Depressão
Cada um entende e trata como pode. Acabei de ler no Human Cargo que uma enfermeira da Libéria criou um método diferente pra cuidar de refugiados do campo de Kuankan, adaptando medicina e psicologia à cultura local. Em partes da África, e especialmente na Libéria, sintomas de depressão profunda são frequentemente atribuídos à crença na abertura repentina da parte superior da cabeça - mais conhecida por moleira. Para estas tribos, aquele é o buraco por onde todos os pensamentos negativos têm acesso à parte interna da cabeça.
Com a intenção de conversar com estas pessoas, geralmente vítimas de cruéis ataques rebeldes, a enfermeira desenvolveu um tratamento aparentemente eficiente que combina crenças locais à conversa. Inicialmente o processo consiste em raspar o cabelo do paciente, lavar a parte superior da cabeça e aplicar uma combinação de ervas na área da moleira. Depois da aplicação, Susan aproveita para conversar com os pacientes, abrindo um canal único que dá aos refugiados a oportunidade de falar a respeito de suas histórias e tormentos.
À exemplo de qualquer outro tratamento terapêutico, as aplicações das ervas se repetem durante um período longo de tempo, até que - segundo Susan - os próprios pacientes voltem avisando que a moleira foi finalmente fechada. Calcula-se que somente no campo de Susan mais de 30% dos refugiados sofram de depressão profunda. São casos horríveis de famílias inteiras destruídas, e traumas que parecem impossíveis de serem superados. Há pouco estava lendo o relato de um garoto que assistiu à decaptação da avó. A cabeça foi usada por soldados como bola de futebol. Vai entender.