Encarregado
Amanhã meu sogro e minha sogra chegam pra quatro dias de visita oficial. Festejaremos dois aniversários, sairemos pra jantar, e eu ficarei bêbado e falarei várias merdas horrorosas. Same old, same old. Aí escreveremos trabalhos e terminaremos orçamentos, discutiremos coisas sérias, repetiremos toda a história do Tibet (de leve), mostraremos os álbuns de viagens, e teremos a casa avaliada. Tudo ao mesmo tempo, sempre, sem parar. Parando perde-se o bonde, e parece que perder o bonde não é nada bom. Então eu continuo do mesmo jeito, semi-acelulado, tentando me comunicar com centenas de pessoas todos os dias. Além de ter que ser eu, um trabalho full-time super puxado, eu tenho um negócio, que já existe desde Outubro. Assim sendo, eu sou empresário, estudante, quase-mestre, marido e genro (e filho e irmão e ai que dor de cabeça). É difícil. Quanto mais o tempo passa, mais os cargos se acumulam. Jesus me chicoteia.
30 de janeiro de 2009
28 de janeiro de 2009
Hussein Obama, capítulo 1, versículo 27

Esqueci de comentar no fim de semana que sexta-feira no The Times a matéria de capa falava a respeito de uma nova droga que fará aleijados voltarem a andar. Em tempo. Já ouvi muita gente sendo xingada por falar aidético, por tanto se aleijado for politicamente incorreto, mil desculpas, por favor, mas aleijado é uma palavra ótima e deveria ser muito mais usada do que paraplégico que soa como instrumento de construção civil. Se você é contra, por favor pare agora (Wanderléia), porque este texto contém a palavra aleijado do começo ao fim.
Voltando ao assunto, aparentemente o nosso querido presidente Obama - que no caso em uma semana parece já ter feito mais pela humanidade do que o Brown ou o Lula juntos em anos de poder - revogou um veto feito por Bush na utilização de células tronco para a descoberta da cura de doenças coronárias, de outros órgãos em geral, e também na direção do desenvolvimento de pernas para quem não anda. Mas como tudo na vida, nada é tão simples assim.
Os Estados Unidos ainda é um país muito religioso, e como todo bom país religioso fervoroso, é também um lugar propenso à propagação da ignorância (minhas desculpas à religiosos e aleijados, mas este post não é para vocês). Com o veto do ex-presidente Bush e a declaração de vários representantes da sociedade dizendo que embriões (foto) teriam os mesmos direitos consitutiocionais que pessoas adultas (meu cu), cientistas da área foram obrigados a fazer suas pesquisas com dinheiro não-público e por trás dos panos.
Então, dessa forma, com a nova lei de Obama e a promessa de que seu governo colocaria a ciência de volta à posição de destaque que merece, todos os cientistas saíram do armário e trouxeram à tona uma droga desenvolvida à base de bebês de barriga que estará largamente disponível no mercado dentro de 5 anos. A droga se mostrou altamente eficiente, e promete fazer com que traumas da coluna vertebral sejam completamente curados depois de duas ou três semanas do acidente.
Não que você possa confiar nas minhas informações técnicas, mas a menos que o paciente tenha a coluna vertebral cortada em pedaços por facas ou revólveres, o trauma não passa de uma paralisia temporária causada pela inflamação (bruising, na verdade) dos negocinhos que fazem com que uma célula se comunique com a outra e todas sejam felizes para sempre. Esse é o princípio. A droga nova faria com que ao invés de morrerem, as células se recuperassem a tempo e voltassem a falar. Achei ótimo e super revolucionário, mas meio triste para os já aleijados uma vez que ela não funcionará para quem não tomou o remédio logo depois do acidente.
Uma grande descoberta. Meu último desejo agora seria ver as duas filhas do Bush em uma cadeira de rodas, com um pote de remédio desenvolvido à base de embriões em cima da mesa. Quero ver se ele pega o pote e diz que faz um veto baseado em suas crenças morais, deixando suas filhas aleijadas para sempre. Esse procedimento deveria se repetir com todos os que são contra a pesquisa científica baseada em bebês de barriga. No meu governo, Guantanamo continuaria aberta, recebendo os hipócritas que se diziam contra a ciência, mas ainda assim tomaram o remédio depois de devidamente aleijados. Obrigado.

