pai sabe a quantidade de dinheiro investido em livros e educação. Foram anos de cursos de inglês, espanhol, violão, e até teatro - coitado. Só tenho a agradecer a meus pais, queridos, que permitiram o meu vício em novelas, minha inscrição em um curso de Jornalismo na PUC, e minha vinda para a Inglaterra aos 18 anos de idade. Acredito que muita paciência e coragem foram necessárias da parte dos dois, mas o trabalho passado deu resultado. Hoje eu sou uma pessoa feliz com o que me tornei, cercado de pessoas boas ao meu redor. Valeu.
4 de junho de 2009
Esta semana todas as minhas energias positivas foram sugadas pelos sites de notícia reportando o acidente do Airbus da Air France. É mãe com filho, mulher com marido, avô com neto, jovem a trabalho, o príncipe que morreu, os talentos perdidos, todas as histórias com fotografias, um horror. Conversei a pouco com minha mãe no Brasil, e chegamos à conclusão de que é melhor deixar a história de lado. Ela também sofre de lá. Foram dois dias muito tristes. Espero que a Air France pare com esta bobagem de botar a culpa no tempo - uma afronta à inteligência de quem pensa - e que tudo passe logo, para todos. Vou para a academia. Meu corpo precisa cansar.

Voltei a ler Human Cargo depois de perder o livro no caixa do supermercado. Estou com medo de ser aquele tipo de livro maravilhoso na primeira metade, e impossível de ler na segunda. Esse tipo de livro me irrita muito, porque dá a impressão que o autor não tinha assunto suficiente para um livro inteiro, enfiando tudo o que era relevante e interessante nos primeiros capítulos, e enrolando nos pedaços finais. No entanto, até agora, estou conseguindo aproveitar bastante as informações passadas pela autora, Caroline Moorehead.
Fruto de anos de ativismo e um profundo conhecimento da causa dos exilados, Caroline fala sobre suas experiências com imigrantes e asylum seekers de todas as partes do planeta. Seu primeiro contato, com os meninos perdidos da África, é cheio de relatos chocantes do começo ao fim. Dá pra ter uma boa dimensão do problema, e entender as causas e consequências com muita clareza. No caso de Caroline, seu trabalho foi desenvolvido junto à comunidade Liberiana, mas os meninos perdidos da África estão espalhados por grande parte do continente.
Os meninos perdidos são jovens e crianças que perderam suas família como resultado de conflitos como o de Darfur, tão mencionado neste blog. Perdidos no mundo e sem pátria, essas crianças são jogadas para fora de seus países sem direito à retorno. No Cairo, aonde a maioria dos meninos perdidos se encontram com a intenção de pedir asilo aos países desenvolvidos, estas crianças vivem em condições altamente precárias, sem possibilidade de trabalho ou renda, vagando a esmo em busca de melhores condições, educação e, acima de tudo, uma identidade.
O livro de Caroline é também muito interessante porque descreve com riqueza de detalhes a postura de países desenvolvidos com relação à refugiados e asylum seekers. Através de relatos históricos, Caroline explica que a postura discriminatória e racista dos Estados Unidos e da Austrália continua exatamente a mesma, embora as palavras usadas tenham mudado em função de novas políticas diplomáticas. São dezenas de informações e documentos mostrando o nível de exigências e a falta de humanidade daqueles responsáveis pela seleção de imigrantes Europeus na América. Relatos sobre as estações que recepcionavam os imigrantes lembram os campos de concentração nazistas, com pessoas escolhendo quem fica e quem volta, dividindo famílias sem uma definição clara de critérios.
Do outro lado do mundo, a Austrália - um país onde absolutamente todos os brancos podem ser considerados imigrantes - defendia uma política racista de branqueamento da população. Nas mãos dos brancos, os aborígenes eram restringidos à reservas de nativos como acontece no Brasil, sofrendo nas mãos de líderes que ignoravam suas necessidades. Hoje, embora um quarto da população Australiana tenha nascido no exterior, as políticas imigratórias continuam sendo das mais cruéis, e partidos políticos abertamente racistas jamais deixam de subir ao poder - reflexo de uma sociedade que ainda hoje mantém os valores de seus antepassados.
Embora estes países não mais usem palavras como sujo, burro, imbecil e escória para definir imigrantes e refugiados, o pensamento continua sendo exatamente o mesmo de 50 anos atrás. São vários os exemplos de representantes nacionais que defendem causas humanitárias junto à comunidade internacional na ONU, só para voltar pra casa e criar leis que dificultam a vida de pessoas em risco e à procura de abrigo. Obviamente, o aumento do fluxo de pessoas e a queda de duas torres em 2001 não facilitou a vida daqueles que procuram por uma fonte de salvação. Muita gente está na merda ao redor do mundo, mas o que dá notícia mesmo é o vôo da Air France. O assunto é delicado, o livro é ótimo, e eu por enquanto recomendo.
