20 de setembro de 2004

"I'll beat that bitch with a hit"



O dia nem sempre ta perdido quando chega ao fim. Sabado a noite, depois de passar o dia com a bunda no sofa e pouco disposto a sair no frio, tomei coragem e fui pra Holborn assistir Miss Kittin na The End.

Chegamos muito cedo e aproveitamos pra forrar antes de bombar. Entramos em um restaurante italiano ao lado de um desses musicais cheios de letreiros, jantamos muito bem e entramos as 23h pra sair no dia que ainda nao tinha comecado.

Musica b-o-a fazia pessoas escolhidas a dedo fritarem em todas as pistas do lugar. A Miss Kittin e as pessoas. E a Miss Kittin. E as pessoas. E todo mundo louco, transpirando arrepios e subindo nas paredes. Top10 das baladas da minha vida. Facil.

13 de setembro de 2004

R u mad?

Eu disse que isso voltaria a ser um blog, mas entrei pra desdizer. Enquanto eu nao tiver internet e teclado com acento, fica complicado manter a vida virtual de tempos atras. Por aqui, tudo nos conformes. Mudei pra Camden Town, trabalho no head office do Sainsbury's e quero bater no gordo jovem que fica gemendo enquanto metralha pessoas em um desses jogos de criancas treinadas pra matar. Ontem a noite teve Bouncing Souls no The Garage. E eu fui.

4 de setembro de 2004

Where's my fun?

Dirty pretty things

"We're the people you don't see. We're the people who drive your cabs, clean your rooms and suck your cocks." É mais ou menos isso que acontece com quem resolve que precisa de dinheiro e passa o dia servindo um bando de desesperados que come olhando pro lado com ares de desconfiança.

Meu aniversário foi em meio a louças e sanduíches, comemorado com milhares de ingleses que fazem pedidos enquanto tentam adivinhar a minha nacionalidade. Se eu sou do Brasil, eles têm amigos da Colômbia. Quando resolvo dizer que sou francês, eles vão à Paris todos os verões. Agora, se eu erro os ingredientes porque não consigo decorar vinte e dois pratos diferentes em trinta e cinco minutos, sou aquele que veio comprar uma casa pra mãe no meio da selva amazônica.

Estou trabalhando há uma semana e já não agüento a onda dessa raça esquisita. Passam o dia flertando com os colegas em cabines cheias de tecnologia, comem coisas estranhas e pedem batatas fritas sem gordura como se fizesse alguma diferença. Pra comer, apertam botões. Pra cagar, contam com maquinas automáticas que borrifam bom ar quando o mau cheiro toma conta do banheiro.

Acontece que, no fim de tudo, todos fazemos a mesma coisa. A gente finge que trabalha, os gerentes fingem que acreditam e pagam duas vezes mais do que merecíamos de verdade. Aí o dia termina, todo mundo diz que ta cansado, vai encher a cara em algum lugar e acaba indo pra cama (sozinho) pouco antes do despertador gritar que outro dia ta apenas começando.

Uma semana nova, com dezenove anos, novo ambiente de trabalho e colegas que falam línguas de países que eu nem sabia que existiam. Hoje já é fim de semana, acabei de acordar e já estou pronto pra aproveitar o sol que faz lá fora. A idéia é visitar a exposição dos irmãos Campana no Museu do Design, mas comprei Billy Eliot e pretendo terminar de assistir pra pirar sozinho em cima de todas as locações que eu já visitei pessoalmente. Beirando o insuportável, porque é assim que tem que ser.

Edicao de post (ja sem acentos): nao fui no Museu do Design porque resolvi perder a tarde olhando um jovem idiota se jogar do ultimo andar do maior predio de Londres. A cidade parou, mas o barulho da queda nao foi tao grande assim...