Esqueci de comentar no fim de semana que sexta-feira no The Times a matéria de capa falava a respeito de uma nova droga que fará aleijados voltarem a andar. Em tempo. Já ouvi muita gente sendo xingada por falar aidético, por tanto se aleijado for politicamente incorreto, mil desculpas, por favor, mas aleijado é uma palavra ótima e deveria ser muito mais usada do que paraplégico que soa como instrumento de construção civil. Se você é contra, por favor pare agora (Wanderléia), porque este texto contém a palavra aleijado do começo ao fim.
Voltando ao assunto, aparentemente o nosso querido presidente Obama - que no caso em uma semana parece já ter feito mais pela humanidade do que o Brown ou o Lula juntos em anos de poder - revogou um veto feito por Bush na utilização de células tronco para a descoberta da cura de doenças coronárias, de outros órgãos em geral, e também na direção do desenvolvimento de pernas para quem não anda. Mas como tudo na vida, nada é tão simples assim.
Os Estados Unidos ainda é um país muito religioso, e como todo bom país religioso fervoroso, é também um lugar propenso à propagação da ignorância (minhas desculpas à religiosos e aleijados, mas este post não é para vocês). Com o veto do ex-presidente Bush e a declaração de vários representantes da sociedade dizendo que embriões (foto) teriam os mesmos direitos consitutiocionais que pessoas adultas (meu cu), cientistas da área foram obrigados a fazer suas pesquisas com dinheiro não-público e por trás dos panos.
Então, dessa forma, com a nova lei de Obama e a promessa de que seu governo colocaria a ciência de volta à posição de destaque que merece, todos os cientistas saíram do armário e trouxeram à tona uma droga desenvolvida à base de bebês de barriga que estará largamente disponível no mercado dentro de 5 anos. A droga se mostrou altamente eficiente, e promete fazer com que traumas da coluna vertebral sejam completamente curados depois de duas ou três semanas do acidente.
Não que você possa confiar nas minhas informações técnicas, mas a menos que o paciente tenha a coluna vertebral cortada em pedaços por facas ou revólveres, o trauma não passa de uma paralisia temporária causada pela inflamação (bruising, na verdade) dos negocinhos que fazem com que uma célula se comunique com a outra e todas sejam felizes para sempre. Esse é o princípio. A droga nova faria com que ao invés de morrerem, as células se recuperassem a tempo e voltassem a falar. Achei ótimo e super revolucionário, mas meio triste para os já aleijados uma vez que ela não funcionará para quem não tomou o remédio logo depois do acidente.
Uma grande descoberta. Meu último desejo agora seria ver as duas filhas do Bush em uma cadeira de rodas, com um pote de remédio desenvolvido à base de embriões em cima da mesa. Quero ver se ele pega o pote e diz que faz um veto baseado em suas crenças morais, deixando suas filhas aleijadas para sempre. Esse procedimento deveria se repetir com todos os que são contra a pesquisa científica baseada em bebês de barriga. No meu governo, Guantanamo continuaria aberta, recebendo os hipócritas que se diziam contra a ciência, mas ainda assim tomaram o remédio depois de devidamente aleijados. Obrigado.
26 de janeiro de 2009
Encosto digital
Esse ano promete uma catástrofe eletrônica. Cinco minutos depois da virada, entre argolas de neon e jarras de whiskey com chá na China, tentei ligar pro Brasil sem sucesso. Já estávamos em 2009 e meu telefone começava a pifar (que palavra legal, pifar). Tentei todas as possibilidades. Bem como nada ia, nada chegava. O telefone, por querer, desligava e voltava a funcionar, e assim sucetivamente até o momento final da desistência. Era ano novo, e eu estava bêbado e com febre.
Além de nunca mais ter funcionado como deveria, meu Nokia-podrão gasta o poder total da bateria em um único dia devido aos vãos esforços de ligar e desligar sem necessidade. Descompassadamente, ele pifa (muito bom mesmo o verbo pifar) no meio de mensagens, ligações, mas principalmente mesmo em momentos decisivos como mensagens de três páginas e rápidas conversas necessárias antes de entrar no metrô.
Apesar de ser realmente muito chato e incoveniente, o Nokia-podrão tem o direito de se vingar. Foram anos de serviço à inúmeros ataques de loucura. Sempre que um surto novo acontece, ele é o primeiro candidato ao vôo. Eu sempre gostei muito de atirar o meu celular na parede. O Nokia-podrão sempre aguentou. A vantagem de tê-lo era poder jogar algo consistente (um celular) sabendo que o mesmo não quebraria. Não tem nada melhor do que expressar fisicamente um surto psicótico. Se eu fosse músico e tivesse dinheiro destruiria todos os meus camarins.
