28 de outubro de 2009

Sold!

@menezesmarcos

20 de outubro de 2009

Maps.police.uk

Há coisas que só são possíveis em sociedades organizadas como as do Reino Unido. Geralmente, ações e medidas desenvolvidas com o objetivo de melhorar a qualidade de vida de uma população são apenas verdadeiramente efetivas quando o trabalho conjunto de autoridades locais, órgãos públicos e moradores é corretamente coordenado e integrado.

Hoje tive acesso à página recentemente lançada pela polícia da Inglaterra e do País de Gales. A página funciona como um portal com todas as informações sobre os crimes registrados pela polícia em literalmente todas as regiões do país, provando que transparência é a melhor forma de combate ao crime em um mundo globalizado. A página é tão sensacional que além de passar as informações dos últimos 24 meses, comparando índices de 2009 com 2008, faz um levantamento por tipo de crime em cada região.

Minha área, por exemplo, registrou um total de 66 crimes em Agosto deste ano, contra 68 crimes em Agosto de 2008. Desde Maio de 2009, a polícia registra uma queda considerável e sólida nos índices locais. De forma geral, o número de crimes na região N2 de Londres caiu de 83.3% em 2008 para 78.3% este ano (6%). Mas as maravilhas do sistema integrado de informação pública não param por aí.

Em qualquer região dos dois países, pode-se visualizar os índices e os números de arrombamentos, roubos, crimes envolvendo veículos, violência e comportamento anti-social. A região N2 é classificada como na média de Londres em todas as categorias - o que, aqui, é um ótimo sinal - com exceção de violência, abaixo da média. Cada possibilidade de crime aparece no sistema com números precisos, e estatísticas que deixam claros medidas e resultados de campanhas feitas pela polícia. Fiquei satisfeito e feliz com os meus officers locais, pois os números de minha região despecaram do ano passado pra cá.

Informação nunca é demais.

18 de outubro de 2009

E agora, José


Muita gente argumenta que o normal e o anormal, o certo e o errado, e todas as outras possibilidades antagônicas são sempre relativas. Sim, relativas, mas infelizmente ditadas pelo costume da maioria. A voz do povo é a voz de Deus. As outras possibilidades, caem na classificação - talvez injusta, mas nunca incorreta - do errado e anormal. A denominação daquilo que é errado e anormal, é errada por si só, mas depende - como tudo - do grau de complexidade do objeto analisado. Derrubar um helicóptero, no interior do Congo ou no centro do Rio de Janeiro, é errado, por exemplo.

A comunidade internacional recebe com medo as notícias dos últimos dias. Se arrependimento matasse, acho que o COI estaria enterrado. O Rio de Janeiro não tem condições de sediar as Olimpíadas. Todos sabemos, o COB sabia, mas o mundo acreditou na nova ordem mundial. O raciocínio era simples. Se a China conseguiu, o Brasil - país do futebol - também pode. O que o COI esqueceu de analisar, no entanto, é que a pobreza de Beijing, e a organização política e social dos Chineses, passa longe do grau de complexidade das favelas cariocas. Pobreza no Brasil, vem com violência. E o governo, submisso ao tráfico, assiste calado a seus helicópteros despecando dos céus do Rio de Janeiro.

A festa acabou, o povo sumiu e a luz apagou.

13 de outubro de 2009

É pegar e matar

Ok. O balão de São João não é um objeto que nasce do nada. Nem o nada nasce do nada. Construir um bom balão, por tanto, requer dinheiro, tempo, e um grupo de imbecis. Todos os hábitos do mundo tem um público alvo e o do balão de São João são os imbecis. O burro gosta muito de tudo o que voa, pega fogo e chama a atenção dos outros. Vive em um estado constante de orgulho da própria ignorância. Para este fim, nada mais expressivo do que o balão de São João.

