Estava aqui aproveitando meu ócio nada criativo pra ler o Orkut dos outros. Saramago tava difícil, García Marquez complicado, aí fechei os dois livros e fui prestar atenção no perfil das pessoas. Levei cinco minutos pra perceber que aquilo virou competição. Todo mundo aproveitando pra dizer que é legal.
Lá, no mundo da imaginação, todo mundo é muito bom. A foto principal é provavelmente a favorita de vários anos de máquina digital. Na parte dos testemoniais todo mundo se adora e o pior defeito é o clássico "maluco" que todo mundo adora ser. Aí tem uns recados mais ou menos e a bomba. Que são os livros, filmes e derivados.
Tem gente que lista em ordem alfabética, provavelmente com o auxílio do Google. E uns piores que aproveitam pra botar os títulos de todos os autores que nunca leram porque já ouviram em algum lugar que quem lê Kafka deve ser muito articulado ou inteligente. O nome é bom, mas quem é Kafka mesmo? Nem eu sei.
Aí assim. Tem os que gostam de Kill Bill porque o Tarantino é um diretor excepcional e usa cores e tem umas músicas legais na trilha. E outros muito sinceros, como a minha irmã, que colocam o filme da Paris Hilton na lista dos filmes da vida. No fim das contas tudo fica muito óbvio. Os roqueiros estão na comunidade das drogas e a galera sem graça do pagode fica mesmo é na cerveja.
Ó, mundo cruel. Fico por aqui antes que comece a falar dos pecados que eu mesmo cometo. Nesses termos todo mundo fica bem e ninguém descobre a farsa que sou. Viva o Orkut. Sejam meus amigos, virem meus fãs, deixem mensagens, votem em mim.
25 de janeiro de 2006
Assinar:
Postagens (Atom)