28 de junho de 2009

O S e o Z

Preciso descobrir se a minha dificuldade de escrever em português está mesmo aumentando proporcionalmente ao tempo que vivo fora do Brasil. Pode ser que todo mundo perceba uma piora depois dos 20 e poucos anos, como eu. Fato é que todas as semanas recebo emails desesperados de minha mãe, chocada com os erros que cometo no blog. Esta semana escrevi reinforçou e outras palavras que sequer existem. Outra barbaridade que venho cometendo, é escrever tudo o que leva z com s, como no inglês da Inglaterra - tão mais prático que línguas latinas em geral. Parece máquina de lavar louça. Encomodação zero (com i?).

Apesar de ler muita notícia em português, não tenho mais livros comprados no Brasil. Sempre que viajo, dou uma olhada rápida nas livrarias dos aeroportos, mas acabo optando pela pilha que levo na mala, muito mais interessantes e baratos. No mais, raramente pago mais do que 5 libras em um livro. Logo, não faz sentido algum pagar 50 reais em um livro que eu posso comprar por 3 libras na língua original. Os problemas de comprar livros no Brasil também passam pela necessidade do brasileiro em promover títulos relacionados ao tema da novela das oito, ou algo que todos julgam ser um tema inteligente no momento. Em 2008, em Guarulhos, era China do começo ao fim. Agora deve ser a Índia da Glória Perez. Ou, o livro do Jô Soares.

Eu poderia falar das novas regras gramaticais, criadas para dividir uma geração e dificultar a vida de pessoas agora consideradas pré-históricas, mas eu entendo que todo mundo deve se sentir do mesmo jeito. Pra mim vôo nunca será voo. Voo não existe. Hoje vamos almoçar novamente no Elk in the Woods, com um amigo do Rio de Janeiro que mora em Paris e é comissário de bordo da Air France na mesma rota do vôo (!!!) que desapareceu no Atlântico. Mal vejo a hora de saber de detalhes sórdidos e especulações que não saem na Globo.com por conta dessa bobagem de jornalismo responsável.

27 de junho de 2009

Morreu, acabou

Sábado de sol e promessa de temperaturas que ultrapassem os 30 graus durante a semana. Já poderia ser inverno de novo. Com a morte de Michael Jackson, morrem também os nossos quatro ingressos para o show do O2 Arena, a possibilidade de ver o maior astro pop ao vivo, e a minha paciência com a repetição de notícias na televisão. É impressionante como canais de notícia tem a interminável capacidade de criar matérias múltiplas em cima de um ataque cardíaco. Morreu, acabou. Acho que vamos dar uma caminhada rápida na rua. Se lembrar, atualizo o aplicativo do Flickr com fotos novas na barra à direita. Bom dia.

25 de junho de 2009

Pedras Grandes

Minha mãe nasceu em Pedras Grandes, no interior de Santa Catarina. A cidade é pequena, bonita, e tem cara de cenário de novela caipira. Tem uma igreja, uma ponte, um clube, um restaurante, uma mercearia e muito mato. Pra quem visita, Pedras Grandes é só mais uma cidade rural com pedras grandes e rios amarelos. Pra minha família, no entanto, é a nossa história. Foi de lá que viemos, e é pra lá que voltaremos todos um dia. Achei algumas fotos online, mas nada que faça real juz ao charme da cidade. Boa quinta-feira para você também.

Capital multi-cultural

Percepção é tudo na vida. Londres é muito provavelmente a cidade mais multi-cultural do planeta. O mundo não é tão grande quanto se imagina, mas conquistar o título de capital das capitais - ou concorrer a ele - já é notável por si só. Há poucos dias, li que uma senhora do Paquistão está sendo julgada por prender três noras em regime de escravidão por um total de dez anos. As autoridades do Reino Unido só tomaram conhecimento do caso porque o filho de uma delas contou na escola que a avó batia na mãe. Todo mundo senta o pau na velha, mas ninguém fala do marido.

Fato é que multi-culturalismo é frequentemente relacionado à liberdade, ousadia, troca de culturas e descobrimento. De tanto pensar nos fatores positivos, porque travesti convivendo em paz com muçulmano é mesmo uma pira, a gente esquece que existem aqueles que preferem não fazer parte do festival. Como em Londres o pecado mora ao lado, há os que pensam que fechar a porta e trancar as janelas é a solução mais prática para evitar qualquer possibilidade de deixar o mal entrar em suas vidas. O que os olhos não veem, o coração não sente.

A notícia só reforçou o que eu sempre digo para novos Londrinos. Londres são várias cidades dentro de um espaço geográfico limitado. A vantagem pra quem mora é que a cidade é das poucas que proporciona a real possibilidade de escolher as peças que fazem melhor para você. É que nem computador da Dell. Os britânicos entram com o selo de qualidade, e você escolhe todo o resto.