Partindo do princípio de que nenhum bom balão de São João é construído em 20 minutos de conversa, podemos concluir que todo balão é fruto de um planejamento. O imbecil aprendeu a construir, comprou o material, e colocou o plano em prática. Foram um ou vários dias de reflexão sobre o balão, as consequências de brincar com a ilegalidade, e os perigos envolvidos no ato. O imbecil dormiu, acordou, almoçou, e encaixou a construção do balão entre um compromisso e outro - se é que tinha algum.

Aí o mundo é uma bola. Na bola, hoje em dia, todo mundo já sabe que balão é sinônimo de perigo. Nada é ilegal por acaso. Nada. Então estes dois animais, estes seres completamente sem alma, decidem lançar um balão de São João do tamanho de suas respectivas ignorâncias ao lado do aeroporto mais movimentado do Rio de Janeiro. Não só ao lado, mas com vista para a pista. Só vendo mesmo pra entender que os imbecis são capazes de absolutamente tudo. Este tipo de pessoa, tem que pegar, e tem que matar.

A Infraero avisa que no último ano aproximadamente 150 balões foram detectados nas áreas próximas de aeroportos do Brasil. Lembrar de pegar ônibus em minha próxima visita. Na estrada também se morre, mas prefiro ser triturado a virar churrasco de balão de São João.

10 de outubro de 2009

Bio Packaging



Nos últimos meses, todos os dias tem sido dias de muito trabalho. Entre um trabalho e outro, no entanto, sobra tempo pra pensar merda. E merda, aduba. Estava pensando em como as embalagens de produtos evoluíram pra pior. Enquanto o mundo procura soluções mais ecológicas para a sociedade moderna, as empresas de branding responsáveis pelo desenvolvimento de embalagens insistem em sistemas inteligentes horrorosos cheios de tampinhas de plástico, canudinhos embrulhados, caixas pra caixas, sacolas pra caixas, e um número interminável de novas soluções geniais que não servem pra absolutamente nada verdadeiramente coerente.

Fiquei pensando que deveriam voltar com os saquinhos de leite antigos. O saco é simples, econômico, e permite que cada um encontre a melhor solução para o armazenamento de seu próprio leite dentro da geladeira. Deve haver muitos outros pontos negativos para o saquinho do leite, como falta de higiene (?), mas se é pra mudar, que a mudança seja real, e venha de cima. O pacote jamais será efetivamente alterado sem a imposição de uma forte legislação ambiental, porque quando o assunto é marketing - e dinheiro - ninguém quer experimentar ou ceder primeiro. Estão certos. No mundo corporativo, quem muito abaixa, mostra a bunda.

London Bio Packaging.

9 de outubro de 2009

A vazante da informaré

Eu tenho uma conta no Twitter. Não uso pra nada, mas tenho. Além do Twitter, tenho um blog, uma conta no Facebook, um email pessoal e um outro para a empresa, ambos registrados no meu celular, um Blackberry Storm. Este ano foi meu ano da inserção digital. O Google é, infelizmente, a minha vida. Uso o Picasa, dependo do Calendário, registro todas as mensagens no Gmail, trabalho com Analytics, tenho acesso ao Feedburner, e só não tenho um Google Reader porque não tenho tempo para ler blogs com a pilha de livros e revistas que vivem acumuladas em minha mesa.

Do meu celular, envio fotos para o Flickr, que tem um link no blog, que é conectado a todo o resto. Do meu Facebook, faço o upload de álbuns fotográficos de minhas viagens, devidamente organizados no lado direito do meu blog, embaixo da coluna de fotos do Flickr. Embora eu tenha um blog, e um Twitter, não gosto de expor fotos minhas ou dos meus amigos em nem um, nem outro. Raramente o faço. Acho errado. Tenho pânico de pensar em fotos minhas armazenadas no computador de terceiros, como já aconteceu antes. Não sei porque tenho um blog. Não sei porque sempre tive, algumas vezes com longos intervalos, a necessidade de escrever. Acho que é algo que levarei, bem como já levo, para a vida.