1 de junho de 2009
Não foi TAM, foi Air France. Bem quando eu falo em desastre aéreo, um avião some no meio do Atlântico. Eu e minha boca maldita. Quando o avião da Spanair caiu em Madri eu tinha acabado de decolar para São Paulo. Agora, essa da Air France, em outro trecho que já fiz. Não me acertarei por umas duas semanas a partir de hoje. Que as vítimas do acidente descansem em paz.
O século 20 foi dominado por uma divisão clara entre os diferentes modelos econômicos que resultaram de transformações macroeconômicas inevitáveis, marcando o início da era em que hoje vivemos. A América Latina e a revolução, os Estados Unidos e o progresso, e a Guerra Fria nas costas dos países desenvolvidos, meio correndo sem ter pra onde ir. Ao longo das últimas várias décadas, as diferenças entre estas nações foram largamente movidas por questões ideológicas de cunho político. Guerras alimentadas por intolerância econômica e arquitetadas por uma elite desenvolvida com sede de poder.
Depois, sem que ninguém claramente percebesse, o político deu lugar ao religioso. Aos poucos, com a queda do muro de Berlim, o fim da União Soviética e a abertura de países antes fechados para o capital externo, o planeta atingiu o nirvana através de uma estabilidade política antes inimaginável. Hoje ainda encontramos algumas lombadas no caminho - a exemplo da Córeia do Norte - mas o que pega mesmo é Allah. Logo, com a transformação do cenário internacional e as guerras recentemente lutadas pela América no Oriente Médio, ficou claro que o que era político virou religioso.
As questões em debate continuam sendo amplamente as mesmas. O bem e o mal, o pecado, o justo, e o necessário. O meu Deus, que é melhor do que o seu. Mas até que ponto fizemos uma boa troca? Há quem diga que questões religiosas são muito mais difíceis de serem resolvidas do que debates em torno de modelos econômicos. Tudo o que um país precisa para mudar politicamente é uma nova percepção, um novo ponto de referência, um sentimento generalizado de estagnação econômica, ou a incapacidade de um governo de fazer a máquina crescer e girar. O mesmo não se aplica para Allah.
Os Estados Unidos, como sempre, levantam a bandeira da democracia para justificar os ataques ao Afeganistão e Iraque, defendendo e suportando Israel na invasão dos territórios Palestinos. De volta à América, a ignorância e a intolerância - sempre devidamente disfarçadas através da diplomacia - aumentam ainda mais as diferenças religiosas e fazem destas as grandes propulsoras de uma sede louca por uma justiça que ninguém sabe como será alcançada porque ninguém sabe de verdade o que é.
Com as eleições de Obama, algo evidentemente mudou. O que era fundamental continuou existindo, mas sua equipe de governo definitivamente trocou a estratégia de conquista. Como na era de Bush muita merda foi feita, fica fácil apresentar melhoras. Vale relembrar que enquanto as tropas Americanas viajavam para a Ásia nos idos de 2003, seus líderes militares usavam passagens da Bíblia para justificar as atrocidades feitas no Afeganistão. Donald Rumsfeld - que por sinal deveria ser julgado e condenado em Hague - dava início a seus relatórios para o Presidente com passagens do nível "open your gates that the righteous nation may enter".
Esta semana Presidente Obama visita o Egito para falar mais uma vez com a comunidade muçulmana. Tratar religião com diplomacia pode acalmar os ânimos dos dois lados opostos, mas a percepção em casa e na Europa continua sendo exatamente a mesma. O vídeo abaixo mostra uma eleitora de McCain falando que não confia em Obama por ele ser Árabe (ela quis dizer muçulmano). Na resposta, pagando de tolerante, McCain disse que não aceitava tal comentário porque Obama é um homem de família. Na América, as duas coisas não caminham juntas. A diplomacia de Obama é bem-vinda, mas o buraco é bem mais embaixo.
31 de maio de 2009


O último verão de verdade que tivemos em Londres foi o de dois ou três anos atrás, quando temperaturas de mais de 35 graus foram registradas na região central da cidade. Aqui, quando o sol esquenta, o parque seca e as pessoas morrem. Ninguém está acostumado com o calor. O aquecedor do ônibus funciona sem parar. Embora só tenhamos tido dias esporádicos de calor depois do verão de 2005 ou 2006, 2009 promete ser do bom. Nossa primavera em si já foi melhor que os verões anteriores.
Com os mercados financeiros internacionais sofrendo as consequências da crise e o verão bombando na Inglaterra, perdem as empresas aéreas e ganham - estranhamente, para nós - a indústria da jardinagem. O sol, os parques cheios e o alto desemprego reduziram consideravelmente o número de pessoas planejando viagens internacionais, causando um impacto negativo nos números de empresas como EasyJet e Ryanair, afetando ainda mais as empresas aéreas mais caras como British Airways - empresa esta que está na pindaíba, tendo registrado um prejuízo duas vezes maior em 2008.