23 de junho de 2009

Capa


Gostei da capa da Economist dessa semana. A foto, as cores, o assunto - tudo é bom. Como o Royal Mail estava em greve, a revista demorou três dias a mais para ser entregue. Fui dar uma espiada no site e percebi que a edição do dia 23 de Maio nunca chegou. A matéria de capa é "Good news from India". Notícia boa sempre demora mais pra chegar. Ao lado, aplicativo novo do Flickr. Bom dia, mundo moderno.

21 de junho de 2009

Bloody Mary Sunday


O camarão afogado no drink me deixa com um pouco de nojo.
Estupro na África do Sul

Imagine você um país em que 25% dos homens já cometeram estupro e aproximadamente 20% da população acima de 2 anos de idade é portadora do HIV. Um novo estudo feito na África do Sul descobriu que o estupro, como o HIV, também é endêmico. São mulheres e homens, vítimas de uma sucessão de fatores culturais que levam os homens do país a valorizar o domínio e a brutalidade sob seus parceiros. Calcula-se que 10% da população masculina já foi vítima de crimes sexuais cometidos por outros homens. Todos os homens entrevistados tiveram o sangue testado e o índice de HIV não é mais alto no grupo de homens que admitiram haver cometido estupro no passado. Faz sentido. O artigo da Time é excelente.
Recesso

Faz uma semana que o mundo anda meio parado. Deve ser o calor. Adicionei 10 cidades no Viito do Blackberry pra acompanhar as previsões do tempo ao redor do mundo e todas marcam aproximadamente 20 graus, com pequenas variações para mais ou para menos. Morro de agonia. No Paquistão, o Talibã continua fazendo a mesma coisa, sob pressão do governo que tenta controlar a situação. Na Coréia do Norte, nada mais aconteceu. Os Estados Unidos continuam ameaçando, e o líder coreano continua se lixando. E no Irã, aquela mesmisse. Todo mundo protestando no Twitter até que tudo volte ao que era antes. Sem contar o vôo da Air France. Até parece que nada aconteceu. E eu aqui, querendo ver cenas dramáticas e fotos de corpos boiando.

20 de junho de 2009

Sarney

Eu não voto, nunca votei, mas defendo o meu direito de opinar e reclamar sempre que necessário. Antes de ser um potencial eleitor, eu sou um cidadão que pensa, paga as contas e não sonega impostos. Sempre tive muito interesse por política e, por saber, entendo que dias melhores não virão. Já atingi o nirvana da política brasileira e alcancei a tranquilidade da compreensão. Voto meu, só mesmo pra final de Big Brother e enquete da Globo.com pra falar mal da Suzana Vieira - que, aliás, merece um post especial.

Mas como eu ia falando, é fato que enquanto o Maranhão tiver peso na contagem final de votos, a família Sarney terá um lugar no cenário político nacional. O Maranhão é ótimo, tem os Lençóis e a Alcione, mas maturidade política é algo que nem São Paulo conseguiu alcançar. O que nos salva de uma catástrofe ainda maior é a saúde frágil da Roseana Sarney. Caso você não lembre, ela era líder na corrida presidencial de muitos anos atrás. Por sorte, deixou de concorrer pela falta de órgão internos suficientes. Roseana já fez quase dez cirurgias para a remoção de tumores diversos.

O Brasil gosta dessa coisa de votar em quem não presta pra depois reclamar. Pode ser um merda e fazer caixa dois pra comer puta e comprar cocaína, mas é filho do Maluf. Atualmente 90 deputados e 30 senadores são pais, mães, filhos, irmãos, netos, sobrinhos e cônjuges de políticos tradicionais. E você sabe. Político tradicional, no Brasil, boa coisa não é. Por isso, eu não quero nem saber o que o Sarney fez ou falou. Ali, eu já sabia antes mesmo de saber. Com todo o respeito, pau no cu do Maranhão.

19 de junho de 2009

Indian Coffee House

É o McDonalds da Índia. São 400 lojas espalhadas por 6 estados e 12 cidades. A rede foi criada no início da década de 40, quando os Britânicos ainda ocupavam o país. Hoje a empresa é uma cooperativa controlada por residentes locais, como dá pra ver. Embora o conceito de paninho úmido seja evidentemente inexistente na Índia, o café parece ser ótimo. Hoje deixei de tomar a minha caneca matinal pra poder ir à academia. Café com esteira, pra mim, é sinônimo de infarto agudo do miocárdio.





17 de junho de 2009

Na mosca

Foram anos de tentativas frustradas e muita surra, até que as emissoras brasileiras finalmente entenderam que o fator sucesso da Globo no Brasil consiste na transmissão das mesmas caras participando dos mesmos programas. Quanto menos novidade e informação, mais audiência e dinheiro. Por isso, achei ótimo quando a Record abriu uma filial no Rio de Janeiro e decidiu imitar a concorrência com riqueza de detalhes. O jornal é igual, os atores são parecidos e os apresentadores são cada vez mais os mesmos.