Com a abertura da minha empresa, temos agora duas contas muito ativas no Skype, que uso feito doido. Pagamos mensalmente duas subscriptions que permitem ligações internacionais sem custos adicionais. Estamos desenvolvendo um website que será lançado em Janeiro, e todas as reuniões com a agência de branding de New York e Buenos Aires são feitas online. Está sendo uma boa experiência. Hoje, aqui no escritório, instalamos uma rede que conecta todos os computadores, e faz de todo o espaço disponível, um só. Sem falar no Viigo, meu novo jornal. Espero que tantos atalhos juntos não terminem maiores que o caminho original.

4 de outubro de 2009

Quem sabe

Propaganda é a alma de todos os negócios, mas propaganda sem mídia, não é propaganda. Além de uma clara estratégia publicitária, qualquer causa precisa de divulgação em massa porque o mundo só acredita quando houve a mesma coisa repetidas vezes. Dessa maneira, Collor foi eleito Senador no Nordeste após ser vomitado do Planalto na década de 90, Ronaldo abafou o fato de curtir um travesti ou outro (ou três) de vez em quando, e um presidente preto ganhou as eleições em uma nação majoritariamente caipira e ignorante como a América. É preciso ver e ouvir muitas vezes para passar a verdadeiramente crer. Esta é uma das grandes regras da vida.

Há muito tempo comento a falta de expressão do Brasil no grupo dos BRIC. O Brasil é grande, mas não tão grande quanto os outros; poderoso, mas meia-boca; e rico, mas não muito bem aproveitado. Sim, o Brasil atravessa um bom momento aos olhos dos investidores internacionais e a crise poderia ter sido muito maior no mercado interno, mas o entusiasmo e o respeito da comunidade internacional não passam do reconhecimento obrigatório das dimensões geográficas que gritam aos olhos de qualquer analista capaz de buscar a resposta em novas direções. Certas coisas, ninguém pode negar.

Fiquei feliz com o resultado da escolha do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016. Torci muito, fiquei nervoso, quase morri com o papel preso no envelope. Receber o reconhecimento de uma aposta séria no Brasil foi importante porque validou os desejos de milhares, e depositou confiança em um grupo de pessoas antes incapaz de priorizar as necessidades de seu próprio país. Somos uma gente matuta nascida das sobras dos outros, que aprendeu errando, errou muito, e demorou tanto para aprender. Quem sabe assim, cantando vitória na beira da praia, o Brasil de amanhã não é um país que trabalha mais e anda de trem – este sim, fundamental para um aumento sustentável de desempenho e produtividade.

Fato é que quando o assunto é desenvolvimento, uma coisa leva à outra. E quando uma coisa leva à outra, as chances são grandes de um processo contínuo de avanço ser desencadeado. Se a cadeia anda pra valer, não há barreiras capazes de conter um consistente processo de desenvolvimento. E com o anúncio de altos investimentos no Brasil, publicações do mundo inteiro passaram a divulgar com mais entusiasmo os avanços econômicos do país, a exemplo do que aconteceu com a China há anos atrás. São matérias de destaque, capas, artigos de verdade, e propaganda pura sendo gerada a respeito de um país antes abordado por uma questão puramente geográfica. A emoção gerada pela repetição é tão grande, que hoje li pela primeira vez que o Brasil é o país mais importante do encontro mundial para a preservação do meio-ambiente, a ser realizado no fim do ano na Dinamarca. Quando todo mundo fala a mesma coisa, todo mundo procura falar algo novo e maior.

Da mesma forma que jornalistas aproveitam a trágica visita de Obama à Dinamarca para debater a reforma da saúde nos Estados Unidos, a vitória de Lula é usada para debater os avanços do Brasil na indústria petrolífera, o crescimento da importância do país no E7 e a entrada oficial do Brasil na nova ordem mundial. Parabéns ao Brasil, ao COB, ao Rio de Janeiro e ao povo Brasileiro. Parece que o samba, a bunda e o futebol deram resultado. Agora é trabalhar para conseguir provar que somos capazes de entregar a encomenda. Pela primeira vez, verdadeiramente capazes. Boa sorte a todos.