Um bom verão e desemprego, por outro lado, trazem boas notícias para empresas ligadas à jardinagem. A indústria, que registrou uma receita de £5 bilhões em 2003, caiu para £3 bilhões com o mal tempo de 2007 e agora apresenta sinais de recuperação. Pessoas desempregadas recorrem à jardinagem como terapia para ocupar o tempo gasto procurando novas vagas na internet. Os Britânicos são apaixonados por jardinagem. Vivem em função de seus jardins, mesmo sem um clima consistente para justificar o tempo perdido. É tipo curtir bonecos de neve na Paraíba. Vai entender.
Bom domingo e aproveite bem a informação inútil deste post para fazer algo que preste do seu fim de semana.
30 de maio de 2009
Li uma frase ótima atraibuída ao Mahatma Ghandi hoje na academia. First they ignore you, then they laugh at you, then they fight you, then you win. Praticamente uma lei da vida. O riso é a arma predileta dos imbecis.
29 de maio de 2009
Quem mora nos trópicos não se importa com essas coisas, mas hoje consegui dormir com as janelas abertas pela primeira vez em anos. Dormi e acordei, juntei todos os meus livros e revistas, e fui ao parque. O Heath fica a aproximadamente 15 minutos da minha casa. Na parte aonde eu fico - porque todo mundo acaba sempre voltando pra mesma parte - o público é, no geral, mais velho. Nada de criança pequena jogando bola ou brincando com cachorro. Quando estou lendo não gosto nem de criança, nem de bola, nem de cachorro.
Enquanto lia uma pilha de coisas que precisava deixar em dia, um grupo de mães chegou. Acho que eram umas 10, todas com seus recém-nascidos, carregando os carrinhos e se preparando para um exercício físico conjunto. Nada mais irritante do que exercício físico conjunto, afinal. Foi uma coisa militar. Todas pararam, deixaram suas crianças embaixo das árvores, e ficaram malhando umas coisas super esquisitas por alguns minutos. Depois, tão militarmente quanto antes, elas foram embora. Depois a expectativa de vida das mulheres é mais alta do que a dos homens e ninguém sabe o motivo.
Abaixo, então, algumas fotos do meu dia de hoje. As fotos foram tiradas do meu Blackberry Storm, que ainda está sendo testado, embora já tenha sido aprovado (super viciante, uma desgraça). Hoje, sexta-feira, perdi meu livro Human Cargo no ônibus, recebi as novas edições da National Geographic e Economist, comecei a ler sobre pequenas e média empresas para a dissertação do meu mestrado, fiz um mini recreio comigo mesmo no parque, e já comprei outro Human Cargo usado na Amazon porque o livro é ótimo e eu estou apenas na metade. Fiz tudo e nada ao mesmo tempo. Depende de quem vê.




Estocolmo por si só já é um problema. Meio parado, loiro e bege. Imagine você pagar para visitar Estocolmo e acabar em um hotel assim. Eu não consigo pensar em nada mais desagradável do que sair de um avião e entrar em outro - para dormir, tomar banho e café da manhã. Bem diferente, mas péssimo.
28 de maio de 2009
A TAM informou ontem à noite que vários vôos foram redirecionados de Congonhas para Guarulhos devido à interferência de uma rádio pirata na comunicação entre torres de controle e aeronaves. Depois de detectar uma série de buracos negros na cobertura aérea nacional após a queda de um avião da Gol, essa notícia. Como assim?
Eu tenho medo de avião, mas vivo no ar porque sei que a possibilidade de cair é pequena - ainda que existente, justificando meu medo. No entanto, com a quantidade absurda de pequenos incidentes que leio todos os meses nos jornais do Brasil, estou considerando banir viagens domésticas de avião até que algo seja feito quanto a isso. Aviões são constantemente arremetidos, turbulências fortes não são percebidas a tempo pelos pilotos e agora essa nova de rádio clandestina. Meus comentários dispensam links.
O mundo inteiro se dedica à segurança aérea, todos os grandes aeroportos pelos quais já passei parecem ser altamente organizados e bem cuidados, e até a China que tem uma quantidade de vôos infinitamente maior e aeronaves muito mais velhas registra uma média ridiculamente menor de acidentes aéreos do que o Brasil. Tendo isto em mente é fácil concluir que algo está bastante errado. Mudanças técnicas e de conduta precisam ser aplicadas com urgência para dar fim a essa roleta russa da incompetência.
Há tempos que não vôo TAM. É regra. Acho o serviço péssimo, os aviões internacionais são assustadoramente antigos, e sempre entro achando que não vou sair. As cadeiras reclinam muito pouco, o espaço é altamente reduzido, e o estofado cheira mal - tem aquele cheiro de quem usa sempre a mesma jaqueta, pega chuva, e continua sem lavar as roupas. Pra completar, TAM cai o tempo todo e os pilotos são brasileiros. Uma hora ou outra, aquele famoso jeitinho escroto acaba aparecendo. E jeitinho, em avião, acaba em merda. Eu, tô fora.