Mas não. Minha tragédia tecnológica não termina por aí. Se não bastasse meu Nokia-podrão ter me deixado na mão (rimar é o fim), meu computador também não funciona mais. Nem um pouco. Como eu não sei fazer nada que não seja Microsof Office e Internet Explorer, quando a tela pifou-pifou-pifou eu tentei dar um jeitinho que fez com que ela se dividisse em quatro partes iguais. Assim, como uma pizza massa fina, ele foi para o conserto para do conserto nunca mais voltar. Negocinho queimado + tela = mais do que um computador novo que eu também não posso pagar.
Vai ver é castigo.
Esse ano promete uma catástrofe eletrônica. Cinco minutos depois da virada, entre argolas de neon e jarras de whiskey com chá na China, tentei ligar pro Brasil sem sucesso. Já estávamos em 2009 e meu telefone começava a pifar (que palavra legal, pifar). Tentei todas as possibilidades. Bem como nada ia, nada chegava. O telefone, por querer, desligava e voltava a funcionar, e assim sucetivamente até o momento final da desistência. Era ano novo, e eu estava bêbado e com febre.
Além de nunca mais ter funcionado como deveria, meu Nokia-podrão gasta o poder total da bateria em um único dia devido aos vãos esforços de ligar e desligar sem necessidade. Descompassadamente, ele pifa (muito bom mesmo o verbo pifar) no meio de mensagens, ligações, mas principalmente mesmo em momentos decisivos como mensagens de três páginas e rápidas conversas necessárias antes de entrar no metrô.
Apesar de ser realmente muito chato e incoveniente, o Nokia-podrão tem o direito de se vingar. Foram anos de serviço à inúmeros ataques de loucura. Sempre que um surto novo acontece, ele é o primeiro candidato ao vôo. Eu sempre gostei muito de atirar o meu celular na parede. O Nokia-podrão sempre aguentou. A vantagem de tê-lo era poder jogar algo consistente (um celular) sabendo que o mesmo não quebraria. Não tem nada melhor do que expressar fisicamente um surto psicótico. Se eu fosse músico e tivesse dinheiro destruiria todos os meus camarins.
Mas não. Minha tragédia tecnológica não termina por aí. Se não bastasse meu Nokia-podrão ter me deixado na mão (rimar é o fim), meu computador também não funciona mais. Nem um pouco. Como eu não sei fazer nada que não seja Microsof Office e Internet Explorer, quando a tela pifou-pifou-pifou eu tentei dar um jeitinho que fez com que ela se dividisse em quatro partes iguais. Assim, como uma pizza massa fina, ele foi para o conserto para do conserto nunca mais voltar. Negocinho queimado + tela = mais do que um computador novo que eu também não posso pagar.
Vai ver é castigo.
25 de janeiro de 2009
19 de janeiro de 2009
Escrito nas estrelas
Delhi, na Índia, proibiu o uso da sacola plástica. A iniciativa é a terceira da região, que já teve países como Sri Lanka e Bangladesh (que horror) impondo novas leis sobre os pobres consumidores de sacolas plásticas de suas respectivas nações. Visando cortar o uso das 10 milhões de sacolas plásticas utilizadas diariamente em Delhi, o governo indiano prometeu prender cidadões honestos por 5 anos caso a sacola plástica seja utilizada.
Ou seja. Além de nascer na Índia, ser filho de dois indianos, morar em Delhi e comer pimenta, os pobrezinhos ainda correm o risco de passar um tempo na cadeia - na Índia - por portar inocentes sacolas plásticas, agora marginalizadas por serem feitas a base do bom petróleo. Muito ecologicamente correto, embora a Índia tenha esquecido de mencionar que essa medida visa também diminuir a dependência pretolífera da região. No fim, tudo vira bosta.
Ainda na mesma nota (ou quase), li hoje que Israel alegou ter matado 1.300 palestinos em Gaza (ferindo e mutilando 5.000) por retaliação aos ataques feitos à regiões do sul de Israel nos últimos oito anos. No entanto, nos últimos oito anos, 20 israelenses morreram no sul de Israel devido a ataques do Hamas. 20. E Israel ainda tem coragem de alegar que a guerra foi justa. Pau no cu de Israel. Espero que continuem explodindo muito em Tel Aviv. Já que não há solução, que se foda.
