Resolvi fazer uma limpa. Amizade não renovada azeda e fede. Pessoas que foram interessantes podem perder o brilho do nada e se rola uma merda ou duas no meio da história o melhor mesmo é fazer tópicos e mandar tudo por escrito feito lista de supermercado. Sem briga e fofoca, mas fazendo um bonito e agindo feito gente grande.
A verdade é sempre meio cruel, mas andei descrevendo a minha relação com algumas pessoas para as mesmas e citando nessas mensagens uma série de coisas que estavam me deixando puto pra caralho (eu tava escrevendo altamente insatisfeito, mas puto pra caralho representa bem o estado de espírito em que eu me encontrava). Esse tipo de mensagem é assim: você explica os motivos, argumenta, diz que essa é a sua opinião e termina dizendo que não quer mais ser amigo.
É mais simples, machuca menos e fica tudo bem. Sem ofender, com calma e medindo as palavras. Sem rancor, sem problemas, numa boa. Agora é só continuar a viver sem ter que ser pai de criança que não quer crescer e, claro, evitando aquela onda de fingir que é amigo. Depois de um tempo você fala tanto do amigo que acaba se achando, de verdade, um filho da puta.
Assim, com cuidado, legal. Uma prova de respeito e carinho por aquele que também cuidou da relação, junto com você. É mais um fica na sua e não enche o saco feito de forma educada e honesta. Agora eu vou ali pra deixar de ficar falando como a porra da Marta Medeiros. É lindo como um porra faz toda a diferença.
24 de setembro de 2005
21 de setembro de 2005
17 de setembro de 2005
Tem coisas que eu gosto e coisas que eu não gosto. Dessa eu gosto. A Coca-Cola anuncionou há pouco tempo o lançamento de uma série de garrafas de alumínio com o trabalho de vários designers de diferentes empresas do mundo todo. A idéia é chamar a atenção do consumidor para atrapalhar o processo de banalização da marca, fazendo com que o consumidor peça Coca-Cola ao invés de esperar que o refrigerante vá até a ele.
Aqui no Reino Unido os responsáveis pela campanha são os caras do Designers Republic que trabalham perto do Social e por lá aparecem quase todas as noites. Bem pentelho, fiz prometerem a coleção inteira e três delas já estão aqui em casa deixando meu quarto colorido. Um dia, quando o refrigerante acabar no meio da festa, elas serão a solução.
15 de setembro de 2005
For those who believe in God, most of the big questions are answered. But for those of us who can't readily accept the God formula, the big answers don't remain stone-written. We adjust to new conditions and discoveries. We are pliable. Love need not be a command or faith a dictum. I am my own God. We are here to unlearn the teachings of the church, state, and our educational system. We are here to drink beer. We are here to kill war. We are here to laugh at the odds and live our lives so well that Death will tremble to take us.
6 de setembro de 2005
Eu não nasci em família tradicional italiana, ninguém chama minha vó de nona e pasta por lá é comida sem sal por causa do problema de pressão alta do meu avô. Não tenho sobrenome italiano e nunca soube de alguém da minha família que tivesse, mas ao que tudo indica eu estava errado e é por isso que estou na Itália virando italiano da noite pro dia.
Resolvi fazer isso porque na cidade em que eu moro brasileiro puro lava prato de restaurante turco, faz kebab e entrega panfleto na esquina da Oxford com a rua pequena do Soho Square. Mudei porque precisei mudar. Virei outra coisa porque a coisa que eu era antes não dava muito certo no lugar que escolhi pra viver.
Aí eu arrumei os meus quinze quilos de qualquer coisa dentro da mala e fui pra Milão achando que ia ver as melhores roupas nas melhores avenidas e desfilar com o meu tênis velho sujo rasgado por aí. O advogado não esperou no aeroporto, a cidade inteira é uma bosta fechada que não abre nunca e a casa em que eu fiquei não era um quarto individual com roupa de cama.
Como eu tenho que fingir que moro lá, aluguei uma casa em Milão. É claro que aos meus ouvidos a coisa era boa pra burro, mas ao chegar na minha casa alugada descobri que ela foi reduzida a parte inferior de um biliche localizado em um quarto de quatro camas de um bairro há quarenta e cinco minutos do centro de Milão. É claro que as coisas sempre podem ficar pior.
A dona da casa é uma puta do Tocantins. Não uma puta assim só putinha. Ela é puta mesmo. Daquelas que têm clientes e colocam quadro de corpo em cima da televisão no meio da sala pra todo mundo ver. Daquelas que passam um fim de semana na casa de um marroquino diferente fazendo o que ninguém desconfia que ela faz lá em Gurupi - uma cidade de 70 mil habitantes no meio do norte do país.
Eu, que sou sociável até com puta do Amazonas, fiquei lá conversando e recolhendo informações pra poder contar a minha história logo depois. Ela contou dos filhos, dos maridos e eu fui tentando assimilar esse monte de gente no plural enquanto ela falava com ela mesma. Ela, muito índia, ia virar italiana também. Casou com uma bicha que foi pro Brasil e queria ter o passaporte do nosso país. Não é um amigo, nem tem nome - é só uma bicha que quis casar.
Aí pra não ficar nessa situação de ter que fazer amizade com a baiana eu comprei uma passagem de trem pra Roma e estou sentado nas margens de um rio na terra do papa olhando pro Vaticano e pensando em abandonar a missão. Tem uma piscina nas margens desse rio. E na piscina tem um bar.