26 de maio de 2009

Algo está bem errado. O site da BBC deu várias notas sobre as enchentes do Amazonas. Segundo informações oficiais, 49 pessoas morreram e 400 mil crianças estão fora da escola por conta da água. Tanto a Globo quanto a Folha de São Paulo sequer mencionam o que está acontecendo na página principal de seus sites de notícias. Fiquei sabendo que quando morreram 100 em Santa Catarina, o país parou. O que estão esperando para ajudar o Amazonas?
25 de maio de 2009

Hoje, segunda-feira, é feriado no Reino Unido. Estavamos assistindo Revolutionary Road na cama e resolvemos interromper tudo porque o sol saiu e a temperatura subiu. Londres está nos presenteando com um fim de Maio maravilhoso. Tomara que o bom tempo nos visite durante todo o verão. Enquanto espero o banho alheio, resolvi dar uma passada para contar do restaurante libanês que descobrimos no sábado.
O Comptoir Libanais é um café libanês com cara de mini-mercado. Tudo é bem feito, bem apresentado, e bem vendido. Antes do bar, com uma variedade incrível de guloseimas (pratos frios e quentes), você dá de cara com uma prateleira enorme cheia de delicacies em embalagens daquelas que dá vontade de comprar uma de cada só pra colocar de enfeite na geladeira. Não compramos nada, mas comemos feito dois reis. Além de bom, é bonito e barato.
Não deixe de ir se puder.
Eu não sei nem por começar pra expressar a minha angústia quanto ao slogan que é título deste post. Com as eleições para o conselho da União Européia se aproximando, são vários os candidatos e diversas as propostas que aparecem por todos os lados. Um dos partidos usa esta frase infeliz do Gordon Brown, primeiro-ministro de um sistema nacional falido como é o da Inglaterra.
É claro. Com a crise e a perspectiva de um futuro incerto, todo mundo quer saltar do barco antes de chegar na queda. Tem pai que mata a família inteira, e tem partido político que começa a vomitar merda. O inadmissível, no entanto, é ter um país como a Inglaterra - um dos maiores defensores do capitalismo como sistema econômico - trabalhando em cima da idéia de que os trabalhos do Reino Unido devem ser dados para trabalhadores Britânicos.
Todo mundo já sabe. Sistemas capitalistas buscam em maior eficiência, melhor performance e baixos custos formas de aumentar o lucro. Com o dinheiro movimentando o sistema, a competitividade aumenta, e como resultado empresas ou trabalhadores ineficientes são levados à falência por não conseguirem sobreviver em um sistema que favorece quem dá mais. O Reino Unido, como todos os outros países Anglo-Saxônicos, colheu os louros do capitalismo durante um período muito longo, e hoje começa a sentir os efeitos negativos de uma política irresponsável que é culpa única e exclusiva dos países até então considerados líderes políticos e econômicos.
Logo, recebo com incrível frustração e espanto a reação imbecil de quem está assustado e não sabe pra onde correr. Países em desenvolvimento como os BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) têm cada vez mais voz no cenário político internacional, desfrutam de relativa estabilidade econômica e caminham rumo ao que parece um processo de ida sem volta. Considero um absurdo este slogan e pronunciarei minha verdadeira revolta abertamente para quem quiser ouvir. Eu poderia falar mais a respeito, mas não quero perder a minha segunda-feira de manhã alimentando o meu desgosto.
Espero que a Europa perceba rapidamente que não pode sem os países em desenvolvimento que fazem com que suas econômicas continuem girando. E espero, de coração, que esta bobagem termine logo depois das eleições. A crise é fruto da política irresponsável e exploratória dos países ricos, os resultados negativos são culpa exclusiva de governos Anglo-Saxônicos, e imigrantes do mundo não podem - e não vão - levar a culpa por um sistema falido, uma indústria pouco competitiva, e trabalhadores pouco qualificados e cada vez mais incapazes de andar com as próprias pernas.
24 de maio de 2009
23 de maio de 2009

Vendi a alma e recebi um upgrade da Vodafone. Mal vejo a hora de estar conectado o tempo todo. Vai ser um horror e o blog bombará mais do que nunca. Agora aguenta coração.
22 de maio de 2009
Acabei de ligar para a Vodafone reclamando uma lista das 30 coisas que me deixam puto quanto ao serviço de telefonia que eles oferecem. A telefonista, Ana, me deu uma dica ótima. Disse que existe um site chamado saynoto0870.com que oferece todos os equivalentes convencionais das empresas listadas no site. Hoje o dia terminará melhor porque o Barclays, meu banco, deixou de ser 0870 e passou a ser 02476842100. Quando na Inglaterra, diga não você também.
Esta semana li uma série de artigos a respeito da visita do Papa ao Oriente Médio, avaliando sua presença, criticando suas posições ao longo dos últimos anos de papado, e inevitavelmente comparando a sua administração à de João Paulo II. Em 2009, Papa Bento teve importantes compromissos diplomáticos que deixaram à desejar. Visitou a África, e fez um tour pelo Oriente Médio que incluiu uma desastroza passagem por Israel.