Levei um susto quando li na Folha que a Mylena Ciribelli foi contratada pela Record. Há menos de duas semanas, aqui em casa, estavamos falando a respeito dela. Sempre muito chata, com a mesma voz, falando as mesmas coisas, e dando ênfase nas mesmas palavras. Li na Folha que Mylena já trabalhava na Globo há 18 anos. Pra mim, Mylena é um híbrido de nada com coisa nenhuma. Uma coisa completamente sem nome que há 18 anos lê notícias sorrindo, irritantemente feliz até pra dar notícia ruim. O Brasil não precisa pensar a respeito de Mylena. Ela domina a arte de ser igual todas as semanas.

Do outro lado, a Globo se protege como pode. Ao ouvir a respeito de negociações com os principais integrantes de seu elenco, renovou o contrato de Faustão e Luciano Huck bem rapidinho. Pra você ter uma idéia, por exemplo, os dois ganham juntos aproximadamente R$6 milhões por mês. Faustão é não apenas o maior faturamente da Globo, mas também a cara do domingo do Brasil há 20 anos. Custo benefício altíssimo pra emissora (e pra ele). Fausto não é inteligente, fala as mesmas coisas todos os domingos, elogia os mesmos artistas e introduz as bandas da mesma maneira. Programação perfeita pra anestesiar uma população que, por natureza, já não faz muita questão de pensar.

Por um público que não pensa é que a estratégia da Record está dando certo. As caras, vozes, iluminação, cenário e até os nomes das programações são iguais ou parecidas. Mylena vai apresentar o Esporte Fantástico em sua nova casa. Deixou de ser Espetacular, para ser Fantástica. Praticamente música para os olhos acostumados de um povo anestesiado, a Record passa a oferecer um pacote igual ao que sempre deu certo pra Globo. Você pode até mudar de canal, mas quanto menos você perceber, mais dinheiro a Record vai fazer.
Tolerância

Segundo o órgão nacional de estatística do Reino Unido, 7.2% da população está sem emprego. Embora o total de 39.000 pessoas pedindo auxílio do governo tenha permanecido abaixo dos 60.000 projetados no início de 2009, o total de 2.261 milhões de desempregados assusta. O índice é ainda mais baixo que o de outros países da Europa, como a Espanha, que deve alcançar os 20% de desemprego até o fim do ano - mas é grande o suficiente pra dar início a uma série de pequenos desastres.

Com o índice de profissionais fora do mercado aumentando, reflexos foram sentidos em diversas áreas da economia. Há cerca de duas semanas, o BNP (British National Party) colocou dois de seus membros no Parlamento Europeu com o slogan British Jobs for British People - já devidamente descascado neste blog. Agora, a novidade são os ataques racistas. Portugal é conhecida como a área de serviço da Europa, mas a casa do cachorro é a Romênia. Nacionais da casa do cachorro são temidos por Europeus de todos os lados, vistos como criminosos, e vítimas do selo que os caracteriza como ciganos - aqui visto primo do pedófilo na classificação de adjetivos ruins.

Eu adoraria perder o meu tempo explicando a postura dos Britânicos quanto a estrangeiros, mas estou com pressa pra fazer algo bem mais legal em duas horas. Quando alguma merda muito grande acontece provando que não nos dedicamos o suficiente para o alcance de um objetivo, deixamos a desejar no empenho investido em uma conquista, ou não nos preparamos o suficiente para competir com outras pessoas mais qualificadas...dói menos colocar a culpa nos outros. Se os outros são fracos, indefesos e diferentes, fica mais fácil.

Durante séculos, Britânicos toleraram estrangeiros por serem eles a fonte de renda maior dessa nação. São dezenas de colônias, milhares de colonizados, e centenas de empresas que até hoje desfrutam dos privilégios do antigo império. A tão publicada tolerância Britânica é, por tanto, diretamente relacionada ao dinheiro gerado pelo povo tolerado. Mas o mundo dá voltas, as colônias desfrutam hoje de mais poder e, para os nacionais do Reino Unido, o mar está menos pra peixe do que já esteve um dia. Um dia, então, a tolerância vai pro saco.

16 de junho de 2009

The Brazilian Issue


Vice Magazine.

bRIC

Brasil, Rússia, Índia e China devem superar as economias ricas do G7 até 2027, quando espera-se que a China assuma a primeira posição dos Estados Unidos no ranking econômico mundial. A projeção, conforme já conversamos aqui, foi duramente afetada pela crise financeira do último ano, mas parece ter voltado aos trilhos com a projeção de crescimento médio dos BRIC de 4.8% em 2009 e 8% em 2010.

O Brasil, sempre na laterna, começa hoje - na Rússia - uma campanha para a criação de um fórum que visa fortalecer as relações políticas e comerciais entre os quatro países. Uma tentativa válida de assegurar uma carona para o desenvolvimento, garantindo assim que o BRIC não vire RIC deixando o Brasil fora da brincadeira.