E, pra terminar (ou também quase), a Qantas está voando o novo Airbus 380 de Heathrow para Sidney. O bilhete da econômica inclui um mini-lounge e a possibilidade de desfrutar de um bar self-service durante todo o vôo com snacks e bebidas grátis. Vi fotos e fiquei até com vontade de ir pra Autrália, mesmo sem gostar da Austrália, só pra poder chamar as aeromoças 352 vezes durante o vôo de quase 22 horas. Quem tem dinheiro pra voar primeira classe (£8,000 a cabeça) ganha direito a uma cabine privada com cama, mesa de jantar e assento para um convidado. Queria muito ter dinheiro (claro) pra poder ter convidados o tempo todo. Pena que não vai dar.
E agora, pra terminar de verdade: que feio, seu Obama. Ao fim do seu mandato eu terei o privilégio de dizer, de cabeça erguida, que eu sempre soube e nunca acreditei. Prefiro ficar fã do Lula sem dedo do que cair pelo poder do Marketing imperalista dessa capital suja chamada América. Matam árabes à rodo e elegem um preto chamado Hussein. Pra cima de moi? Deviam chamar a Tetê Espíndola pra cantar na cerimônia de posse do fulano.
Delhi, na Índia, proibiu o uso da sacola plástica. A iniciativa é a terceira da região, que já teve países como Sri Lanka e Bangladesh (que horror) impondo novas leis sobre os pobres consumidores de sacolas plásticas de suas respectivas nações. Visando cortar o uso das 10 milhões de sacolas plásticas utilizadas diariamente em Delhi, o governo indiano prometeu prender cidadões honestos por 5 anos caso a sacola plástica seja utilizada.
Ou seja. Além de nascer na Índia, ser filho de dois indianos, morar em Delhi e comer pimenta, os pobrezinhos ainda correm o risco de passar um tempo na cadeia - na Índia - por portar inocentes sacolas plásticas, agora marginalizadas por serem feitas a base do bom petróleo. Muito ecologicamente correto, embora a Índia tenha esquecido de mencionar que essa medida visa também diminuir a dependência pretolífera da região. No fim, tudo vira bosta.
Ainda na mesma nota (ou quase), li hoje que Israel alegou ter matado 1.300 palestinos em Gaza (ferindo e mutilando 5.000) por retaliação aos ataques feitos à regiões do sul de Israel nos últimos oito anos. No entanto, nos últimos oito anos, 20 israelenses morreram no sul de Israel devido a ataques do Hamas. 20. E Israel ainda tem coragem de alegar que a guerra foi justa. Pau no cu de Israel. Espero que continuem explodindo muito em Tel Aviv. Já que não há solução, que se foda.
E, pra terminar (ou também quase), a Qantas está voando o novo Airbus 380 de Heathrow para Sidney. O bilhete da econômica inclui um mini-lounge e a possibilidade de desfrutar de um bar self-service durante todo o vôo com snacks e bebidas grátis. Vi fotos e fiquei até com vontade de ir pra Autrália, mesmo sem gostar da Austrália, só pra poder chamar as aeromoças 352 vezes durante o vôo de quase 22 horas. Quem tem dinheiro pra voar primeira classe (£8,000 a cabeça) ganha direito a uma cabine privada com cama, mesa de jantar e assento para um convidado. Queria muito ter dinheiro (claro) pra poder ter convidados o tempo todo. Pena que não vai dar.
E agora, pra terminar de verdade: que feio, seu Obama. Ao fim do seu mandato eu terei o privilégio de dizer, de cabeça erguida, que eu sempre soube e nunca acreditei. Prefiro ficar fã do Lula sem dedo do que cair pelo poder do Marketing imperalista dessa capital suja chamada América. Matam árabes à rodo e elegem um preto chamado Hussein. Pra cima de moi? Deviam chamar a Tetê Espíndola pra cantar na cerimônia de posse do fulano.
Verde abacate
Depois de duas semanas abrindo o jornal pra (não) ler a respeito da aprovação da construção da terceira pista do Heathrow em Londres, sou (somos) obrigado (s) a tolerar a quantidade absurda de RP que tomou conta da mídia nos últimos dias. Então, pra encurtar uma longa história, nos últimos dois anos a Europa foi lavada por essa onda horrorosa de amor ao meio-ambiente. Da mesma forma em que o mundo se apaixonou por Obama da noite pro dia, as plantinhas também ganharam seu lugar ao sol.