Alguns dos artigos que li argumentava que Papa Bento é mais autêntico, mais espontâneo. Dizem que todos os discursos dele são escritos por ele mesmo, e não passam por nenhuma aprovação antes de serem lidos em público. No mais, vale a pena lembrar, o Papa Bento tem um passado que é dificilmente bem aceito pela comunidade internacional. É alemão, já foi nazista, e dedicou-se uma vida inteira à escrever trabalhos acadêmicos ultra-conservadores, esbarrando em temas polêmicos como o uso do preservativo na relação sexual.
No Vaticano, o papo é o mesmo. Bento substituiu todos os padres e bispos responsáveis pela diplomacia da cidade-estado, passando o cargo para vários que sequer estudaram na escola que forma religiosos diplomatas. Ignorar a importância de bons diplomatas por trás de um chefe de Estado, ainda mais no contexto atual da igreja católica, é realmente não entender a necessidade de manter boas relações, falar o que deve ser falado, e ocultar o que não precisa voltar a vir à tona. Um bom trabalho diplomático faria tudo isso levando em consideração os objetivos do Vaticano ao redor do mundo - ter sempre, e cada vez mais, bons fiéis.
O resultado desse descompromisso são as gafes políticas que Bento não para de cometer. No ano passado, durante uma palestra na Europa, ele mencionou que o Islã é uma religião violenta, uma vez que conquistou fiéis ao redor do mundo através do uso da espada. Sua declaração causou revoltas e mortes ao redor do mundo, reinforçando o seu argumento, segundo disse através de um comunicado oficial logo depois. Mais tarde, a caminho da África, largou mais uma vez que usar camisinha está errado, e que religiosamente correto é se abster sexualmente para combater a Aids. E agora, usando uma sequência de palavras erradas em Israel, deixou de mencionar o Holocausto em horas importantes, enlouquecendo os locais presentes.
A verdade é que embora o Papa ainda faça barulho, tem muito pouco poder fora de países ainda largamente católicos como a Itália, a Polônia e outros países da América Latina. Aqui na Inglaterra notícias relacionadas são raramente publicadas. Tudo o que ouvimos são críticas de pensadores dizendo que a igreja católica parou no tempo, acadêmicos ofendidos com declarações que contrariam interesses sociais (como no caso do preservativo e do combate à Aids), e escândalos envolvendo padres pedófilos e estupradores. Sim, a igreja católica tem todo o direito de excomungar uma menina de 9 anos grávida do padrastro. No entanto, a realidade é que o mundo dá cada vez menos atenção e importância para o que a igreja faz, ou quem ela excomunga.
Se o outro Papa era pop, esse Papa é péssimo.
21 de maio de 2009

Este fim de semana vamos ver qual é a do Kuniyoshi no Royal Academy of Arts e, quem sabe, finalmente, dar um pulo na galeria de fotos do V&A. Segunda-feira é feriado. O meu já começou faz dias. Bom descanso pra você também.
Quando eu era pequeno, minha tia costumava dar surras em seus filhos com a mangueira do botijão de gás. A técnica não deu um resultado muito eficiente, mas deveria ser reintroduzida no mercado. Nos Estados Unidos, uma retardada fugiu com o filho que tem câncer, por acreditar que uma religião indígena alternativa vá curar a criança. Os médicos dizem que as chances de cura do menino, caso siga tratamento convencional, são altas. Agora, obviamente, a justiça está atrás desta insana para tentar salvar a pobre criatura inocente. Parece que em Guantanamo ela volta ao normal.
Ontem eu descobri que os bilhetes comprados para assistir Madame de Sade no teatro eram para o dia 17 de Maio - domingo passado. Não, eu não poderia ter ido por conta de minha última prova de finanças. Com as provas já marcadas, a pergunta que não quer calar é porque diabos eu resolvi marcar a peça para esta data horrível e impossível. Todas as possibilidades levantadas em um conselho de ética domiciliar organizado de última hora não fazem nenhum sentido. Se aos nem 25 anos essas coisas já acontecem, imagine você o nível de atrocidades que cometerei aos 50.
20 de maio de 2009
Quem sabe um pouco mais do que eu a respeito do conflito vai achar este post irritante, mas resolvi escrever porque hoje tive uma mini-aula interessante a respeito da região. O Sudão foi dominado pelos Britânicos até a metade dos anos 50. Depois disso, por um motivo ainda desconhecido a mim, o país foi deixado nas mãos da minoria Árabe, que até hoje controla o país.
Com a propagação do domínio político e militar dos Árabes, a maioria preta se revoltou ainda nos anos 70, ganhando um micro território no sul, chamado de Sudão do Sul. Lá os pretos têm autonomia e poder, embora ainda respondendo e cumprindo ordens deixadas por al-Bashir, o presidente Árabe do Sudão.
São mais de 50 anos de revoltas internas. Dois dos três líderes do Sudão desde a saída dos Britânicos implementaram as leis da Sharia, submetendo não-muçulmanos à lei islâmica. Embora a maioria do país seja de fato muçulmana, muitos dos pretos possuem suas próprias tradições tribais e religiosas, não concordando com as restrições impostas pelo governo central.