Eike na Forbes


De acordo com a revista Forbes, Eike Batista é o homem mais rico do Brasil pelo milésimo ano consecutivo, entrando pela primeira vez na lista dos 100 homens mais ricos do mundo (número 61 de 100). Pra quem não lembra, Eike era casado com uma suburbana que usou uma coleira com seu nome no Carnaval do Rio de Janeiro. Na época, o Brasil não entendeu, mas Eike tem uma fortuna estimada em 7.5 bilhões de dólares. Coleira nela.

15 de junho de 2009

Oficina Inglesa

Terminamos com sucesso nosso primeiro grande projeto em Londres. Hoje, dia 15 de Junho, começaremos um outro. Abaixo algumas fotos do resultado final dos móveis. Deram muito trabalho, mas ficaram lindos. Clique aqui para ver mais fotos.

14 de junho de 2009

O que leva uma pessoa...


...a jogar rugby pelado na frente dos outros? Quanta motivação!
Depressão

Cada um entende e trata como pode. Acabei de ler no Human Cargo que uma enfermeira da Libéria criou um método diferente pra cuidar de refugiados do campo de Kuankan, adaptando medicina e psicologia à cultura local. Em partes da África, e especialmente na Libéria, sintomas de depressão profunda são frequentemente atribuídos à crença na abertura repentina da parte superior da cabeça - mais conhecida por moleira. Para estas tribos, aquele é o buraco por onde todos os pensamentos negativos têm acesso à parte interna da cabeça.

Com a intenção de conversar com estas pessoas, geralmente vítimas de cruéis ataques rebeldes, a enfermeira desenvolveu um tratamento aparentemente eficiente que combina crenças locais à conversa. Inicialmente o processo consiste em raspar o cabelo do paciente, lavar a parte superior da cabeça e aplicar uma combinação de ervas na área da moleira. Depois da aplicação, Susan aproveita para conversar com os pacientes, abrindo um canal único que dá aos refugiados a oportunidade de falar a respeito de suas histórias e tormentos.

À exemplo de qualquer outro tratamento terapêutico, as aplicações das ervas se repetem durante um período longo de tempo, até que - segundo Susan - os próprios pacientes voltem avisando que a moleira foi finalmente fechada. Calcula-se que somente no campo de Susan mais de 30% dos refugiados sofram de depressão profunda. São casos horríveis de famílias inteiras destruídas, e traumas que parecem impossíveis de serem superados. Há pouco estava lendo o relato de um garoto que assistiu à decaptação da avó. A cabeça foi usada por soldados como bola de futebol. Vai entender.
Sodoma e Gomorra



Conseguimos cumprir nossa programação de sábado com academia na parte da manhã e cinco horas de sofá no fim da noite. Pra acompanhar, já colocando a falta de assunto em dia, escolhemos uma amiga que gosta de comer e falar bobagem. Uma forma sentada de entretenimento sedentário, saudável e quase orgânico de tão natural. Nosso giro incluiu o lounge do cinema Curzon e o restaurante Princi, ambos no Soho.


A saída do sofá, quase à meia-noite, foi recheada de fortes emoções. Durante o verão, Londres se transforma em uma espécie de Sodoma e Gomorra da linha do Equador. Tudo é quente, úmido, brilhoso, decotado, as pessoas falam línguas estrangeiras e as mulheres se comportam feito animais. Chegar na estação de metrô requer paciência e um facão de mata fechada. Só mais um dos vários toques das já esperadas trombetas do apocalipse.

13 de junho de 2009

Sábado

Bom dia, dia. Consegui registrar o Facebook no meu nome, após anos de luta contra todos os outros Marcos Menezes do planeta. Em Londres, a palavra de ordem é acordar e viver sem café porque não tem adoçante. Vou terminar de ler Human Cargo, organizar a casa, visitar a academia e almoçar no Comptoir Libanais. Por enquanto nenhuma revisão foi feita no plano de ontem à noite. Quando o assunto é academia, revisão de planos é sempre uma possibilidade.

Passando rapidamente pelas notícias do dia, vi que o Reino Unido ficou chateado com as Bermudas por uma questão diplomática ridícula. E que o fim de semana de Obama será de muito trabalho com a eleição de Ahmadinejad no Irã. Pau no cu dos Estados Unidos. As eleições foram democráticas, quatro candidatos diferentes concorreram ao cargo, e a voz do povo é a voz de Deus. Tenha um bom fim de semana você também.

11 de junho de 2009

Angels of Rio

Documentário sobre o Brasil na Inglaterra sempre envolve bunda ou drogas. Angels of Rio é uma mistura do dois. Em uma tentativa frustrada de adaptar minha vida às tecnologias do Blackberry, coloquei o programa da BBC na minha agenda eletrônica. Não funcionou. Meu calendário é cheio de compromissos desimportantes que eu marco para depois ir deletando aos poucos. O que vale é se sentir bem na hora de marcar.