O único tipo de pessoa que se opõe à criação de uma terceira pista, na minha opinião, é aquele que não faz nada além de estatísticas furadas que provam a explosão do mundo em dois meses e meio. Um bando de gente desocupada, sem filhos, que defende o mundo em nome dos filhos que terão um dia. Coitados (dos filhos). Finalmente, é com revolta que percebo o fato de que a grande minoria dos protestantes enfrenta o congestionamento aéreo em cima do aeroporto toda vez que se volta pra casa.
Está na hora, quem sabe, de perceber que quem paga taxa tem emprego e viaja. Plus, meia hora a mais de vôo não programado é ao menos uma semana a menos na vida de quem tem medo de avião. E isso, no caso, é bem mais importante do que o fim do mundo e a destruição do meio-ambiente. Hoje abri o jornal e li um cidadão falando que o Obama deu liberdade à população dos Estados Unidos. O artigo comparava ele a Jesus. Fiquei verde. Verde abacate. Cor de cocô.
A pista foi aprovada e seremos todos felizes para sempre.
Depois de duas semanas abrindo o jornal pra (não) ler a respeito da aprovação da construção da terceira pista do Heathrow em Londres, sou (somos) obrigado (s) a tolerar a quantidade absurda de RP que tomou conta da mídia nos últimos dias. Então, pra encurtar uma longa história, nos últimos dois anos a Europa foi lavada por essa onda horrorosa de amor ao meio-ambiente. Da mesma forma em que o mundo se apaixonou por Obama da noite pro dia, as plantinhas também ganharam seu lugar ao sol.
O único tipo de pessoa que se opõe à criação de uma terceira pista, na minha opinião, é aquele que não faz nada além de estatísticas furadas que provam a explosão do mundo em dois meses e meio. Um bando de gente desocupada, sem filhos, que defende o mundo em nome dos filhos que terão um dia. Coitados (dos filhos). Finalmente, é com revolta que percebo o fato de que a grande minoria dos protestantes enfrenta o congestionamento aéreo em cima do aeroporto toda vez que se volta pra casa.
Está na hora, quem sabe, de perceber que quem paga taxa tem emprego e viaja. Plus, meia hora a mais de vôo não programado é ao menos uma semana a menos na vida de quem tem medo de avião. E isso, no caso, é bem mais importante do que o fim do mundo e a destruição do meio-ambiente. Hoje abri o jornal e li um cidadão falando que o Obama deu liberdade à população dos Estados Unidos. O artigo comparava ele a Jesus. Fiquei verde. Verde abacate. Cor de cocô.
A pista foi aprovada e seremos todos felizes para sempre.
15 de janeiro de 2009
Kezia Obama

Kezia Obama, a madrasta do presidente eleito, ganha um bolo de presente de aniversário de uma companhia aérea durante voo de Londres para Washington, onde também irá acompanhar a cerimônia de posse de Barack, que acontece na terça-feira (20) (Foto: Steve Parsons/AP). Aqui.
Está também errado que a palavra vôo não é mais acentuada. VÔO.
The hundred years' war
Comprei a Economist pra entender sobre os ataques de Israel em Gaza, na Palestina. A chamada dizia Why Arabs and Jews still fight in Palestine. Uma boa chamada. Cada vez mais gosto de coisas explicativas. Gastei quase 5 libras porque afinal genuinamente achei que a guerra podia ter uma razão maior. No fundo, queria poder mudar de opinião, dar declarações mais interessantes e fundamentadas em fatos. Elas não existem.
Em palavras bonitas - e várias tentativas de cobrir os dois lados da história - a revista fala que um lado acredita em uma coisa, o outro em outra, e dessa forma vai todo mundo não se entendendo pra sempre. Israel é amiguinha dos Estados Unidos (que, é claro, têm que estar envolvidos em tudo de ruim que acontece no mundo) e Gaza é uma aglomeração de pessoas em cima das dunas, fazendo cocô no chão e bebendo da água em que mijam.
