Boa vontade
Domingo de música e muito trabalho. Ontem fomos ao Barbican assitir Bruno. O filme é relativamente ruim, mas uma das cenas salvou meu dia. Fiquei parecendo aquelas velhas gordas que não conseguem parar de rir alto no meio do cinema. Como é bom chorar de rir. Na volta, adicionei três ítens à minha wish list mental. O sapato e a calça de um jovem no metrô, e um apartamento no Barbican, no alto e com sacada. Logo eles se acostumam à posição de desvantagem em minha lista de prioridades atual.
Voltando ao domingo, temos ingressos para o show da Orquestra Imperial no Koko. Até lá, trabalharemos em cima de nosso último pedido, acertando os últimos preparativos para a viagem de terça-feira. Voltamos ao Reino Unido no dia 27. No meio das tarefas e compromissos, uma parada estratégica no Algarve com os sogros, pra descansar. Agora tenho que descobrir se a internet do Blackberry funciona fora de Londres. Acho que não vou conseguir fazer tudo antes do voo.
E essa é justamente a fase que eu mais gosto. Quando você avalia a lista de afazeres, compara um compromisso com o outro, e suspende a metade do que você tinha em mente, acreditando na coerência da eliminação das tarefas. Isso tem nome. Chama-se economia de escala. Geralmente eu consigo fazer uma média de 80% do planejado. No fundo, quando escrevo a lista já sei quais são os pontos que serão ignorados. A boa vontade é o fenômeno do começo de tudo. Depois passa.
12 de julho de 2009
Dueto
Tem uma música do Kid Abelha que pergunta qual o segredo da felicidade. Hoje ouvi a Paula Toller respondendo. Disse que o segredo da felicidade é não se preocupar muito em saber se você está feliz ou não. Achei a resposta simples e completa. Eu não tinha uma opinião formada a respeito dela, mas saí gostando. Dá pra ver que ali são anos de terapia. Abaixo, dueto de Toller com Chico Buarque. Tudo de ótimo.
Tem uma música do Kid Abelha que pergunta qual o segredo da felicidade. Hoje ouvi a Paula Toller respondendo. Disse que o segredo da felicidade é não se preocupar muito em saber se você está feliz ou não. Achei a resposta simples e completa. Eu não tinha uma opinião formada a respeito dela, mas saí gostando. Dá pra ver que ali são anos de terapia. Abaixo, dueto de Toller com Chico Buarque. Tudo de ótimo.
10 de julho de 2009
Queima até o fim
Ronaldo foi pego em um motel com dois travestis e cocaína, mas deu na tevê que a culpa não era dele. Como no Brasil homem que se veste de mulher sempre se fode, Ronaldo voltou ao Brasil, fez vários gols e não se fala mais nisso. Pra ajudar, é claro, nada melhor do que uma campanha lançada pela Globo com a intenção de reparar a imagem do craque. Ninguém entende mais de manipulação da opinião pública do que a emissora carioca que baniu o assunto em seus veículos de comunicação. Viva a liberdade de imprensa. Ronaldo estava comendo travestis, mas achava que eram putas. Aí tudo bem. Uma madrugada é muito pouco para perceber a diferença.
Ontem o travesti principal do caso, a Andréia Albertini, morreu de pneumonia e miningite aos 22 anos. A matéria da Globo.com abafa o óbvio e muda de gênero gramatical como quem troca de calcinha. Se o Português tivesse 20 gêneros, como o Bantu, eles esgotariam todas as possibilidades em 30 linhas. Do outro travesti ninguém fala. Fechou a boca e, com ela, as portas da miséria. Já dizia aquela sábia música de missa de domingo: dá-me a palavra certa, na hora certa, do jeito certo, e pra pessoa certa - palavra é como pedra preciosa, quem sabe o valor cuida bem do que diz. Como brasa, queima até o fim.
Ronaldo foi pego em um motel com dois travestis e cocaína, mas deu na tevê que a culpa não era dele. Como no Brasil homem que se veste de mulher sempre se fode, Ronaldo voltou ao Brasil, fez vários gols e não se fala mais nisso. Pra ajudar, é claro, nada melhor do que uma campanha lançada pela Globo com a intenção de reparar a imagem do craque. Ninguém entende mais de manipulação da opinião pública do que a emissora carioca que baniu o assunto em seus veículos de comunicação. Viva a liberdade de imprensa. Ronaldo estava comendo travestis, mas achava que eram putas. Aí tudo bem. Uma madrugada é muito pouco para perceber a diferença.
Ontem o travesti principal do caso, a Andréia Albertini, morreu de pneumonia e miningite aos 22 anos. A matéria da Globo.com abafa o óbvio e muda de gênero gramatical como quem troca de calcinha. Se o Português tivesse 20 gêneros, como o Bantu, eles esgotariam todas as possibilidades em 30 linhas. Do outro travesti ninguém fala. Fechou a boca e, com ela, as portas da miséria. Já dizia aquela sábia música de missa de domingo: dá-me a palavra certa, na hora certa, do jeito certo, e pra pessoa certa - palavra é como pedra preciosa, quem sabe o valor cuida bem do que diz. Como brasa, queima até o fim.
8 de julho de 2009
Quanta bobagem