Angels of Rio passou segunda-feira à noite na BBC e conta a história de três detetives particulares especializadas em crime corporativo - uma coisa meio Charlie's Angels tupiniquim. O documentário tem uma hora de duração e é, no geral, fraco - embora aborde o Rio de Janeiro de uma forma inédita. No vídeo as detetives espionam, investigam, se envolvem com o alvo, viajam em busca de maiores informações, abordam tortura, e mostram um lado menos sujo do crime organizado.

Caso você tenha uma hora de vida disponível, eu recomendo. Seguramente, na Globo, você não verá nada igual.
Gaddafi na Itália


Gaddafi e Berlusconi têm muito em comum. Os dois são péssimos. Em visita à Itália esta semana, Gaddafi desceu as escadas do avião presidencial vestindo...uma fotografia. Bem grande, e pendurada à sua jaqueta, estava uma foto em preto e branco de Omar Mukhtar - general da Líbia e líder da resistência à ocupação da Itália, assassinado por seus colonizadores em 1931. É claro que nem sequer Berlusconi, habituado à quebras de protocolo, conseguiu se acertar.

Mas Gaddafi não parou por aí. O líder da Líbia chegou à Itália em não apenas um, mas três Airbuses diferentes. Na bagagem, um exército pessoal formado por 40 fortes mulheres armadas, e uma tenda beduína. Gaddafi é conhecido internacionalmente por exigir que apenas mulheres integrem sua equipe de segurança pessoal. Excêntrico, não aceita ficar hospedado em hotéis e, em Roma, fechou um dos parques da cidade para que sua tenda beduína fosse montada.

Sua visita foi também recheada de grandes eventos. Em uma das noites, Gaddafi pediu que uma festa com 1000 mulheres italianas fosse dada em uma casa de shows da cidade. No dia seguinte, respondendo à perguntas relacionadas ao número de refugiados Africanos que chegam da Líbia todos os dias, Gaddafi disse que a idéia de exílio político na África o faz rir. Abaixo, sua cara de cachaceiro, membros de sua guarda pessoal, e a tenda montada no Villa Doria Pamphili.




10 de junho de 2009

Japonês miado


Eu gosto de pirão de feijão, bobó de camarão, estrogonofe com arroz, carreteiro, risoto, frango na mostarda, feijoada e churrasco. Minha cultura gastronômica é essa: tudo aquilo que meu pai gosta de comer e cozinhar. Em Londres, como não temos as mães no armário da cozinha, costumamos sair para jantar. Apesar de sempre irmos aos mesmos lugares - mediterrâneo pra carne, italiano pra pizza e indiano para grandes quantidades e molhos - acabamos esta semana na novidade da rua, um japonês sufocante.

Comida japonesa tem o seu valor, mas eu sempre saio querendo mais - e, por isso, evito ao máximo. As porções são pequenas, os pratos são minúsculos, e tudo parece aperitivo. A foto acima foi tirada em nossa primeira visita ao novo vizinho. Terminamos querendo jantar os palitos. Tudo muito diferente e interessante, umas carnes cruas com sementes, mas aquele molho no arroz que é bom, nada. Um outro conceito. Uma outra cultura. Algo, realmente, do Japão.
Caos
O metrô de Londres não está funcionando. A partir de hoje serão dois dias seguidos de greve e oito milhões de pessoas andando de ônibus na água. Chove muito, faz calor, e a cidade não está preparada pra chuva pesada de verão. Pra completar, o transporte público é aquecido, as pessoas já fedem as sete horas da manhã, e a cerveja depois do trabalho é quente. O inferno deve ser assim. Meio úmido.

6 de junho de 2009

Click


É sensacional o documentário The Incredible Human Journey, exibido pela BBC aqui na Inglaterra. Durante as filmagens do programa, a jovem antropóloga e talentosa jornalista Alice Roberts desbravou todas as possibilidades usadas para explicar a propagação de seres humanos ao redor do planeta. São quatro episódios divídios por continentes, acompanhando a própria história de ocupação da Terra. O primeiro, Out of Africa, é bastante esclarecedor, e muito interessante. Se você fala Inglês, não perca.

O que mais chamou a minha atenção foram os click languages do sul da África. Tentando entender as formas de organização de civilizações antigas, Alice atravessou o continente Africano em busca de evidências de um passado já bem distante. Na Namíbia, ela teve um encontro com uma tribo chamada San, que utiliza até hoje uma língua que data da época dos mais antigos de nossos ancestrais. Se você tiver curiosidade, sugiro que visite o site da BBC e vá direto ao minuto 25 do vídeo. Este é o momento em que ela fala sobre o idioma.

Aparentemente, as click languages foram criadas e aperfeiçoadas por privilegiarem a caça de animais no meio da savana. Por se tratar de uma combinação de cliques, o silêncio impera durante toda a conversa, sem impedir a troca de mensagens entre as partes envolvidas. Abaixo, um exemplo. Vale a pena assistir. Boa noite e até amanhã.