Mas porque explodir areia com merda? Muito simples, meu caro. Embaixo de areia com merda, existem túneis que atravessam o Sinai, do Egito, com armas e outras coisinhas que ninguém curte muito comentar. Israel não gosta, alega que o Hamas matou meia dúzia de pessoas que não existem e, pra acabar com os túneis, jogam merda (com areia e civis) no ventilador. Até agora, mais de 800 já morreram. Dentre elas, tias que passam o dia fazendo pão e descascando batata.
Tias que passam o dia cozinhando para a família agora explodem (com areia, batata e merda) e perdem as suas famílias porque Israel não gosta do Hamas. Essa é a parte que a Economist esqueceu de incluir no texto. Que feio, Israel.
Em palavras bonitas - e várias tentativas de cobrir os dois lados da história - a revista fala que um lado acredita em uma coisa, o outro em outra, e dessa forma vai todo mundo não se entendendo pra sempre. Israel é amiguinha dos Estados Unidos (que, é claro, têm que estar envolvidos em tudo de ruim que acontece no mundo) e Gaza é uma aglomeração de pessoas em cima das dunas, fazendo cocô no chão e bebendo da água em que mijam.
Mas porque explodir areia com merda? Muito simples, meu caro. Embaixo de areia com merda, existem túneis que atravessam o Sinai, do Egito, com armas e outras coisinhas que ninguém curte muito comentar. Israel não gosta, alega que o Hamas matou meia dúzia de pessoas que não existem e, pra acabar com os túneis, jogam merda (com areia e civis) no ventilador. Até agora, mais de 800 já morreram. Dentre elas, tias que passam o dia fazendo pão e descascando batata.
Tias que passam o dia cozinhando para a família agora explodem (com areia, batata e merda) e perdem as suas famílias porque Israel não gosta do Hamas. Essa é a parte que a Economist esqueceu de incluir no texto. Que feio, Israel.
13 de janeiro de 2009
Devaneios de um jet-lag chinês
Fomos e voltamos, e viva as fáceis facilidades da vida moderna. Incrível esse negócio de avião. Morro de medo, e talvez por isso admire tanto e sempre. Aquele objeto enorme, todo de plástico, cheio de pratinhos de comida atravessando o mar e as montanhas à tantos mil pés, braços e cabeças. Quando parece que está difícil ou quase impossível de subir, entra o comandante soberano já dizendo oi gente olha uma parte da muralha da China na janela ao lado. Chocante.
Eu poderia perder o meu e o seu tempo falando do Tibet, contando a respeito da China, falando falando falando. Mas não. Hoje em dia qualquer um pode comprar um bilhete e ir pra ver como funciona. É simples, relativamente rápido, e não exige nada além de paciência. Basta sentar, e esperar - vendo filme ou lendo - o tempo passar. Sem medo então, deve ser uma teta. Para os chatos que ainda assim precisam ter a prova, tem álbum de sobra na sessão de fotos do blog (embaixo, à direita). Vá para Lhasa. Eu recomendo.
Já que você já chegou ao terceiro parágrafo, eu hoje resolvi falar a respeito de uma coisa bem mais interessante do que a minha viagem. Resolvi falar sobre eu mesmo. Se você não tem paciência, tem três vídeos bem legais no post embaixo desse. São trechos de um documentário sobre o Niemayer. Eu nunca fiz o download de um filme na internet, mas se você é desses que entende de baixar coisas, pode fazer. Se chama “A vida é um sopro”. Um sopro no sentido de curta. Espero que você tenha entendido antes de eu explicar.
Agora que voltei, sobrevivendo à tantas horas de vôo que poderiam terminar naturalmente em tragédia, já posso começar a reclamar de 2009. Estou vivendo um período meio chato, e nem sabia antes de o ano começar. Não sei se estou com tempo livre de sobra, mas tenho achado esse negócio de ser grande um pouco sem sal. Eu detesto minha faculdade. Essa é a verdade nua e crua para que eu possa voltar e ler até o fim dos meus dias. A técnica até então infalível de se auto-enganar-se-a-si-próprio infelizmente não funcionou dessa vez.
De todas as coisas que eu poderia citar com muita propriedade – já que eu falo com propriedade até do que não entendo – são as pessoas, os professores e as matérias (da minha faculdade ainda, porque não). Estou há meio ano tentando entender porque as pessoas se comportam daquela forma ridícula em classe. Porque participam tanto, falam tanto coisas que não precisam ser ditas. Eu que achava que aprender era ouvir, estou começando a entender direitinho como funciona esse negócio de ser bem sucedido. Você tem que ser muito mais chato do que a pessoa mais chata que você conhece. Três vezes é o mínimo.