A gente sabe que o mundo está acabando quando o velório de um pedófilo termina com crianças cantando e o todos chorando de emoção. Espero que essa competição enlouquecida pra ver quem sofre mais pela morte de Michael Jackson termine logo. Ontem até a integração da comunidade latina à sociedade dos Estados Unidos foi atribuída ao cantor. Põe inconsciente coletivo nisso. Prova concreta de que a memória das pessoas é mesmo curta.
4 de julho de 2009
Louco pra tudo

Ganguro é um horror e vem do Japão, é claro. Japonês tem talento para o bizarro. Não basta falar como criança e se comportar feito um roedor, tem que pintar a pele e tingir o cabelo de verde limão.

Ganguro é um horror e vem do Japão, é claro. Japonês tem talento para o bizarro. Não basta falar como criança e se comportar feito um roedor, tem que pintar a pele e tingir o cabelo de verde limão.
3 de julho de 2009
Ianômamis

Se as pessoas do mundo topassem reconhecer a importância de respeitar o quadrado dos outros, nosso planeta seria um lugar definitivamente mais habitável. Há tempos que venho reclamando dessa coisa insuportável de ler o tempo todo a respeito de intervenções governamentais em assuntos que não dizem respeito às instituições governamentais em questão. Dessa vez, o governo brasileiro, que já fez tanta merda com a comunidade indígena do país, resolveu pagar de defensor dos direitos humanos ao ouvir sobre o nascimento de trigêmeos em uma tribo ianômami no Amazonas.
Os índios da tribo ianômami consideram o nascimento de gêmeos um mal sinal. Segundo a tradição, uma das crianças é considerada portadora de uma alma ruim capaz de trazer sérias consequências negativas para a tribo. Incapazes de identificar o bebê problemático, a única solução é o sacrifício por sufocamento ou abandono. O mesmo se aplica para crianças com defeitos, uma vez que as índias são encarregadas de todo o trabalho pesado da tribo. Embora a prática seja impensável no restante do Brasil, faz parte das raízes do povo nativo da terra. É indiscutível que o direito dos índios de preservarem a sua cultura seja respeitado e mantido.
O governo brasileiro quer acabar com a propagação do ritual, da mesma maneira que acabou com a quantidade de tribos espalhadas pela Amazônia. A matéria do Globo diz que a Funai está tentando defender os índios, mas o governo do Brasil insiste no fim da prática alegando a defesa do direito à vida - o mesmo direito que vem sendo negado aos índios por seus colonizadores desde 1500. Seria mais efetivo começar a defender o direito à vida nos morros do Rio de Janeiro, aquela terra de ninguém. O assunto é polêmico, as opiniões são várias, mas eu continuo não gostando da idéia de interferir na cultura alheia. Cada um no seu quadrado.
2 de julho de 2009
Dica
Falar de acidentes aéreos não é falta de assunto, é medo. Uma amiga que reconhece a beleza de uma obcessão e entende o prazer secreto de alimentar uma loucura enviou um link da Veja com uma página especializada em grandes desastres. Várias dicas irrelevantes foram passadas, mas duas valiam a leitura: voe uma empresa Européia (Air France, ok) e evite vôos (voos) com muitas escalas já que 80% (chute) dos acidentes aéreos acontecem durante decolagem e pouso. Assim sendo, voar Yemenia Airlines com paradas em Paris, Marselha, Yemen e Djibouti antes de chegar em Moroni não pode ser uma opção. Uma outra dica é verificar a página da empresa no Wikipedia, já que há uma sessão especial com acidentes e incidentes para cada uma das empresas com página no site. No mais, dê preferência para British Airways e Finnair, que não caem jamais.
Falar de acidentes aéreos não é falta de assunto, é medo. Uma amiga que reconhece a beleza de uma obcessão e entende o prazer secreto de alimentar uma loucura enviou um link da Veja com uma página especializada em grandes desastres. Várias dicas irrelevantes foram passadas, mas duas valiam a leitura: voe uma empresa Européia (Air France, ok) e evite vôos (voos) com muitas escalas já que 80% (chute) dos acidentes aéreos acontecem durante decolagem e pouso. Assim sendo, voar Yemenia Airlines com paradas em Paris, Marselha, Yemen e Djibouti antes de chegar em Moroni não pode ser uma opção. Uma outra dica é verificar a página da empresa no Wikipedia, já que há uma sessão especial com acidentes e incidentes para cada uma das empresas com página no site. No mais, dê preferência para British Airways e Finnair, que não caem jamais.
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