Pra cima de moi

Bom dia. Embora os Brasileiros - aqueles que sempre ganham na Copa - tenham achado uma poltrona, um tambor, uma bóia, uma linha de 5km de destroços e um pedaço de aeronave com 7 metros de diâmetro, eles estavam enganados. É tudo lixo de barco e nada foi de fato encontrado. A verdade é que nós, as equipes de busca estrangeiras, já estamos na área para assegurar que nada jamais será entendido. Infelizmente o vôo da Air France com 228 pessoas à bordo sumiu no meio do Oceano e o ministro Nelson Jobim ficou maluco. Esqueçam este assunto.

Vocês sabem como é. O Oceano é muito grande e muito fundo, e o Airbus muito pequeno. Ninguém recebeu mensagem nenhuma do piloto, a caixa-preta não bóia, a culpa de tudo foi de uma tempestade e os pilotos de outros aviões na mesma rota estão falando merda quando dizem que as condições de vôo estavam normais. Aliás, todo mundo é louco. Nós é que sabemos da verdade e, por isso, resolvemos passar um comunicado mais apurado. Brasileiro só faz merda.Vá ler sobre calorias na Boa Forma.
Dá-lhe

A China divulgou esta semana uma resposta aos comentários repressores de Hillary Clinton sobre o massacre de 1989, em Pequim. A piranha disse que a China deveria reconhecer o massacre e consertar os erros cometidos no passado. Praticamente o domingo falando do feriado.

Que coragem a dos Estados Unidos em apontar o dedo aos crimes contra a humanidade cometidos por outros países. É muita ousadia, arrogância e cara de pau. O país de Guantanamo falando do país de Tiananmen Square. Abaixo, a resposta dada por Qin Gang, ministro das relações exteriores.

"As to the political turmoil and problems that happened in the late 1980s, the Communist Party of China and the Chinese government have already made a clear conclusion. We urge the US to put aside its political prejudices and correct its wrong-doings so as to avoid interfering with and damaging Sino-US relations."

Cada um no seu quadrado.

5 de junho de 2009

Coisa de doido

Na minha opinião, doido que é doido tem cara de maluco. Essa semana dois Ingleses foram presos por assassinar dois estudantes Franceses dentro de um apartamento em Londres. Assaltaram a casa, pediram os cartões e terminaram o serviço com fogo e 120 facadas. Um dos assassinos é o terceiro da coletânia abaixo. O segundo é pedófilo e o primeiro eu não quero nem saber, mas coisa boa não é. Está nos olhos. O que eu não entendo é porque a polícia deixa pra prender essa gente só depois que alguém morre.



Meu amor pela tevê

Quando pequeno, foram incontáveis as vezes que passei na frente da tevê de Malhação ao fim da novela das oito. Era noveleiro. Gostava de assistir, acompanhar, e debatia os últimos acontecimentos com minha avó na praia. Queria saber quem era o assassino de A Próxima Vítima, e adorava ver as modernidades da internet em Explode Coração. Só não fui jogado no abismo da ignorância porque meus pais são pessoas educadas e souberam controlar o meu vício. A única vez que minha mãe jogou a toalha e se juntou a mim foi na época de Xica da Silva - sucesso absoluto lá em casa.

Aí eu cresci, deixei a novela de lado - a última que acompanhei foi Laços de Família (ótima) - e me dediquei a outras coisas inúteis que não vêm ao caso agora. Vício não se abandona, se troca. Passei para uma fase mais programas de entrevista. Vivia participando do Sem Censura por email, e até comprei uma briga com a Roberta Close no ar quando tinha apenas 14 anos. Quando a Marília Gabriela foi para a Rede TV!, escrevia sempre as minhas perguntas e ela, nutrindo meu vício, lia todas, já falando de mim como alguém que conhecia, em rede nacional. No auge de minha loucura, fiz resumos de entrevistas, e li todos os livros recomendados. Até entrevistador eu já quis ser quando pequeno.

Fui morar em Porto Alegre, levei minha televisão comigo, mas acabei trocando um aparelho pelo outro. Porto Alegre foi a entrada definitiva da internet em minha vida. Nessa época eu só ia para a televisão para assistir Multishow, GNT e alguns programas da MTV. Já fui viciado em The Nanny, da Sony, mas nunca consegui acompanhar essas séries - só Os Normais, depois de velho. Continuei, no entanto, gostando de - esporádicamente - assistir a um bom Superpop! com Luciana Gimenez, pra dar uma descontraída vendo uma baixaria. A Márcia Goldshmidt também era boa, mas a Luciana é burra, fazendo o programa ficar bem mais divertido.

Na época da faculdade, ainda em Porto Alegre, via muito Manhattan Connection porque queria morar em New York. Gostava de Saia Justa, Pé na Cozinha (com Astrid), João Gordo, The Osbournes e Sex and the City - eu deixei a novela de lado mas ainda assistia muita merda. E, finalmente, a notícia, desde muito pequeno. Não conseguia entender nada do que falavam, mas não piscava na hora do Jornal Nacional. Até hoje, às vezes, continuo sem entender, mas tento. A Globo News veio como um presente, e quando a transmissão ao vivo da CPI terminava eu ia direto para a TV Senado, para saber de tudo até a exaustão. Minha mãe é assim. Lê até o que não interessa.