Eu não sei se existe um mundo ou um país onde as pessoas fazem aquilo que gostam de fazer. Deve existir e, se existe, deve ser ótimo morar lá. Com o passar do tempo eu sinto que fico cada vez mais longe desse lugar. Quanto mais decisões eu tomo, mais na merda eu fico. A merda soa perfeita antes, mas depois acaba virando merda mesmo. Eu que sempre fui cheio de opiniões, super seguro, virei um mar de dúvidas e incertezas a respeito de mim mesmo. Acho que descobri que quem eu queria ser por um tempo, não é mais quem eu gostaria de ser agora. Difícil também é saber como conciliar o que eu queria ser antes, agora e depois. Quem souber, por favor.
Só pra terminar de falar da faculdade, um dia eu preciso sentar pra escrever sobre os meus colegas. Vai ser ótimo o texto. Quem sabe depois que a total desorientação causada pelo jet-lag passar. Eles são péssimos em todos os sentidos. Talvez ainda sejam tudo aquilo que eu não quero ser. Uma gentinha ruim, burra e superficial, que fala super elaboradamente, provendo todos a volta com o melhor que a palavra dinamismo pode oferecer ao mundo. Como eu estudo em uma das dez melhores universidades do mundo (obrigado obrigado), eu me pergunto porque grandes multinacionais teriam interesse em contratar a Sandra do Egito. Vai ver é o preço do terno o que conta.
Por falar em Sandra, em Lhasa eu sonhei que o Egito havia entrado em guerra e que eu e Sandra jogavamos vôlei em um hotel 5 estrelas do Cairo. Eramos uma dupla. Acordei suado. A Sandra é só o começo, já que existem outros piores. Os vejo todos os dias, torcendo para que não mais os veja, mas sabendo que voltarei a ve-los, e te-los, e sabe-los. Haja paciência.
Como o sono é grande e eu já nem sei mais do que estou falando, ou porque estou escrevendo, acho que vou dormir. Estou há três dias de volta à Inglaterra e hoje bati o record de horário de dormir – são 5.10am na China. Acho que é assim mesmo que esse negócio funciona. Você se fode por três dias, e só depois começa a entrar no ritmo. E eu que achava que era fácil, estou apanhando para aprender. Tanta coisa pra aprender. Não dá pra parar e descer?
Fomos e voltamos, e viva as fáceis facilidades da vida moderna. Incrível esse negócio de avião. Morro de medo, e talvez por isso admire tanto e sempre. Aquele objeto enorme, todo de plástico, cheio de pratinhos de comida atravessando o mar e as montanhas à tantos mil pés, braços e cabeças. Quando parece que está difícil ou quase impossível de subir, entra o comandante soberano já dizendo oi gente olha uma parte da muralha da China na janela ao lado. Chocante.
Eu poderia perder o meu e o seu tempo falando do Tibet, contando a respeito da China, falando falando falando. Mas não. Hoje em dia qualquer um pode comprar um bilhete e ir pra ver como funciona. É simples, relativamente rápido, e não exige nada além de paciência. Basta sentar, e esperar - vendo filme ou lendo - o tempo passar. Sem medo então, deve ser uma teta. Para os chatos que ainda assim precisam ter a prova, tem álbum de sobra na sessão de fotos do blog (embaixo, à direita). Vá para Lhasa. Eu recomendo.
Já que você já chegou ao terceiro parágrafo, eu hoje resolvi falar a respeito de uma coisa bem mais interessante do que a minha viagem. Resolvi falar sobre eu mesmo. Se você não tem paciência, tem três vídeos bem legais no post embaixo desse. São trechos de um documentário sobre o Niemayer. Eu nunca fiz o download de um filme na internet, mas se você é desses que entende de baixar coisas, pode fazer. Se chama “A vida é um sopro”. Um sopro no sentido de curta. Espero que você tenha entendido antes de eu explicar.
Agora que voltei, sobrevivendo à tantas horas de vôo que poderiam terminar naturalmente em tragédia, já posso começar a reclamar de 2009. Estou vivendo um período meio chato, e nem sabia antes de o ano começar. Não sei se estou com tempo livre de sobra, mas tenho achado esse negócio de ser grande um pouco sem sal. Eu detesto minha faculdade. Essa é a verdade nua e crua para que eu possa voltar e ler até o fim dos meus dias. A técnica até então infalível de se auto-enganar-se-a-si-próprio infelizmente não funcionou dessa vez.