O conflito. Este que vemos hoje na tevê tem a ver com vários fatores e envolve diretamente a Líbia, a Inglaterra, a China, e o meio-ambiente. Ingredientes perfeitos para uma grande merda. Pra começar, então, podemos voltar às origens do problema, analisando o clima interno de extrema tensão entre Árabes e o povo nativo do Sudão - os Pretos.
A história começa na boa. Pretos e Árabes sempre viveram juntos na região de Darfur. Os pequenos conflitos que surgiam desse convívio eram resolvidos entre eles mesmos, através de conselhos de pessoas mais velhas e influentes - os sheikhs - ou, em última instância, batalhas travadas fora das aldeias, para proteger mulheres e crianças de ambas as tribos.
Com a mudança climática e a diminuição das chuvas depois dos anos 80, Darfur passou a dispor de menos recursos naturais para o pastoreio. Com a redução das regiões propícias para o cultivo da terra e a criação de animais, Pretos e Árabes passaram a ter que dividir o mesmo solo, dificultando cada vez mais o convívio entre estes dois povos. Como dividir nunca foi das atividades favoritas dos seres humanos, o circo estava armado.
O governo Árabe do Sudão, defendendo os seus próprios interesses, passou a fornecer armamento para os fazendeiros Árabes de Darfur, dando início a opressão racial que deu origem ao que foi mais tarde classificado pelas Nações Unidas como genocídio. Durante o mesmo período, a Líbia de Gaddari tentava expandir seu território mais ao sul, invadindo o Chad. Mais de 50 mil armas se perderam no mercado negro de Darfur (o suprassumo da redundância).
Com isso, desta vez armados, os nativos de Darfur passaram a revidar os ataques executados pela milícia Árabe apoiada pelo governo do Sudão - os chamados Janjaweed. O presidente do Sudão, al-Bashir, resolveu que era hora de expulsar os nativos de Darfur, matando meio milhão de pessoas para dar espaço aos fazendeiros Árabes e, é claro, aqueles dispostos a fazer mais dinheiro explorando as reservas naturais da região.
Como esclareci no post anterior, o presidente do Sudão foi condenado pelo tribunal internacional de Hague por genocídio e crimes contra a humanidade, mas continua exercendo seu poder como se nada tivesse acontecido. O governo do Chad, país vizinho, mantém a hospitalidade de receber os refugiados de Darfur, mesmo sob ataque do governo do Sudão que agora resolveu atacar os campos localizados na fronteira. Resumindo, o Sudão - e especialmente Darfur - continua largamente ignorado pela comunidade internacional.
Fica difícil entender o motivo real dos países ricos em aceitar o convívio com um conflito que continua a matar os nativos de Darfur, um governo opressor que age contra os interesses de seu povo, e mais um genocídio que serve para provar que a eliminação de povos é efetiva e difícil de punir. E a China, que agora ficou importante, é o país que mais compra óleo do Sudão. Uma medida drástica vinda do Oriente certamente traria resultados positivos ao conflito, mas coerência não pode ser esperada de um país que não dá importância aos direitos humanos dentro de seu próprio território.
E assim o conflito continua, lá no Sudão, longe de tudo, terra de ninguém. Ninguém quer entrar, ninguém quer resolver, e ninguém quer mais saber.
19 de maio de 2009




13 de maio de 2009
Hoje tive a maior prova de que ignorância é mesmo força, como disse no post anterior. Amanhã tenho uma prova de Research Methods. Passei seis meses preocupado com a parte quantitativa da matéria, mas hoje, ao rever todos os ítens e regras da prova de amanhã, atingi o nirvana. As questões são tão complexas e cheias de equações, que uma calma súbita muito grande tomou conta de mim na biblioteca.
Colocando tudo na ponta do lápis e calculando, o benefício de não saber do que se tratam as questões é muito maior do que o custo de ficar mais velho sofrendo sobre o leite derramado. Preocupação dá dor nas costas, pesadelo e câncer. Dá próxima vez terei o cuidado de me certificar que nada como estatística está na grade do curso em que me inscrevo. Vivendo, aprendendo e apanhando bastante sempre.
Update
O post acima foi escrito ontem. A prova já foi feita e todos viveram felizes para sempre.
12 de maio de 2009
Ignorância é força. Ouvi dizer por aí que o presidente do Paraguai era padre e fui checar a informação. Fernando Lugo era não só padre, como bispo da diocese de São Pedro. Em Abril deste ano, três mulheres apareceram dizendo que Lugo é pai de três crianças diferentes. Coisa da época em que ele ainda dava a comunhão para as velhinhas de Assunção. Lugo já reconheceu uma criança. As outras duas, ele deixará para depois. O Paraguai tem aproximadamente 7 milhões de habitantes e 91% da população é Católica. Para você que não sabia nada sobre o Paraguai como eu, ficou sabendo agora.