Quando mudei para Londres, fiquei sem tevê por quase quatro anos. A internet foi minha fonte de informação durante este tempo. Hoje, depois de anos de separação, minha relação com a televisão voltou em níveis que considero normais. Assisto televisão quando leio sobre um programa interessante, como o de quarta-feira à noite sobre o massacre de Tiananmen Square na BBC2, ou quando não tenho absolutamente nada para fazer a não ser relaxar assistindo Crime & Investigation. Ainda gosto de muita merda do Brasil no YouTube, como Pânico na TV, entrevistas com Clodovil (todas) e Irritante Fernanda Young, mas não tenho mais tempo para me dedicar integralmente às maravilhas da inutilidade.

A tevê, por tanto, teve um papel fundamental na minha formação, mas foi sempre muito bem acompanhada de fontes independentes de opinião. Só meu pai sabe a quantidade de dinheiro investido em livros e educação. Foram anos de cursos de inglês, espanhol, violão, e até teatro - coitado. Só tenho a agradecer a meus pais, queridos, que permitiram o meu vício em novelas, minha inscrição em um curso de Jornalismo na PUC, e minha vinda para a Inglaterra aos 18 anos de idade. Acredito que muita paciência e coragem foram necessárias da parte dos dois, mas o trabalho passado deu resultado. Hoje eu sou uma pessoa feliz com o que me tornei, cercado de pessoas boas ao meu redor. Valeu.

4 de junho de 2009

Drained

Esta semana todas as minhas energias positivas foram sugadas pelos sites de notícia reportando o acidente do Airbus da Air France. É mãe com filho, mulher com marido, avô com neto, jovem a trabalho, o príncipe que morreu, os talentos perdidos, todas as histórias com fotografias, um horror. Conversei a pouco com minha mãe no Brasil, e chegamos à conclusão de que é melhor deixar a história de lado. Ela também sofre de lá. Foram dois dias muito tristes. Espero que a Air France pare com esta bobagem de botar a culpa no tempo - uma afronta à inteligência de quem pensa - e que tudo passe logo, para todos. Vou para a academia. Meu corpo precisa cansar.
Human Cargo


Voltei a ler Human Cargo depois de perder o livro no caixa do supermercado. Estou com medo de ser aquele tipo de livro maravilhoso na primeira metade, e impossível de ler na segunda. Esse tipo de livro me irrita muito, porque dá a impressão que o autor não tinha assunto suficiente para um livro inteiro, enfiando tudo o que era relevante e interessante nos primeiros capítulos, e enrolando nos pedaços finais. No entanto, até agora, estou conseguindo aproveitar bastante as informações passadas pela autora, Caroline Moorehead.

Fruto de anos de ativismo e um profundo conhecimento da causa dos exilados, Caroline fala sobre suas experiências com imigrantes e asylum seekers de todas as partes do planeta. Seu primeiro contato, com os meninos perdidos da África, é cheio de relatos chocantes do começo ao fim. Dá pra ter uma boa dimensão do problema, e entender as causas e consequências com muita clareza. No caso de Caroline, seu trabalho foi desenvolvido junto à comunidade Liberiana, mas os meninos perdidos da África estão espalhados por grande parte do continente.

Os meninos perdidos são jovens e crianças que perderam suas família como resultado de conflitos como o de Darfur, tão mencionado neste blog. Perdidos no mundo e sem pátria, essas crianças são jogadas para fora de seus países sem direito à retorno. No Cairo, aonde a maioria dos meninos perdidos se encontram com a intenção de pedir asilo aos países desenvolvidos, estas crianças vivem em condições altamente precárias, sem possibilidade de trabalho ou renda, vagando a esmo em busca de melhores condições, educação e, acima de tudo, uma identidade.

O livro de Caroline é também muito interessante porque descreve com riqueza de detalhes a postura de países desenvolvidos com relação à refugiados e asylum seekers. Através de relatos históricos, Caroline explica que a postura discriminatória e racista dos Estados Unidos e da Austrália continua exatamente a mesma, embora as palavras usadas tenham mudado em função de novas políticas diplomáticas. São dezenas de informações e documentos mostrando o nível de exigências e a falta de humanidade daqueles responsáveis pela seleção de imigrantes Europeus na América. Relatos sobre as estações que recepcionavam os imigrantes lembram os campos de concentração nazistas, com pessoas escolhendo quem fica e quem volta, dividindo famílias sem uma definição clara de critérios.

Do outro lado do mundo, a Austrália - um país onde absolutamente todos os brancos podem ser considerados imigrantes - defendia uma política racista de branqueamento da população. Nas mãos dos brancos, os aborígenes eram restringidos à reservas de nativos como acontece no Brasil, sofrendo nas mãos de líderes que ignoravam suas necessidades. Hoje, embora um quarto da população Australiana tenha nascido no exterior, as políticas imigratórias continuam sendo das mais cruéis, e partidos políticos abertamente racistas jamais deixam de subir ao poder - reflexo de uma sociedade que ainda hoje mantém os valores de seus antepassados.