De todas as coisas que eu poderia citar com muita propriedade – já que eu falo com propriedade até do que não entendo – são as pessoas, os professores e as matérias (da minha faculdade ainda, porque não). Estou há meio ano tentando entender porque as pessoas se comportam daquela forma ridícula em classe. Porque participam tanto, falam tanto coisas que não precisam ser ditas. Eu que achava que aprender era ouvir, estou começando a entender direitinho como funciona esse negócio de ser bem sucedido. Você tem que ser muito mais chato do que a pessoa mais chata que você conhece. Três vezes é o mínimo.
Eu não sei se existe um mundo ou um país onde as pessoas fazem aquilo que gostam de fazer. Deve existir e, se existe, deve ser ótimo morar lá. Com o passar do tempo eu sinto que fico cada vez mais longe desse lugar. Quanto mais decisões eu tomo, mais na merda eu fico. A merda soa perfeita antes, mas depois acaba virando merda mesmo. Eu que sempre fui cheio de opiniões, super seguro, virei um mar de dúvidas e incertezas a respeito de mim mesmo. Acho que descobri que quem eu queria ser por um tempo, não é mais quem eu gostaria de ser agora. Difícil também é saber como conciliar o que eu queria ser antes, agora e depois. Quem souber, por favor.
Só pra terminar de falar da faculdade, um dia eu preciso sentar pra escrever sobre os meus colegas. Vai ser ótimo o texto. Quem sabe depois que a total desorientação causada pelo jet-lag passar. Eles são péssimos em todos os sentidos. Talvez ainda sejam tudo aquilo que eu não quero ser. Uma gentinha ruim, burra e superficial, que fala super elaboradamente, provendo todos a volta com o melhor que a palavra dinamismo pode oferecer ao mundo. Como eu estudo em uma das dez melhores universidades do mundo (obrigado obrigado), eu me pergunto porque grandes multinacionais teriam interesse em contratar a Sandra do Egito. Vai ver é o preço do terno o que conta.
Por falar em Sandra, em Lhasa eu sonhei que o Egito havia entrado em guerra e que eu e Sandra jogavamos vôlei em um hotel 5 estrelas do Cairo. Eramos uma dupla. Acordei suado. A Sandra é só o começo, já que existem outros piores. Os vejo todos os dias, torcendo para que não mais os veja, mas sabendo que voltarei a ve-los, e te-los, e sabe-los. Haja paciência.
Como o sono é grande e eu já nem sei mais do que estou falando, ou porque estou escrevendo, acho que vou dormir. Estou há três dias de volta à Inglaterra e hoje bati o record de horário de dormir – são 5.10am na China. Acho que é assim mesmo que esse negócio funciona. Você se fode por três dias, e só depois começa a entrar no ritmo. E eu que achava que era fácil, estou apanhando para aprender. Tanta coisa pra aprender. Não dá pra parar e descer?
12 de janeiro de 2009
1 de janeiro de 2009
Censura
Bem interessante entrar na internet da China. Coisa de outro mundo. Enquanto o You Tube nao funcionava em Beijing, o Blogger esta dando ataques em Chengdu. Escrevi "China + government + repression" no Google e o primeiro resultado que aparece fala do exagero dos relatos dados por exilados do Tibet no exterior. Museus, sites historicos, guias turisticos e jornais. Tudo sempre muito controlado e contido, meticulosamente maquiado pelo governo Chines. Ate Confucio, que discute o impacto do comportamento do soberano no dominio das massas, aparece na forma de um velhinho simpatico que curte ensinar as criancinhas.
Bem interessante entrar na internet da China. Coisa de outro mundo. Enquanto o You Tube nao funcionava em Beijing, o Blogger esta dando ataques em Chengdu. Escrevi "China + government + repression" no Google e o primeiro resultado que aparece fala do exagero dos relatos dados por exilados do Tibet no exterior. Museus, sites historicos, guias turisticos e jornais. Tudo sempre muito controlado e contido, meticulosamente maquiado pelo governo Chines. Ate Confucio, que discute o impacto do comportamento do soberano no dominio das massas, aparece na forma de um velhinho simpatico que curte ensinar as criancinhas.
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