25 de julho de 2005

Boom

É claro que a idéia de sair de casa e morrer no metrô não agrada, mas ninguém deixa de fazer uma puta viagem por medo de entrar em avião. Esses obviamente existem, mas tem gente que come barata pra ganhar prêmio e outros aí com umas taras bem bizarras que eu sei. Como aqui na capital do mundo sempre tem alguém fazendo algo absurdo que você nunca imaginou ser possível antes, uma meia dúzia de tiozinhos pode sim explodir do nada em nome de Alá. Pra toda ação, uma reação. Uma história sem vilão. Uma sequência de erros.

Só é foda porque brasileiro tem mania de achar que o Brasil é uma maravilha. Vai morar ilegal em outro mundo, corre da polícia, leva tiro e acha fala que quer mesmo voltar pra terra da paz. Eu sei que o ato de reclamar ta no sangue, mas compra uma bicicleta. Ao invés de ler cinco jornais com as mesmas notícias pra catar uma informação desnecessária ou uma foto diferente a mais, vai na sessão infantil da livraria mais próxima e compra algo pra colorir.

Sim, é perigoso. Claro, ninguém sabe quando pode acontecer. Mas tem tanta coisa diferente pra ser feita e tantos lugares seguros a serem frequentados que eu não entendo a razão de tanta fofoca. Não quer sair? Fica em casa. Ta com medo? Desliga a tevê. Viaja pro exterior, vai jantar fora, planta umas flores na sacada e dá uma limpada no banheiro, mas não enche o saco. Pra tudo tem uma solução, difícil é perceber que o problema pode ser você.

22 de julho de 2005

Aqui, do outro lado, é difícil parar pra respirar. Levaram minha mochila, mexeram na minha vida e eu não tenho um celular. Dá vontade de ir morar na Rússia, mas agora é hora de fazer uns tópicos na agenda e tentar não passar nada pra qualquer dia da semana que vem. Eu costumava ter tempo pra pensar e planejar, mas o tempo foi passando e eu fui passando com o tempo. Agora as coisas precisam ser resolvidas no último segundo, que já passou agora.

Eu não tenho uma língua, não tenho uma mesa com lugar pra escrever e não consigo mais parar pra pensar em alternativas diferentes pra amanhã. Escrever é uma atividade que ficou meio ali, no canto, perdida entre uns papéis do passado e a vida que corre sem pausa pra botar um chinelo e ir passear. Essa coisa de ir no rio ver uns casais com filho no carrinho é privilégio de poucos que não fazem do grupo ao qual pertenço. Aí, no fim, eu não sei mais escrever. Um dia eu volto, mas um dia é só uma página em branco da minha nova agenda. Porque, como dá pra perceber, levaram a minha agenda também.