Embora estes países não mais usem palavras como sujo, burro, imbecil e escória para definir imigrantes e refugiados, o pensamento continua sendo exatamente o mesmo de 50 anos atrás. São vários os exemplos de representantes nacionais que defendem causas humanitárias junto à comunidade internacional na ONU, só para voltar pra casa e criar leis que dificultam a vida de pessoas em risco e à procura de abrigo. Obviamente, o aumento do fluxo de pessoas e a queda de duas torres em 2001 não facilitou a vida daqueles que procuram por uma fonte de salvação. Muita gente está na merda ao redor do mundo, mas o que dá notícia mesmo é o vôo da Air France. O assunto é delicado, o livro é ótimo, e eu por enquanto recomendo.

1 de junho de 2009

Tam tam tam tam... II

Não foi TAM, foi Air France. Bem quando eu falo em desastre aéreo, um avião some no meio do Atlântico. Eu e minha boca maldita. Quando o avião da Spanair caiu em Madri eu tinha acabado de decolar para São Paulo. Agora, essa da Air France, em outro trecho que já fiz. Não me acertarei por umas duas semanas a partir de hoje. Que as vítimas do acidente descansem em paz.
Líbano 2006

Allah, Rumsfeld e o profeta Isaías

O século 20 foi dominado por uma divisão clara entre os diferentes modelos econômicos que resultaram de transformações macroeconômicas inevitáveis, marcando o início da era em que hoje vivemos. A América Latina e a revolução, os Estados Unidos e o progresso, e a Guerra Fria nas costas dos países desenvolvidos, meio correndo sem ter pra onde ir. Ao longo das últimas várias décadas, as diferenças entre estas nações foram largamente movidas por questões ideológicas de cunho político. Guerras alimentadas por intolerância econômica e arquitetadas por uma elite desenvolvida com sede de poder.

Depois, sem que ninguém claramente percebesse, o político deu lugar ao religioso. Aos poucos, com a queda do muro de Berlim, o fim da União Soviética e a abertura de países antes fechados para o capital externo, o planeta atingiu o nirvana através de uma estabilidade política antes inimaginável. Hoje ainda encontramos algumas lombadas no caminho - a exemplo da Córeia do Norte - mas o que pega mesmo é Allah. Logo, com a transformação do cenário internacional e as guerras recentemente lutadas pela América no Oriente Médio, ficou claro que o que era político virou religioso.

As questões em debate continuam sendo amplamente as mesmas. O bem e o mal, o pecado, o justo, e o necessário. O meu Deus, que é melhor do que o seu. Mas até que ponto fizemos uma boa troca? Há quem diga que questões religiosas são muito mais difíceis de serem resolvidas do que debates em torno de modelos econômicos. Tudo o que um país precisa para mudar politicamente é uma nova percepção, um novo ponto de referência, um sentimento generalizado de estagnação econômica, ou a incapacidade de um governo de fazer a máquina crescer e girar. O mesmo não se aplica para Allah.

Os Estados Unidos, como sempre, levantam a bandeira da democracia para justificar os ataques ao Afeganistão e Iraque, defendendo e suportando Israel na invasão dos territórios Palestinos. De volta à América, a ignorância e a intolerância - sempre devidamente disfarçadas através da diplomacia - aumentam ainda mais as diferenças religiosas e fazem destas as grandes propulsoras de uma sede louca por uma justiça que ninguém sabe como será alcançada porque ninguém sabe de verdade o que é.

Com as eleições de Obama, algo evidentemente mudou. O que era fundamental continuou existindo, mas sua equipe de governo definitivamente trocou a estratégia de conquista. Como na era de Bush muita merda foi feita, fica fácil apresentar melhoras. Vale relembrar que enquanto as tropas Americanas viajavam para a Ásia nos idos de 2003, seus líderes militares usavam passagens da Bíblia para justificar as atrocidades feitas no Afeganistão. Donald Rumsfeld - que por sinal deveria ser julgado e condenado em Hague - dava início a seus relatórios para o Presidente com passagens do nível "open your gates that the righteous nation may enter".

Esta semana Presidente Obama visita o Egito para falar mais uma vez com a comunidade muçulmana. Tratar religião com diplomacia pode acalmar os ânimos dos dois lados opostos, mas a percepção em casa e na Europa continua sendo exatamente a mesma. O vídeo abaixo mostra uma eleitora de McCain falando que não confia em Obama por ele ser Árabe (ela quis dizer muçulmano). Na resposta, pagando de tolerante, McCain disse que não aceitava tal comentário porque Obama é um homem de família. Na América, as duas coisas não caminham juntas. A diplomacia de Obama é bem-vinda, mas o buraco é bem mais embaixo.