Islândia
Hoje é dia de homenagear os países mais desimportantes do mundo: o Paraguai e a Islândia. As notícias da Islândia nunca chegam por aqui, mas o país acaba de eleger Johanna (com sobrenome impossível de escrever ou pronunciar) para presidente. Além de aeromoça (com cara de aeromoça e tudo), ela é a primeira chefe de Estado gay a se eleger em todo o mundo. Como a Islândia deve enviar sua aplicação para se juntar à União Européia em Junho, acredito que ouviremos falar mais de Johanna em um futuro não muito distante. Até lá, a Islândia continuará meio pequena e isolada, lá em cima, flutuando com 300 mil pessoas em cima.

10 de maio de 2009
Eu tenho ficado cada vez pior com datas. Tenho medo que minha auto-percepção de ser ruim nisso me leve a uma situação de permanente esquecimento de tudo. É que nem matemática. Por me considerar péssimo, já acho que não tenho solução. No segundo grau, colei todas as provas. No vestibular, chutei quase tudo. E agora, no mestrado, não faço questão de aprender, primeiro porque não quero, e depois porque já acho que não consigo entender. É mais uma questão de não perder tempo com o inatingível. O custo benefício não compensa.
Mãe, eu te amo!

Há um mês avisei que não lembraria da data e pedi para ser lembrado. Mãe sempre lembra dessas coisas. Minha mãe, no entanto, não avisou. Hoje é domingo, dia das mães, e a minha ficou se fazendo de salame - como dizemos no Sul, aonde a sociedade se organiza em torno da produção do salame. São seis horas da manhã no Brasil, e eu tenho vontade de ligar só pra encomodar, mas vou me conter. Então, no dia das mães, nada mais apropriado do que postar uma foto da minha. Mãe, eu te amo!
Sempre que entro no Orkut pra especular através da conta secreta da família, saio reflexivo. Todos os perfis têm fotos do Carnaval, todo mundo se veste de mulher, e o ano daqueles que um dia estudaram comigo é dividido entre a parte em que se economiza pra comprar um som melhor pro carro e a parte em que se economiza pra alugar uma casa de praia em 452 pessoas.
Pau a pau com o álbum do Carnaval está o da formatura, no daqueles que se formaram. Um orgulho para os pais, embora ninguém goste de ler, estudar, ou trabalhar. Como quase todo mundo tem dinheiro, o desinteresse sempre acaba revertido em intercâmbio cultural aos 25 anos. Muito mato, leite de vaca e roupa chadrez no interior da Virgínia. Pra aprender inglês de novo, explicam as avós.
E tudo bem, porque afinal eu sou uma pessoa evoluída e tolerante que não perde tempo falando mal dos outros no domingo de manhã. Hoje o sol está lindo - é o domingo com mais cara de domingo de todos os domingos de 2009. E o que eu vou fazer? Eu vou botar a minha capa de Harry Potter pra estudar o dia inteiro em Hogwarts, imaginando do alto da torre do castelo como teria sido bom nunca ter feito a inscrição na Kings College. Amanhã, quarta e sexta-feira eu tenho provas finais de Comparative Management, Research Methods e International Business Strategy. Semana que vem, a cereja do bolo: International Finance and Accounting.

E pra fechar, já que não dou as caras há dias, um pouco de cultura. A Maughan Library é a biblioteca da Kings College em Chancery Lane. Tem mais de 750 mil livros, jornais, cds e dvds, foi construída em 1851 e de tão bonita dá até vontade de estudar - salvo domingos mais domingos de todos os domingos do ano. Tem até página no Wikipedia só pra ela. Então vá lá você aproveitar o seu domingo, que eu vejo o que eu faço do meu por aqui.
4 de maio de 2009
Aqui na Europa, protestos contra os efeitos causados pela integração da Europa através da União Européia não param de crescer. A França passou o fim de semana inteiro protestando - embora às vezes eu tenha a impressão que a França passe todos os finais de semana inteiros protestando de qualquer maneira. Trabalhadores da Europa ocidental e rica pedem medidas imediatas que protejam nações como Inglaterra, Itália e França da mão de obra reduzida que multinacionais encontram em países do leste, como Polônia e os Bálticos. Agora, com a água batendo na bunda, pedem igualdade dentro do bloco econômico.
Não é de hoje que as transformações vêm acontecendo, e todos sabemos que o processo é irreversível. A liberação econômica veio claramente para ficar. O problema, no entanto, é que cada vez mais - e principalmente com a crise - os países ricos da Europa (e do mundo) percebem que os efeitos da globalização privilegiam principalmente as empresas multinacionais e os países em desenvolvimento. Na medida em que o tempo passa, as coisas parecem piorar para aqueles que antes dominavam o cenário político internacional. Veja porque.
Durante as últimas décadas, a Europa e os Estados Unidos resolveram dar continuidade à política econômica de exploração de sempre, achando que mais uma vez tudo acabaria em pizza. Iriam explorar a China, passar a perna na Polônia, tirar um sarro do México e, no bom estilo colonizador, trazer toda a riqueza como fizeram quando descobriram os minérios na América do Sul. A China se tornaria a fábrica de quintal dos Estados Unidos, e todo mundo seria feliz para sempre, ganhando uns centavos e trabalhando feito animais. No entanto, o feitiço virou contra o feiticeiro.
O que percebe-se hoje em dia é que os países em desenvolvimento - e em uma escala menor, também o Brasil - passaram a desenvolver produtos de alta tecnologia que competem diretamente com aqueles criados no mundo desenvolvido. Deixaram de se especializar em bonecos de plástico, e passaram a priorizar pesquisa e desenvolvimento de novos produtos. No último ano, para espanto de todos, a China registrou a patente de 1,225 novos produtos, ganhando casos de alta tecnologia contra grandes empresas como a coreana Samsung. Dessa forma, com tecnologia de ponta e mão de obra barata, Obama tem motivos de sobra para se preocupar.
Estamos vivendo uma época importante de transição. O mundo já viu o mesmo acontecer inúmeras vezes. A mesma trajetória seguida pelos Estados Unidos quando em desenvolvimento, no século 18, é agora perpetrada por países em desenvolvimento que não param de crescer, trabalhando duro em alcançar capacidade técnica que os permita igualdade de competição. Quem antes só servia para fazer noodles e burritos, terá chances de conseguir condições melhores de vida. Já o mundo dos loiros de olhos azuis ganhará o direito de pedir igualdade. Afinal, a igualdade de uns, é o problema de outros.
2 de maio de 2009

Sempre que a Mega-Sena acumula, meu pai recebe um email com seis números que infelizmente nunca nos levaram a lugar nenhum. Mas eu jogo. Adoro jogar. Sou daqueles que quer mais, vende a casa, faz dívidas e depois mata a família pra não ver ninguém sofrendo. Todo cuidado é pouco. Hoje vi que a EuroMillions acumulou em £101 milhões - ou aproximadamente R$ 330 milhões. Quando eu era pequeno, passava uma semana pensando em o que fazer com o dinheiro. Hoje apostei e estou concorrendo a £101 milhões. A possibilidade existe, a sorte está lançada e já estou fazendo meus planos contando com o dinheiro na conta. Essa semana me sentirei potencialmente mais rico que todo mundo.
30 de abril de 2009
A esmagadora maioria dos políticos dos Estados Unidos são formados em Direito. Obama é de Harvard, Hillary Clinton de Yale, Joe Biden de uma outra meio desconhecida e, assim como eles, quase 60% de todos os outros. A Economist explica que o sucesso de advogados em países democráticos desenvolvidos pode ser justificado por questões práticas do Direito como a determinação e a implementação da justiça na sociedade, o balanço entre liberade e segurança, e a obcessão por termos como inocente e culpado (o eixo do mau).
Já do outro lado do mundo, na China, 40% dos políticos são formados em engenharia. Hu Jintao, Jiang Zemin, Wen Jiabao e afins. Durante o Maoísmo, enquanto educação de uma forma geral era repetidamente reprimida por medidas do sistema, engenharia parceria ser uma área segura para aspirantes a uma carreira de sucesso. Fortemente influenciada pela União Soviética, a China nutria a mesma paixão por grandiosidades. Enquanto a União Soviética investia em Sputniks e tentativas de reverter o fluxo dos rios, a China contruía pontes, prédios e monumentos. Quanto maior a obra, maior o status do engenheiro.
No Brasil, quase 20% de todos os políticos são médicos. Nosso sistema público de saúde é uma piada, o governo é altamente corrupto e todo mundo só se fode. É claro que o fato de a medicina ser uma profissão altamente reconhecida no país deve ter uma explicação mais coerente, mas eu prefiro acreditar no boca a boca que leva a elite a acreditar que profissão boa de verdade, é aquela de hospital. Como médico entende mesmo é de corpo humano, a política nacional continua jogada às traças, meio sem saber o que fazer ou pra onde correr. Até nosso próximo presidente, é médico.
29 de abril de 2009
28 de abril de 2009

Finalmente um restaurante diferente que não parece indiano, e não tem noodles no menu. Tbilisi foi uma ótima decisão, e certamente receberá novamente uma visita em 2029. Não vou ficar falando de comida pelos mesmos motivos de não ter falado sobre muito sobre arquitetura no post anterior, mas comemos Chakhokhbili e Chakapuli, recomendados por uma simpática garçonete falante que não consegue se expressar em Inglês.
As trombetas
Em duas semanas tenho meus exames finais do mestrado. Um total aproximado de 16 perguntas sobre 4 matérias diferentes, fazendo um apanhado desnecessário de todos os assuntos abordados durante os últimos 10 meses de curso. Fica aqui oficializada a minha promessa pública de nunca mais fazer matrícula em um curso tão difícil, complexo, e cheio de provas. Hoje eu estou, então, morto e enterrado. Já ouço de longe as trombetas do apocalipse. Boa noite.
Com a nova moda da gripe do porco ninguém mais fala da crise econômica. É impressionante como ficou cada vez mais fácil controlar o que as pessoas ouvem, falam e pensam.
26 de abril de 2009
















